E QUANDO DECEPCIONAMOS OS OUTROS…

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Ninguém gosta de decepcionar as outras pessoas. E quando percebemos ter causado algum tipo de decepção e pensamos não termos feito nada de errado, ficamos tristes, nos sentimos injustiçados e assim por diante.

Jesus passou por duas grandes crises pessoais ao longo dos trinta e poucos anos de sua vida. Uma delas teve a ver com sua família e a outra com seus seguidores. Ambas causaram ferimentos emocionais em Jesus, conforme podemos depreender da leitura da Bíblia. E nas duas vezes Jesus decepcionou pessoas que eram importantes para Ele, embora nada tivesse feito de errado.

O que aconteceu com Jesus não é muito diferente do que pode vir a acontecer (ou está acontecendo) comigo ou com você. Daí a importância de estudar o que aconteceu com Jesus, para podermos tirar ensinamentos valiosos para nossas vidas.

Os papéis que desempenhamos na sociedade
Mas antes de tudo, preciso falar sobre o conceito de “papéis” desempenhados por determinada pessoa dentro da sociedade onde vive. 
Todos desempenhamos vários papéis: pai ou mãe, filho ou filha, funcionário ou funcionária, amigo ou amiga, chefe, etc. E passamos a vida tentando conciliar os compromissos que esses papéis geram, ora dando mais atenção a um papel ora a outro. Por exemplo, tem horas que as exigências do papel de “funcionário” pesam mais do que o de “pai” e aí a pessoa deixa de estar com seus filhos para atender as demandas do seu emprego. E isso é absolutamente natural, acontece com todo mundo. 
Crises relacionadas com um ou mais dos papéis desempenhados podem gerar problemas sérios, impactando toda a vida da pessoa. Por exemplo,  se as demandas do emprego sempre estão na frente dos filhos, há algo de errado com essa pessoa e a família dela vai sofrer. Outro exemplo: uma mãe em crise com sua filha adolescente (que acha já ser adulta e quer tomar suas decisões sozinha) pode gerar enorme problemas e acabar impactando o desempenho dessa mãe no seu trabalho. Outro exemplo ainda: uma funcionária que falta a todo momento para atender as necessidades dos filhos vai acabar ficando desempregada.
Os papéis vividos por qualquer pessoa estão sempre mudando ao longo da sua vida. Por exemplo, eu não posso ser hoje o mesmo pai que já fui, pois meus filhos ficaram adultos. Precisei mudar a minha forma de me relacionar com eles.
E comum também que novos papéis vão sendo acrescentados. Por exemplo, quando um homem se casa, ele agrega o papel de “esposo” à sua vida. O mesmo vai acontecer quando tiver filhos, pois vai agregar o papel de “pai”. Mas há também papéis que desaparecem – por exemplo, meus pais morreram e eu deixei de ser “filho”. 
As crises relacionadas com expectativas erradas
Esse tipo de crise aparece quando as pessoas, por algum motivo, criam expectativas muito diferentes da sua em relação a um papel que você desempenha. E cria-se um abismo entre essa expectativa e o seu pensamento quanto à melhor forma de desempenhar esse papel. 
Por exemplo, imagine que seus pais tenham expectativas sobre qual deveria ser seu marido (ou esposa). E aí você apresenta para eles uma pessoa com perfil completamente diferente daquele que eles esperavam. provavelmente haverá uma crise (pois seus pais não vão aprovar a relação) e você causará decepção neles. Isso é muito comum.
De igual forma, se os frequentadores de uma igreja tiverem uma percepção muito diferente do seu pastor quanto à forma correta de tocar a comunidade, pode acabar havendo uma ruptura no relacionamento. E as pessoas acabarão profundamente decepcionadas com seu pastor. Eu já vi isso acontecer várias vezes.
As crises pelas quais Jesus passou
Jesus passou por duas crises geradas pelas diferenças de expectativas entre o que as pessoas pensavam e o que Ele entendia ser o certo a fazer. Isso aconteceu em relação a dois papéis cruciais na sua vida, um deles relacionado com sua família e outro com seu ministério. Vamos começar discutindo a crise familiar.
Jesus era o filho mais velho e, assim, todos os seus familiares e amigos próximos entendiam caber a Ele cuidar da sua família depois da morte do pai (José). E Jesus fez isso por bom tempo – segundo a Bíblia, até mais ou menos os 30 anos. 
