ENFRENTANDO A GUERRA CULTURAL CONTRA O CRISTIANISMO

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Eu não tenho dúvida que vivemos numa sociedade pouco amigável para as ideias cristãs. Há liberdade religiosa no Brasil, sem dúvida, mas também há uma evidente guerra cultural contra o cristianismo, movida pela grande mídia, os/as intelectuais e a classe artística, de forma geral. 

Programas de televisão, filmes, livros e outros produtos culturais frequentemente apresentam os/as cristãos/ãs como pessoas fanatizadas, intolerantes, hipócritas, etc. Dificilmente pessoas religiosas são mostradas como tendo compaixão, desejo desinteressado de servir ao próximo e tolerância.

Ideias que parecem mais inclusivas – tipo “todos os caminhos levam a Deus” –  encontram enorme aceitação nos meios mais intelectualizados, mesmo sem qualquer maior reflexão quanto a serem ou não verdadeiras. Já muitas ideias cristãs – por exemplo, “Jesus é o único caminho para se chegar a Deus” -, são violentamente criticadas e tornam-se objeto de escárnio.

Não é fácil viver de forma plena as ideias cristãs no Brasil de hoje. E falo isso também por experiência própria pois já sofri críticas por me colocar claramente contra algumas ideias populares e também pelo trabalho que desenvolvo neste site.

Felizmente, a Bíblia traz ensinamentos preciosos para nos ajudar a enfrentar e vencer essa guerra cultural. E, talvez, o melhor ensinamento seja a história do profeta Daniel, personagem principal do livro bíblico de mesmo nome. 

A história de Daniel 
O profeta era um jovem judeu, de boa família, criado de acordo com os preceitos da sua fé. Viveu uma vida era sem grandes preocupações, até que a desgraça se abateu sobre seu povo.

Nabucodonosor, rei da Babilônia, subjugou o reino de Judá e levou diversos jovens para seu país, como reféns, dentre eles Daniel e três amigos. Já na Babilônia, esses jovens tiveram seus nomes trocados e foram instruídos durante três anos na cultura local. O objetivo de Nabucodonosor, com essa medida, era aculturar o reino de Judá com as ideias da sociedade babilônica, usando esses jovens como uma ponte entre seu povo e a Babilônia (Daniel capítulo 1, versículos 1 a 7).

O choque cultural foi muito grande. Por exemplo, os jovens foram pressionados a comer alimentos que lhes eram proibidos, de acordo com as regras do Velho Testamento, como carne de porco e frutos do mar (Daniel capítulo 1, versículos 8 a 16). Foram pressionados também a aceitar a divindade do rei Nabucodonosor, coisa que não poderiam fazer, pois a Bíblia ensina que só se pode prestar culto a Deus (Daniel capítulo 3, versículos 1 a 11). 

Daniel e seus amigos precisaram vencer um enorme desafio: encontrar meios e modos para continuar a exercer sua fé plenamente, mesmo vivendo num ambiente totalmente hostil. E eles foram enormemente pressionados – os amigos de Daniel chegaram a ser atirados numa fornalha, para serem queimados vivos (Daniel capítulo 3, versículos 12 a 27) e ele mesmo foi jogado numa cova cheia de leões, para ser despedaçado e devorado (Daniel capítulo 6, versículos 1 a 23).

A Bíblia conta que os rapazes não cederam e não comeram alimentos proibidos (limitaram-se a seguir uma dieta difícil, baseada apenas em frutas e legumes) e nunca adoraram ídolos pagãos. E Deus interveio a favor de Daniel e seus amigos, recompensando sua coragem e fidelidade. As vidas deles foram poupadas e eles puderam continuar a exercer sua fé, e ainda assim prosperaram (Daniel se tornou um alto funcionário do reino).

O ensinamento de Daniel
O livro de Daniel nos ensina como viver em meio a uma sociedade hostil à fé cristã. Naturalmente, não tenho espaço aqui para estudar todos os ensinamentos registrados nesse livro e vou me limitar aqui a falar de um ponto muito importante: a necessidade de construir uma identidade religiosa forte.

Daniel e seus amigos somente conseguiram resistir porque tinham esse tipo identidade. Conheciam bem as ideias nas quais acreditavam e tinham convicção forte delas, o que gerou neles compromisso real com sua crença. E foi essa base que lhes deu coragem e forças para resistir e fazer a coisa certa. 

Detalhando melhor o que acabei de comentar, tudo começa quando o ser humano estabelece uma relação forte e estreita com Deus. Para isso, é preciso que a pessoa conheça como Ele é e o que espera dela. E precisa conhecer ainda a si mesma (seus desejos, motivações, fraquezas, dúvidas, etc). A maior parte das postagens existentes aqui neste site trata justamente da relação entre Deus e o ser humano.

Depois, é preciso que a pessoa mantenha acesa a capacidade de não se conformar com a sociedade onde vive. Isso porque as sociedades humanas – não importa o quão rica e desenvolvidas sejam – são falhas, injustas e cheias de problema e sempre é possível torná-las melhor. 

Na década de 60 do século passado, uma mulher negra norte-americana, chamada Rosa Parks, não se conformou com o fato que os negros tinham que viajar nos piores lugares dos ônibus. E começou um boicote contra o transporte público que acabou gerando um grande movimento de protesto em prol da igualdade de direitos civis, mais tarde liderado pelo conhecido pastor Martin Luther King Jr. E esse movimento mudou a história dos Estados Unidos.

É mais fácil e cômodo achar que a forma como as coisas sempre foram feitas é a única maneira possível de seguir em frente. Mas, isso quase nunca é verdade. E foi isso que Jesus ensinou, quando não hesitou em violar os padrões de comportamento considerados adequados – interagiu com pecadores/as, pregou o perdão, defendeu os mais fracos, criticou os poderosos e assim por diante.

É o passo seguinte é construir e manter uma visão de mundo verdadeiramente cristã. Uma visão de mundo pautada nos princípios do amor a Deus e ao próximo. Cada ato de nossa vida precisa passar a ser avaliado segundo esses critérios. Os valores cristãos precisam tornar-se os “óculos” através dos quais interagimos com o mundo que nos cerca.

Tudo isso que eu acabei de falar gera convicção plena na pessoa que sua fé é verdadeira. E aí aparece o compromisso verdadeiro com essa fé.

Finalmente, convicção e compromisso, juntos, geram ação corajosa, como a de Daniel e seus amigos. Por sua vez, a ação corajosa começa pelo estabelecimento de fronteiras entre o que é aceitável e o que não é, quando fica evidente para quem está em volta onde esses limites estão – por exemplo, Daniel e seus amigos deixaram claro que não comeriam comida proibida e nem adorariam outros deuses.

Há muitos limites que qualquer cristão/ã vivendo no Brasil atual precisa estabelecer, como não participar de qualquer forma de corrupção, não se deixar controlar pelo apelo de consumir a qualquer custo, não apoiar medidas que prejudiquem as pessoas mais fracas e assim por diante. 

E, finalmente, é preciso ficar firme no caminho escolhido, apesar das pressões e/ou ameaças, confiando que Deus haverá de dar apoio e proteção nas horas necessárias, como Ele fez com Daniel e seus amigos.

Com carinho

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