ENFRENTANDO O MEDO DE SOFRER

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Acredito que quase todo mundo tenha medo de sofrer. Esse é um sentimento praticamente universal. E o medo de sofrer marca a vida das pessoas e interfere muito no seu comportamento.  

Agora, o que fazer quando o medo de sofrer bate às portas? O que fazer quando aparece uma ameaça importante na sua frente e você vier a sentir medo? A primeira coisa a fazer é qualificar esse medo. Todos os estudos apontam que menos de 1% dos nossos medos se transforam de fato em coisas negativas. Ou seja, sofremos por antecipação com problemas que nunca se tornam realidade. E a própria ciência explica a razão para isso.

Por exemplo, o Centro de Saúde Mental da Universidade do Texas, em Dallas, fez um estudo que contou com a participação de 26 adultos (19 mulheres e 7 homens) jovens (idades entre 19 e 30 anos). As pessoas precisavam reagir a informações que lhes eram passadas. Os resultados mostraram que o cérebro prioriza a informação ameaçadora em relação a qualquer outra. Trata-se de uma defesa natural do organismo.

Portanto, uma análise racional do seu medo de sofrer pode afastar muitos temores que não têm de fato apoio na realidade. E se você não conseguir fazer isso sozinho/a, peça ajuda a alguém que tenha cabeça boa e em quem você confie. Só essa providência simples já vai reduzir muito o seu sofrimento com esse tipo de situação. Provavelmente vai fazer com que você perceba que o perigo do qual você foge não é o perigo real à sua frente.

Não estou dizendo que o mesmo medo não vai aparecer de novo, mas você o verá de outro ponto de vista. Em lugar dele parecer um gigante, ele se tornará mais manuseável.

A segunda coisa é ajustar suas expectativas na vida. E isso passa por entender que somos seres mortais e vivemos num mundo onde o pecado se faz presente. E, portanto, o sofrimento é parte da vida. Ele é esperado e não há como fugir dessa condição. Jesus mesmo nos alertou sobre isso em João 16:33:

“Eu lhes disse essas coisas para que em mim vocês tenham paz. Neste mundo vocês terão aflições; contudo, tenham ânimo! Eu venci o mundo”.

Essa redução de expetativas também vai ajudar muito, pois impedirá que você ache não estar recebendo de Deus um tratamento com a consideração que merece e por isso acabe por rejeitá-lo. A rejeição a Deus, fruto do sofrimento, é uma das maiores causas para as pessoas perderem sua fé. 

As primeiras duas providencias são de cunho mais prático, mas o passo seguinte já requer fé. A terceira coisa é trabalhar a certeza que Deus sempre se faz presente no sofrimento dos seus filhos/as. Isso porque Ele nos ama e também sabe o que é sofrer. Você nunca pode se esquecer que Jesus viveu entre nós e passou por coisas terríveis: traição, tortura, privações e assim por diante. Portanto, Deus sabe o que é viver todas essas dificuldades e isso o torna ainda mais solidário com o sofrimento humano. E como consequência, Ele manda ajuda: consolo através da ação do Espírito Santo.

E não é por acaso que muitas pessoas se aproximam de Deus e crescem espiritualmente justamente no período de sofrimento, pois aí sentem mais a presença de Deus nas suas vidas. O famoso escritor cristão C. S. Lewis, autor do conhecido livro “As crônicas de Narnia”, ensinou que a voz de Deus soa muito mais alta nos momentos de sofrimento. É aí que ela se sobrepõe a todas as distrações que o mundo gera.   

A quarta coisa é usar sua fé para ter confiança que Deus vai usar seu eventual sofrimento para gerar frutos bons. Em outras palavras, Deus faz do “limão” uma “limonada”.  Não estou afirmando que Deus cause o sofrimento das pessoas para fazer seus objetivos na terra avançarem (infelizmente, há quem pense dessa forma). Não é isso. Deus simplesmente usa o inevitável sofrimento humano para dele gerar bons frutos.

Um excelente exemplo disso é José, filho de Jacó, que foi vendido como escravo por seus enciumados irmãos. José sofreu muito no Egito, mas acabou se tornando o braço direito do faraó. E, nessa condição, conseguiu ajudar sua família a sobreviver um grande período de fome em Canaã, onde moravam. O mal que os irmãos de José lhe desejaram, acabou se tornando um bem para a família de Jacó, através da ação de Deus (Gênesis 50:20).

Outro exemplo, ainda melhor, é o próprio Jesus. Sua morte na cruz foi um ato injusto e terrível. Mas, é dela que vem uma enorme benção: a salvação humana. Foi o sacrifício de Jesus na cruz que abriu as portas da salvação para todos os seres humanos.  

Resumindo, você precisa entender essas coisas importantes que a Bíblia nos ensina:

  • Muito sofrimento que você teme nunca vai lhe acontecer – a maior parte do seu medo de sofrer é uma armadilha da sua mente
  • O sofrimento é coisa natural nesta vida.
  • Deus não vai abandonar você durante os momentos de dificuldade – o Espírito Santo sempre estará ao seu lado.
  • Ele, de alguma forma, vai usar o eventual sofrimento para gerar frutos bons, fazendo do “limão” uma “limonada”.

O entendimento disso tudo gera uma consequência muito importante: você tira o foco da ameaça que o assombra e o coloca em Deus, naquilo que Ele irá fazer na sua vida. E se você conseguir dar esse importante passo, vai conseguir fazer uma outra coisa, ainda mais importante. Vai conseguir reinterpretar a ameaça à sua frente e mesmo o seu eventual sofrimento. Em outras palavras, vai conseguir dar outro significado a tudo isso.

Jesus passou sua última noite de liberdade participando de uma ceia com seus discípulos. Foi como uma despedida da sua vida terrena, antes do início das dores. Um último momento de paz antes da tempestade que se aproximava.

Durante essa ceia, Jesus tomou o pão e o partiu, e disse que aquilo era seu corpo, entregue ao martírio para salvação dos seres humanos. Depois tomou o vinho, e disse que aquilo era seu sangue, derramado por todos nós. E mandou que os discípulos continuassem a se lembrar do seu sacrifício, comendo juntos o pão e bebendo o vinho (Marcos capítulo 14, versículos 22 a 26). E mediante esse simples ato, Jesus instituiu o sacramento da santa ceia, praticado até hoje pelos cristãos.

Ele reinterpretou seu sofrimento, mostrando para os discípulos o que viria de bom como fruto das suas dores. E, ao fazer isso, deu para os discípulos um motivo para ter esperança. Toda vez que eles participaram da santa ceia, ao longo das suas vidas, eles relembraram do sacrifício de Jesus e das promessas de Deus relacionadas com a salvação. Assim, os discípulos passaram a se sentir herdeiros do grande plano de Deus para salvação do ser humano.

A reinterpretação dos fatos mudou o significado do sofrimento de Jesus. Ele olhou além do mundo material, além da ameaça à sua sempre, e do seu sofrimento físico, e focou em Deus. E ao conseguir fazer isso, tudo mudou.

Manter seu foco em Deus, não importa a ameaça à sua frente ou o medo que vier bater à sua porta, vai permitir que você reinterprete sua situação. Você vai conseguir dar um outro sentido aos problemas e circunstâncias da sua vida.  Sei que isso é difícil de fazer, especialmente quando a ameaça é grande e o medo muito forte. Mas, se você aprender a fazer isso, sua vida será transformada. E você conseguirá perceber muito melhor a presença de Deus na sua vida. Portanto, quando o medo do sofrimento bater à sua porta, lembre-se que a resposta é focar em Deus.

Com carinho

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