É PECADO TER DÚVIDAS?

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Quem tem dúvidas em questões relacionadas com sua fé cristã está em pecado? Já ouvi muita gente dentro das igrejas dizer que sim, que o(a) cristão(ã) nunca pode fraquejar na sua fé. Não deve ter dúvidas. A fé cristã precisa ser firme como uma rocha.

Penso que isso não é verdade: a fé saudável normalmente produz dúvidas. O pastor Tim Keller, um dos grandes defensores da fé cristã hoje em dia, concorda plenamente com essa tese. Veja o que ele escreveu no livro “The Reason for God” (ainda não traduzido para o português):

A fé sem ter algumas dúvidas é como o corpo humano sem ter anticorpos… A fé de uma pessoa pode entrar em colapso da noite para o dia se ela deixar, ao longo dos anos, de ouvir pacientemente suas próprias dúvidas, que somente devem ser descartadas depois de longa reflexão…

O conhecido teólogo cristão Samuel Rothenberg resumiu essa ideia numa frase bem curta que diz tudo: um cristão sincero é composto de muitas perguntas.

Eu penso que o ato de ter dúvidas é parte obrigatória do processo de crescimento na fé cristã. Quem cresce na fé, acaba por se fazer perguntas para as quais não consegue encontrar respostas imediatas.

É claro que o(a) cristão(ã) não pode ficar marcando passo, sempre com as mesmas dúvidas. Ficar no mesmo lugar é indicação que o crescimento espiritual parou, que a pessoa estagnou na sua fé. É preciso superar as dúvidas existentes.

E saber que novas dúvidas vão surgir, em lugar daquelas já superadas, pois se trata de um processo que nunca acaba. Há sempre mais a saber e coisas a esclarecer.

Agora, muitas vezes fica difícil para o(a) cristão(ã) demonstrar suas dúvidas abertamente porque muitas igrejas não dão chance para isso. Quem deixa perceber ter algum tipo de dúvida passa a ser olhado(a) pela comunidade da fé com desconfiança e muitas vezes é até obrigado(a) a passar por “reeducação” espiritual. Conheço vários casos desse tipo.

Quem vive em igrejas que somente admitem fiéis com fé inabalável, “firmes como uma rocha”, acabam dando espaço para a hipocrisia e adoecimento espiritual. Igrejas desse tipo são muito perigosas e devem ser evitadas, pois fazem mal espiritualmente.

A Bíblia conta que diversos “gigantes da fé” também tiveram seus momentos de dúvidas. E acho que três exemplos bastam para demonstrar o que acabei de falar. O primeiro deles é o apostolo Tomé, que pediu para colocar as mãos nas chagas de Jesus (já ressuscitado) para conseguir acreditar no milagre da ressurreição (João, capítulo 20, versículos 24 e 25). E Tomé não foi rejeitado por Jesus por isso. Pelo contrário, Jesus deixou que ele inspecionasse seu corpo.

Elias, foi um grande profeta, cuja história está relatada no Velho Testamento. Depois de enfrentar sozinho 400 profetas do Deus pagão Baal e ser ameaçado de morte pela rainha Jezebel, sentiu-se fraco espiritualmente, duvidou e teve que ser socorrido por Deus (1 Reis, capítulo 19, versículos 3 a 8).

João Batista, o homem que veio preparar o caminho para Jesus, teve dúvidas quando estava preso: não sabia se Jesus era mesmo o Messias (Lucas capítulo 7, versículos 18 a 23).

Portanto, não tenha medo de discutir abertamente suas dúvidas. A própria Bíblia nos incentiva a fazer isso (1 Pedro capítulo 3, versículo 15). Encontre alguém para discuti-las com você, mas se precisar de mais ajuda, escreva para cá – se eu souber, terei prazer em dar a resposta.

Finalmente, nunca se esqueça que não será possível entender tudo o que se refere ao mundo espiritual. Os planos de Deus são simplesmente complexos demais.

E é preciso aceitar essa realidade e quando você se deparar com uma dúvida que não consiga superar, ande pela fé, como o apóstolo Paulo ensinou (2 Corintios capítulo 5, versículo 7). E a própria experiência espiritual com Deus acabará por comprovar o acerto dessa decisão.

Com carinho

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