AS DIFERENÇAS ENTRE OS CRISTÃOS

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Vou falar hoje sobre as diferenças entre os cristãos. E não me refiro às diferenças estabelecidas pelas diferentes denominações cristãs (como forma de batizar, governo da igreja e outras coisas assim), mas sim ao que vai na alma das pessoas.

Para você me entender melhor o que estou querendo dizer, vou começar fazendo três perguntas:
  • Até que ponto você acha que Deus se envolve nas questões diárias da sua vida e do mundo?
  • Você acha que Deus julga o que as pessoas fazem?
  • Até que ponto você depende de Deus na sua vida diária?

Essas perguntas são muito importantes porque caraterizam como você de fato se relaciona com Deus. Aí está a raiz das diferenças entre os cristãos.

E é isso que comprova um estudo feito alguns anos atrás – o título do estudo é “O que falamos sobre Deus e o quê isso fala sobre nós” (“What we say about God and what that say about us”). O autor desse estudo, Paul Froese, confirmou que são essas respostas e não os rótulos denominacionais (metodista, presbiteriano, batista, luterano, assembleiano, etc) que de fato diferenciam as pessoas entre si quanto à forma como exercem sua fé. 

É claro que boa parte das respostas a essas três perguntas nasce nos ensinamentos passados pela denominações cristãs. Mas, o estudo revelou que a parte mais importante das respostas que as pessoas dão para essas perguntas é construída por elas mesmas, com base nas suas experiências individuais.

Em outras palavras, essas respostas são construídas em grande parte a partir das respostas de oração que as pessoas receberam ao longo das suas vidas espirituais, das conversas que tiveram com irmãos na fé, dos milagres que eventualmente presenciaram, dos livros que leram, dos sermões que ouviram e assim por diante. 

As experiências individuais acabam formando um quadro mental que define como as pessoas entendem a figura de Deus e isso orienta a forma como constroem seu relacionamento com Ele. Por exemplo, se a pessoa percebe Deus como alguém que interfere muito no dia-a-dia, ela passa a esperar orientações divinas para quase todos os seus problemas e, em consequência, tende dar pouca importância para as eventuais respostas oferecidas pela ciência e/ou a sociedade em geral.

No outro extremo, está a pessoa que acredita em Deus como o Criador do universo, mas pensa que Ele pouco interfere no dia-a-dia do mundo, por pensar que Deus tem mais o que fazer do que ficar se preocupando com os pequenos problemas de cada ser humano. Para quem pensa assim, o universo é como uma “máquina” bem regulada que funciona mais ou menos sozinha, com base nas leis físicas universais estabelecidas pelo próprio Deus. Esse tipo de pessoa tende a ter muito maior receptividade para as soluções produzidas pela ciência e/ou a sociedade e não fica esperando muito por uma orientação de Deus, a não ser para coisas mais sérias. 

Agora, o nível sócio-econômico e a escolaridade das pessoas impactam fortemente a formação das suas experiências individuais e, portanto, o quadro mental que acabam estabelecendo sobre Deus.  Pessoas das classes C/D costumam passar por maiores dificuldades e, por causa disso, tendem a crer num Deus mais severo, julgador e muito mais intervencionista no dia-a-dia. Já as comunidades de classe média tendem a vivenciar um tipo de cristianismo mais liberal e veem intervindo menos no seu dia-a-dia. 

Não é por acaso, então, que a religião cristã praticada na periferia de uma grande cidade brasileira seja tão diferente daquela voltada para um público de classe média. E é possível perceber essa diferença até dentro de uma mesma denominação cristã, quando se visita uma paroquia da periferia e outra situado num bairro mais central. 

A mesma diferença de percepção sobre Deus explica também porque uma mesma mensagem cristã tem impacto tão diverso sobre as diferentes pessoas. Eu percebo isso claramente entre os leitores deste site. Uma mesma postagem fala ao coração de uma pessoa,  mas causa indignação em outra, embora ambas sejam cristãs igualmente sinceras – basta ler os comentários postados no site para confirmar o que acabei de dizer.

