E QUANDO O “SATISFATÓRIO” NÃO SATISFAZ?

0
9456

Temos o vício de procurar apenas o satisfatório, no lugar do que seria o ótimo. E o satisfatório pode não satisfazer. Eu me explico

Décadas atrás, o professor Herbert Simon – que ganhou o Prêmio Nobel de Economia por causa desse estudo – explicou que as empresas, na verdade, não procuram maximizar seus lucros, pois isso é muito difícil de fazer, pois há muitas variáveis a serem controladas. As organizações na prática procuram apenas obter um resultado que preencha as expectativas das pessoas (acionistas, analistas de mercado, etc), coisa que é muito mais simples de conseguir. Herbert Simon chamou esse comportamento de “satisfazer“. 

A postura de apenas satisfazer, porque conseguir obter o máximo é muito difícil, também é aplicada em vários campos da vida humana. Por exemplo, estudo publicado cerca de 5 anos atrás,  no livro “Marriage confidential” (“Casamento confidencial”), de Pamela Haag, indicou que a esmagadora maioria dos casamentos nos Estados Unidos se equilibra na faixa do satisfatório ou menos que isso. Esse estudo mostrou que, desde o início da relação as pessoas vão se acostumando em aceitar resultados mais modestos, mas mais fáceis de conseguir, e por causa disso frequentemente acabam presas em relacionamentos empobrecidos.

Aceitar o que parece possível e mais fácil de conseguir, ao invés de procurar obter o melhor, também ocorre na vida espiritual das pessoas. A maioria dos/as cristãos/ãs, logo depois de se converter, costuma dar alguns passos para aperfeiçoar suas práticas de vida, mas depois se acomoda numa zona de conforto. 

Tendo a salvação garantida (assim essas pessoas pensam) e já livres dos pecados considerados socialmente mais graves (roubar, embriagar-se, adulterar, etc), as pessoas imaginam já ter feito o suficiente. Sua fé já se tornou satisfatória.

Para que ir atrás do mais difícil, como ter um contato profundo com Deus, falar do Evangelho sempre que possível ou dedicar-se profundamente aos necessitados, se a fé já parece ser satisfatória? Ou mesmo livrar-se dos pecados de “estimação” – aqueles que parecem causar pouco mal e geram grande prazer -, como o consumo excessivo, falar mal da vida alheia, o vício do uso da Internet e outros mais? É mais fácil se acomodar.

Também é frequente a acomodação daqueles/as que, com medo de não estar à altura das tarefas que Deus lhes pede, acabam se encolhendo e nunca desafiam a própria fé – há atém quem tente se esconder de Deus, como o profeta Jonas (aquele que foi engolido pelo peixe).

Ao se acomodar, a maioria dos/as cristãos/ãs deixa de viver experiências espirituais fantásticas, como conversões que parecem impossíveis, curas, o resgate de necessitados/as e assim por diante. Nunca provam do melhor que Deus tem para dar.

Posso garantir a você que Deus não concorda com essa postura “morna”. Ele espera muito mais de nós – espera que cada um/a dê o máximo de si na sua vida espiritual, que cada um/a busque preencher todo o seu potencial espiritual. 

E é fácil provar isso. Repare que o primeiro dentre os dois grandes mandamentos é amar a Deus sobre todas as coisas, de toda a alma e entendimento (Mateus capítulo 22, versículo 37). Ora, isso é buscar o melhor possível e nunca apenas o satisfatório. A mesma exigência pode ser percebida no segundo grande mandamento (aquele relacionado com amor ao próximo), onde Deus também pede de nós o melhor, ao estabelecer que o amor ao próximo deve ser igual ao amor que a pessoa tem por si mesma. 

No livro do Apocalipse, Cristo apareceu numa visão a João e mandou um recado para sete igrejas localizadas na Ásia Menor. Ao se dirigir à igreja de Laodiceia, Jesus a acusou de ser morna e disse que iria “vomitá-la” da sua boca (Apocalipse capítulo 4, versículos 14 a 16). Isto é, Jesus não se conforma com uma postura “morna”, apenas satisfatória, e se desagrada com quem age assim.

Os/as “mornos/as” numa igreja são aquelas pessoas que estão por ali meio como “zumbis” espirituais – parecem vivas, mas na verdade estão mortas por dentro. Esperam pouco e se contentam com menos ainda. Entram e saem, mas nunca deixam sua marca na obra de Deus.

O fato é que Deus deseja ter uma relação especial com você, não tenha dúvida disso. Uma relação onde você consiga preencher todo o seu potencial espiritual. Onde você faça o melhor e não apenas o satisfatório. 

Pode ter certeza que Ele quer fazer coisas extraordinárias por você e através de você. A Bíblia explica isso muitas vezes. Só depende que você deixe sua zona de conforto e se abra para Ele entrar e atuar de fato na sua vida. 

Com carinho

Deixe um comentário

avatar
  Subscribe  
Notify of