DEIXANDO-SE ENGANAR

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Às vezes há uma tempestade claramente se formando diante dos olhos da pessoa, mas ela se recusa a ver o que está acontecendo na sua vida. Simplesmente não quer acreditar que algum mal pode acontecer com ela.

E quando o mal se materializa, a pessoa se defende afirmando que não teve culpa, pois foi enganada. Na verdade, ela não percebe ter ajudado, até inconscientemente, a criar as condições para que aquela coisa ruim acontecesse na sua vida. 

Por descuido, ou teimosia, ou orgulho (recusando-se a ouvir conselhos), enfim por algum motivo, a própria pessoa contribuiu para o mal que lhe sobreveio. Usando a linguagem bíblica, ela “plantou vento” sem perceber e se surpreendeu ao “colher tempestade“.

Minha avó materna tinha uma empregada, moça correta e trabalhadora, que sempre escolhia os piores namorados e acabava sempre se tornando vítima deles. Era tiro e queda: aparecia com um novo namorado e afirmava que daquela vez seria diferente, e sempre acabava vítima de novo.

Os sinais ruins estavam lá, em cada relacionamento que construía, mas aquela moça sempre se recusava a percebê-los e assim repetia sua tragédia. 

É isso que me vem à mente quando analiso o caso mias recente de escândalo no meio evangélico: conhecida cantora acusou seu segundo marido de praticar pedofilia com o filho pequeno dela, fruto de casamento anterior. Ora, ouvindo os depoimentos de diversas pessoas próximas dela e lendo entrevistas anteriores do casal, os sinais de que havia algo errado estavam bem claros e a cantora não quis ver. E hoje tenta se justificar, dizendo ter sido enganada, quando na verdade deixou-se enganar – mesmo sem querer contribuiu para o mal que a acometeu. 

Não falo isso com alegria, pois sei que essa mãe está sofrendo. É importante deixar claro que isso não diminui em nada o ato terrível do marido dessa moça, ao vitimar uma criança inocente O erro da mãe – recusar-se a ver a verdade na frente dela – em nada desculpa o erro do marido. São coisas separadas.

E a maior prova que o erro da mãe existiu foi que no início do seu segundo casamento, ela declarou alto e bom som que seu novo marido era o homem que Deus tinha separado para ela. E como Deus não erra, está claro que quem errou foi a cantora.

Na ânsia de legitimar essa segunda relação, atribuiu a Deus uma escolha que certamente não tinha sido abençoada por Ele, um erro espiritual muito importante. A cantora quis acreditar que seu segundo marido era o companheiro tão esperado e fechou os olhos para os sinais de que havia algo errado. Hoje quer acreditar – em novo auto-engano – que foi só uma vítima, o que evidentemente não é verdade.

Há um caso muito interessante na Bíblia que trata dessa questão. Aconteceu com Isaque, filho de Abraão. Ele e Rebeca, sua mulher, tinham dois filhos: Esaú, o mais velho e o preferido do pai, e Jacó, o protegido da mãe. A rivalidade entre os rapazes sempre foi intensa, fato estimulado pela preferencia escandalosa dos pais por um ou outro dos filhos.

Quando Isaque estava no fim da sua vida, cabia a ele passar para um dos filhos a  unção relacionada com a Promessa feita por Deus a Abraão, tornando-o o líder da família. A Bíblia conta que Jacó, ajudado pela mãe, disfarçou-se para ficar semelhante ao irmão, enganou o pai, que enxergava muito mal, e roubou a benção destinada a Esaú.

Ora, Isaque sabia da rivalidade entre os filhos e certamente tinha noção que Jacó iria tentar algum ato desesperado para ficar com a unção, já que era notória a preferencia do pai por Esaú, candidato natural do pai. O relato do momento quando Isaque foi enganado, deixa claro que o estratagema usado foi pobre e  o pai desconfiou do disfarce de Jacó (Gênesis capítulo 27).

Mas ainda assim Isaque deu a Jacó a benção reservada ao irmão. Não há dúvida que Isaque foi enganado porque quis: bem no seu íntimo queria mesmo ser iludido. Talvez quisesse dar a benção para Jacó e lhe faltasse coragem para desapontar Esaú e a trama toda lhe deu a desculpa de que precisava para ficar em paz com sua consciência.

É preciso que as pessoas aprendam a perceber quando contribuem, até sem querer, para o mal que as acomete. E se não fizerem isso, vão acabar repetindo situações ruins, como acontecia com a empregada da minha avó e seus sucessivos namorados.

Concluindo, sua vida tem sido uma repetição de situações ruins, parecidas umas com as outras? Você sempre se pega dizendo que foi enganado(a), que acredita demais nas outras pessoas? Procure avaliar se você mesmo(a) não vem contribuindo para o mal que acomete sua vida. 

Com carinho

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