ENFRENTANDO A INSEGURANÇA

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Insegurança é um sentimento comum – as pesquisas mostram que cerca de 80% das mulheres admitem ser inseguras, sendo que quase 50% delas pensam que o problema é grave. Os homens parecem ser menos afetados (ou não admitem sua dificuldade com tanta facilidade) mas essa também é uma questão importante para eles. 

A insegurança nasce e cresce em cima do sentimento de dúvida que a pessoa tem sobre si mesma – incerteza sobre seu valor e sua capacidade para realizar o que é preciso. 

Há insegurança gera diversos sintomas, tais como: evitar ser o centro das atenções (p. ex quando se fala em público), ficar muito sentido quando percebe algum tipo de rejeição á própria pessoa, ter preocupação excessiva de fazer correções quando a pensa ter feito algo errado, sentir-se ameaçado(a) (p. ex. pensar que o companheiro vai preferir uma mulher mais jovem ou bonita) e recear não estar à altura da expectativa de quem se ama e deseja.  

Na verdade, as pessoas tendem a ser uma mistura complicada de confiança e insegurança, o que torna a percepção e o tratamento do problema mais difícil. Há pessoas muito confiantes no campo profissional e inseguras nos relacionamentos amorosos e vice-versa. 

Causas do problema

Há muitas causas para a insegurança. E o problema normalmente começa nos anos de formação (infância e adolescência). Por exemplo, quando a criança vive uma situação de instabilidade em casa (pobreza, alcoolismo, traições, doenças, etc), a reação normal é imaginar que ninguém vai ter condições de cuidar dela. E começa a buscar aqueles(as) que poderão preencher esse papel. 

Outras situações que causam insegurança são perda significativa (p. ex. morte de entes queridos ou falência), rejeição real (ou imaginária) por conta de limitações pessoais (deficiências físicas, falta de traquejo social, etc). 

Há ainda uma outra causa de insegurança, meio surpreendente: a vaidade excessiva, o ego muito inchado. Pessoas vaidosas tendem a se sentir inseguras em situações que podem ferir seu ego. Isso acontece com muita frequência com os(as) artistas, que tornam-se inseguros(as) quanto a conseguir manter a fama e o status – temem acabar esquecidos(as), como de fato acontece com frequência. 

É interessante perceber que a vaidade parece ser a causa de insegurança que mais parece estar sob controle da própria pessoa. 

Mecanismos para lidar com a insegurança

Pessoas inseguras costumam criar mecanismos para conseguir lidar com seu estresse. Há quem busque compensações – “se não sou o melhor, posso ser o que mais trabalha”. Outras pessoas tornam-se fanáticas por controle, especialmente daquilo que tem potencial para lhes causar desconforto. O ciúme é uma manifestação da tentativa de controle da pessoa ou da coisa amada. 

Pessoas que buscam controle também podem passar a dar ênfase excessiva na precisão, ordem e organização. Há também quem se apague e acabe por aceitar a influência excessiva dos(as) demais, abdicando da própria personalidade. Finalmente, há ainda quem se isole da convivência social, para reduzir as situações de estresse. 

Insegurança tem grande potencial para causar estrago.  E muitas pessoas fazem papel de bobas por causa dela: têm ataques de raiva por quase nada, submetem a pessoa amada a questionários absurdos, tornam-se detalhistas ou legalistas, e assim por diante.

Ninguém quer se sentir inseguro(a). Mas poucas pessoas conseguem se livrar desse tipo de sentimento. É como se fossem cúmplices da sua própria tortura.  

Combatendo a insegurança

Como combater esse tipo de sentimento? Em primeiro lugar, não se acomode. Fuja da “síndrome de Gabriela”: “eu nasci assim, cresci assim e vou ser sempre assim”. Você pode e deve lutar para mudar esse estado de coisas. 

Trata-se de tomar uma decisão. Fazer uma escolha. Não querer mais viver limitado pela insegurança.  

O segundo passo também é importante: convencer-se do amor de Deus, o que lhe dá dignidade e importância. E acreditar que Ele nunca deixa de estar atento às suas necessidades – se prestar atenção, você vai acabar percebendo isso com clareza (Salmo capítulo 139 versículos 5, 6 e 14). 

Depois, rodeie-se de quem possa lhe dar apoio. E é aí que a família e a igreja tornam-se imprescindíveis.

O último passo é entender que o combate à insegurança é um processo. Você pode não conseguir mudar seus sentimentos, mas pode alterar a forma como reage às situações. Perceber que está nas suas mãos passar a obter resultados diferentes. 

A insegurança se faz notar mais fortemente a partir de alguns “gatilhos” que se fazem notar no dia-a-dia. E sempre existirão “gatilhos” para desafiá-lo(a). Mas você pode aprender a não “morder a isca”, preparando-se previamente para esse tipo de situação. 

Comece por pensar numa situação que lhe causa muita insegurança – por exemplo, uma pessoa falar de sua limitação física ou lhe pedirem para falar em público. Aí pergunte a si mesmo(a) como uma pessoa segura reagiria nesse mesmo caso. Estude a reação que você deveria passar a ter e veja o que faz errado. Em outras palavras, compare o que deveria fazer com aquilo que consegue fazer.

Será importante, nessa altura, conversar com pessoas da sua confiança. Discutir com elas suas alternativas. Analisar o que pode ou não fazer.

Depois, peça a Deus que lhe ajude – acredite que Ele pode e quer lhe dar essa ajuda. E está aí o que mais importa em todo esse processo. 

Fazendo tudo isso, quando o “gatilho” da insegurança for acionado de novo, você estará bem preparado(a) e reagirá melhor. E esse bom resultado fará você se sentir encorajado(a) a dar mais um passo, aprendendo a lidar com outro “gatilho”. E assim poderá progredir, um passo de cada vez. 

Com carinho

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