Agora, é muito importante você entender que essas diferenças de ponto de vista não impedem que as diferentes pessoas sejam igualmente alcançadas pelo Espírito Santo e pela graça de Deus. Afinal, o que salva a pessoa é sua fé em Jesus e não sua percepção quanto ao fato de Deus interferir mais ou menos na sua vida.  

As diferenças que acabei de descrever têm  sido uma constante na história do cristianismo e precisamos aprender a conviver com elas. Temos que ter sempre em mente que Deus não se deixa conter nas “caixinhas” doutrinárias criadas pelas denominações cristãs ou pelas pessoas.

Ele age quando quer e da forma que melhor deseja. Assim, Deus certamente é misericordioso, mas também pode ser severo. Está sempre disponível, mas apenas para que aqueles que o buscam de forma sincera. O Espírito Santo fala constantemente, mas também pode permanecer silencioso por vários anos. 

A fé cristã pode abrigar igualmente as pessoas que pensam e vivem de forma muito diferente. E é muito bom que seja assim, pois por causa disso tem sido possível alcançar de forma efetiva bilhões de pessoas, de diferentes idades, culturas e experiências de vida. Glória a Deus por isso.

Com carinho

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Anônimo

Acredito já ter respondido na pergunta anterior.

Arrebatamento e salvação são coisas diferentes. O Arrebatamento é um evento que acontecerá com pessoas salvas até aquele momento, mas isso nada tem a ver com a possibilidade de pessoas serem salvas depois.

Anônimo

Tipo uma pessoa ouviu a palavra mas nao aceitou a "CRISTO" ela nao vai ser arrebatada. Mas permanecera na terra e "DEUS" ainda dará a essa pessoa a chance de arrepender- se e fazer pon onde conseguir ser salvo? Camila

Anônimo

Confesso estar muito confusa diante de tudo isso. Eu imaginava ate então que caso uma pessoa evangélica nao conseguise ser salva no arrebatamento esta teria chance de ser salva depois do arrebatamento. Porem em leitura esses dias encontrei um estudo onde dizia: que muitos crentes se enganam quando pensam que se nao forem salvos no arrebatamento poderão ainda ser salvos depois dele. E que isso nao irá ocorrer, pois aos que ja tiveram a chance de ser salvo no arrebatamento e nao foram ja era…que a salvação após o arrebatamento acontecerá apenas para os que nao ouviram falar de "JESUS"… Read more »

Anônimo

Vamos lembrar o que a Bíblia diz sobre salvação: trata-se de aceitar Jesus como Salvador e confessar isso publicamente. Nada mais.

Portanto, a Bíblia não fala que a salvação somente poderá acontecer até o Arrebatamento. Não há limitação de data. As pessoas podem ser salvas a qualquer momento.

Agora, é razoável dizer que, após o Arrebatamento, ficará mais difícil a pessoa ser salva, porque como a igreja saiu do mundo, quem vai pregar a Palavra de Deus?

Mesmo assim várias pessoas vão encontrar o caminho até Jesus, mas sera mais difícil. Só isso.

Vinicius

Anônimo

Camila

O chamado "Arrebatamento" – o evento em que Cristo leva a igreja para junto dele – não tem nada a ver com o Julgamento Final. É claro que as pessoas arrebatadas serão salvas, pois são elas que formam a verdadeira igreja de Cristo. Mas o Julgamento Final ocorrerá bem depois e, até lá, pessoas serão salvas, desde que aceitem Jesus.

Abs
Vinicius

Anônimo

Obrigada por este post… Vinicius quando uma pessoa que conhece a verdade frequenta os cultos mas nao ser salvo quando "JESUS" Vinher buscar a sua igreja. Essa pessoa tera uma segunda chance? Camila