Mas a partir daí, seu ministério na obra de Deus passou a ter prioridade e Ele deixou tudo para trás. É óbvio que sua família não se conformou e tentou trazê-lo de volta de todas as formas. Chegaram até a alegar que Jesus estava meio louco e por isso tinha deixado a família para trás. Isso gerou uma grande tensão familiar. Tanto assim que, quando sua família chegava num lugar onde Jesus estava e Ele ficava sabendo disso, Jesus afirmava que sua família verdadeira era composta por aqueles que o seguiam (Mateus capítulo 12, versículos 46 a 50). 
Não há dúvida que os familiares de Jesus ficaram muito decepcionados com Ele e devem ter se sentido abandonados e deixados para trás. É claro que Jesus não poderia ter agido de outra forma, pois tinha uma importante missão a cumprir na obra de Deus, mas seus familiares ficaram decepcionados mesmo assim.
A outra crise que Jesus enfrentou teve a ver com seu ministério. A sociedade judaica esperava havia séculos a chegada do Messias, um líder militar que viria libertá-la do jugo dos dominadores que, sucessivamente, iam se revezando na tarefa de oprimi-la. No tempo de Jesus, os Romanos eram os opressores dos judeus. 
Jesus começou a ser reconhecido por alguns judeus como o Messias tão esperado – por exemplo, no Domingo de Ramos, quando Ele entrou em Jerusalém saudado por todos. Aí as pessoas passaram a esperar que Ele se comportasse segundo suas expectativas. Mas, Jesus preencheu o papel de Messias de forma totalmente diferente. 
Ele veio para libertar o povo do pecado, dar às pessoas acesso à salvação e inaugurar a chegada do Reino de Deus na terra. Por causa disso, muitos dos seus seguidores se decepcionaram com Ele e o abandonaram (João capítulo 6, versículos 60 a 66). E alguns, como Judas Iscariotes, até se voltaram contra Ele. 
Jesus não poderia ter agido de forma de diferente. Logo, o erro não estava nele mesmo e sim nas expectativas que as pessoas tinham do seu papel como Messias. E a decepção das pessoas foi inevitável.
O ensinamento que deve ser tirado
Todo mundo vive crises de papéis geradas pelas expectativas das pessoas. Mas ainda assim essas crises são dolorosas – Jesus sofreu muito com os dois casos que citei, embora sem ter tido qualquer culpa.
O que então você deve fazer quando passar por esse tipo de problemaComece por identificar a origem da diferença de expectativas. Em outras palavras, entenda por que as pessoas esperam de você algo diferente do que você entende ser o certo a fazer.  
Se a diferença de ponto de vista for fruto de um erro de posicionamento seu, a Bíblia ensina que você deve ter humildade, reconhecer seu erro e mudar. Passar a atuar de outra forma.
Mas há outra possibilidade: a diferença de expectativas pode dever-se a percepções erradas de quem está à sua volta, como aconteceu com Jesus. Lembro-me do caso de uma mulher que se converteu a Jesus e o marido não. Aquele homem era machista e esperava que a mulher estivesse sempre à sua disposição.
E como a esposa passou a ir à igreja aos domingos pela manhã, o marido ficou ressentido e começou a reclamar e fazer ameças. Suas reclamações encontraram apoio junto ao seu sogro e sua sogra, preocupados que a filha viesse a perder um bom marido. E a pobre mulher acabou pressionada de todos os lados, o que gerou muito sofrimento para ela.
Em segundo lugar, quando você enfrentar uma situação em que as pessoas esperem de você aquilo que não for justo, é preciso seguir o exemplo de Jesus. Fazer o que é certo e confiar que Deus haverá de mudar as circunstâncias que atrapalham sua vida – é claro que você vai precisar orar muito a esse respeito.
Por isso Jesus não mudou seu ministério para torná-lo mais adequado ao gosto dos judeus daquela época. Da mesma forma, não mudou por conta das pressões da sua família. Persistiu no seu caminho. E o mesmo fez a esposa do exemplo que dei acima – ela resistiu a todas as pressões, até que o marido também se converteu e mudou.
Portanto, não mude sua vida apenas para satisfazer as opiniões e as pressões de quem estiver à sua volta. É claro que isso tem um preço, pois, como comentei acima, decepcionar as pessoas gera desconforto. E isso é especialmente difícil de enfrentar quando decepcionamos pessoas de quem gostamos. Mas mudar apenas para ficar bem com os outros é ainda pior. 
Fique firme e peça ajuda a Deus para suportar as pressões. Resista e pode ter certeza que a vontade de Deus na sua vida vai prevalecer, sempre.
Com carinho 

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