BENÇÃO NÃO É RECOMPENSA

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É muito comum que cristãos(ãs) confundam benção com recompensa e, quando fazem isso, geram problemas sérios para sua própria vida espiritual.  

Por definição, benção é algo que a pessoa recebe sem ter tido qualquer merecimento. Bençãos, portanto, são sempre fruto da Graça que Deus. Os melhores exemplos de bençãos são a própria vida e a salvação.

A minha vida não foi criada pelos meus pais – ela me foi dada por Deus e, como eu não existia ainda, quando recebi o dom da vida, não tive qualquer mérito nesse processo. Recebi a vida de graça, portanto, trata-se de uma benção.

A salvação chega até o ser humano através do sacrifício de Jesus na cruz, não pelas boas obras que vier a fazer. De cada pessoa, só é exigido aceitar Jesus como seu Salvador e reconhecer que precisa d´Ele. Só isso. Portanto, aí está outro exemplo de benção. 

Agora, todos nós já somos continuamente abençoados de outras formas: a saúde de que gozamos, um emprego que parece ter caído do céu, uma pessoa que foi colocada em nosso caminho para nos ajudar em momento difícil e assim por diante. 

Deus é muito generoso e sua Graça está sempre presente nas nossas vidas de diversas formas. Somos continuamente abençoados e muitas vezes nem percebemos que o que recebemos d´Ele – por exemplo, costumamos valorizar a benção da saúde somente quando a doença chega… 

Recompensa é diferente: decorre de alguma ação que merece reconhecimento. É como um prêmio: se eu venço uma corrida, devo receber algo como reconhecimento pelo desempenho que tive. Um bônus que meu empregador vier a me dar, por conta dos bons resultados que alcancei, é um excelente exemplo de recompensa. Como também é uma recompensa alcançar uma boa forma física pelo fato de me exercitar constantemente e levar uma vida saudável. 

Deus também pode nos dar recompensas: por exemplo, Jesus prometeu que ninguém que abandonasse sua família e seu conforto para segui-lo, deixaria de receber seu prêmio (Mateus capítulo 19, versículo 29). E há muitas outras promessas de prêmios (na linguagem bíblica, “galardões”) decorrentes das nossas boas ações.

No caso da recompensa, portanto, há uma causa (a boa ação) e um efeito (o prêmio) que inclusive devem ser proporcionais. Quanto mais difícil tiver sido a boa ação, maior deve ser a recompensa fruto dela. Por exemplo, na vida militar, as ações corajosas são sempre premiadas. E de forma crescente,  começando com um simples elogio em público, diante de toda a tropa formada, e culminando com uma medalha por bravura entregue pelo Presidente da República, depois de aprovada pelo Congresso Nacional.

Já não há necessidade de haver qualquer proporcionalidade na benção, pois não houve causa (ação) que justificasse o benefício recebido. Portanto, não se pode nunca dizer que determinada benção foi injusta ou desproporcional, simplesmente porque não houve merecimento prévio (caso contrário não seria benção).

Infelizmente, para muitos(as) cristãos(ãs) essa diferença entre benção e recompensa não é muito clara. Eles(as) pensam mais ou menos assim: “eu sigo Jesus, dou meu dízimo, não mato, não furto, faço algumas boas ações, logo mereço as bênçãos de Deus”. Tal tipo de pensamento é extremamente comum nas igrejas evangélicas. 

O problema é que quando esse tipo de percepção, que confunde benção com recompensa, se torna predominante, aparecem inúmeras distorções no comportamento espiritual das pessoas.

Por exemplo, imagina-se que quem está mais perto de Deus também é mais abençoado(a) por Ele – era esse o pensamento que prevalecia entre os fariseus, no tempo de Jesus, e que foi muito criticado por Ele. Ora, se benção é presente de Deus, ela não é indicação do mérito da pessoa junto a Ele – uma coisa nada tem a ver com a outra.

Outra distorção frequente é a inveja da benção dada a outra pessoa (e não a mim). Ora, não posso e não devo olhar para o lado e sentir inveja do que foi dada por Deus a outra pessoa. E muito menos questioná-lo porque alguém parece estar recebendo d´Ele mais do que merece (aos meus olhos).

Se não há merecimento naquilo que Deus dá a título de benção, não há porque cobrar d´Ele “justiça” nos presentes que distribui. Deus dá como quiser, quando desejar e da forma que entender ser a melhor e não nos cabe o direito de fazer qualquer crítica. 

E quando há insatisfação por aquilo que eu recebi, quando comparado à situação de outra pessoa, que pareça ter sido mais abençoada, eu entro no território perigoso da ingratidão. Afinal, como vou conseguir agradecer de todo o meu coração o que tiver recebido de Deus, se acho que houve algum tipo de injustiça por par.te d´Ele?

Cuidado para não confundir o que lhe chegou às mãos gratuitamente – as bençãos de Deus -, com aquilo que você conquistou pelo seu esforço – o seu mérito. As bençãos de Deus são fruto exclusivo do seu amor, da sua Graça que, como diz a Bíblia, se renova miraculosamente a cada manhã. 

Se você confundir benção com recompensa, irá cobrar de Deus coisas que Ele não tem obrigação de fazer, acabando insatisfeito(a). Poderá ainda ser tentado a “negociar” coisas com Ele – “eu faço isso e em troca o Senhor faz aquilo…”

Também correrá o risco de olhar para o lado e entender que há pessoas mais agraciadas do que você, o que lhe impedirá de ser verdadeiramente grato(a) pelos dádivas recebidas. E há poucas coisas que desagradam tanto a Deus como a ingratidão…. 

Com carinho  

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Sueleni MariaAnônimo Recent comment authors
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Sueleni Maria
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Sueleni Maria

Foi muito edificante,encontrei a resposta que eu queria,Deus continue a te inspirar.

Anônimo
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Anônimo

Uau! que isso, mano! quanta percepção! quantas revelações! muita vida e verdade em seu texto! que a Graça de Deus cresça cada vez em sua percepção!