CUIDADO COM O ABUSO DA BÍBLIA

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Tem gente que comete abuso com o texto da Bíblia. E isso é coisa muito séria porque a Bíblia é a Palavra de Deus e nosso preceito de vida. É ela que nos ensina sobre a vontade de Deus e as consequências dos nossos atos.

O texto da Bíblia não tem erros, por ser a Palavra de Deus, e assim pode ter toda a nossa confiança. Essa é uma verdade conhecida. Mas, a mesmo confiança não pode ser garantida quanto às interpretações feitas a partir do texto bíblico. Essas interpretações são humanas e, portanto, passíveis de erros.

Interpretações erradas, mesmo quando não tenham sido construídas de propósito, acabam sendo uma forma de “abuso” da Bíblia. Afinal, quando alguém consegue convencer outras pessoas a aceitar ideias erradas, apoiando essas ideias erradas na Bíblia, as consequências costumam ser muito sérias. 

Os abusos da Bíblia são bem mais comuns do que você possa pensar à primeira vista. Um bom exemplo desse tipo de coisa é o ensinamento que Deus quer nos ver prósperos, bastando, para que isso aconteça, ter fé e fazer grandes contribuições a determinadas igrejas. Outro exemplo de abuso é a imposição de controles indevidos sobre o comportamento das pessoas para “impedi-las” de pecar. Aí vale proibir todo tipo de música que não seja gospel, vestir-se de determinada forma, ver determinados filmes e programas de televisão, conviver com pessoas não convertidas e assim por diante.

Muitas vezes, por causa desses abusos ao texto bíblico, pessoas são convencidas a carregar culpas que não deveriam ter. Este site mesmo é testemunha dos depoimentos de inúmeras pessoas que sofreram com esse tipo de situação.

Abusos bíblicos podem nascer tanto de erros sinceros, como também de interesses desonestos. É claro que o resultado final de um erro sincero ou de um abuso desonesto pode ser igualmente grave, mas, aos olhos de Deus, certamente existem diferenças entre esses dois casos. E, se não fosse assim, não me atreveria a escrever neste site, pois, certamente, em meio a mais de 700 textos, já cometi erros sinceros. E não há como evitar isso, pois seres humanos são imperfeitos e limitados. 

Mas, quem erra de forma sincera nunca pode se esquivar de consertar seus erros, assim que se der conta deles. É preciso ser humilde. E, sobretudo, tomar cuidado para nunca se beneficiar pessoalmente dos próprios erros.

Agora, quem abusa conscientemente da Bíblia, costuma fazer isso para tentar usá-la para obter algum benefício ou concorrer para alguma agenda pré-estabelecida. E a própria Bíblia alerta que haverá grande rigor no julgamento final para quem cometer esse tipo de pecado (Mateus capítulo 23, versículos 1 a 8).

A experiência mostra que há três tipos de abuso consciente da Bíblia:

O contrabando de ensinamentos
Afirmar que a Bíblia fala coisas que não estão no texto bíblico. Por isso sempre que peço à pessoa que fez uma afirmação sobre tema que desconheço para mostrar onde a Bíblia dá suporte para aquela ideia. Não tenho prazer de dizer isso, mas já vi muita gente embaraçada por causa desse expediente bem simples.

Os contrabandos variam quanto ao nível de periculosidade. Alguns são tão grosseiros que são mais fáceis de identificar – por exemplo, afirmar que a voz do povo é igual à voz de Deus. Para provar que isso não é verdade, basta lembrar que o povo judeu em Jerusalém preferiu que Pilatos soltasse Barrabás no lugar de Jesus.

Mas, há abusos que embutem armadilhas sutis, pois parecem se encaixar no quadro bíblico, mas são “comida envenenada”. Por exemplo, afirmar que todos os seres humanos são filhos de Deus. Ora, a Bíblia diz que todos somos criaturas de Deus, mas somente quem aceita Jesus torna-se filho/a de verdade.

Não é fácil para quem tenha pouco conhecimento da Bíblia separar o joio do trigo, quando alguém faz uma afirmação desse tipo. Por isso recomendo que você, quando preciso, procure ajuda de quem alguma pessoa em quem confie e que saiba mais sobre a Bíblia.

Eliminação do que incomoda
A segunda forma de abusar da Bíblia é deixar de reconhecer como válidas ensinamentos reais mas que são incômodos. As estratégias mais conhecidas para fazer isso são: atribuir o ensinamento indesejado a um erro de tradução; ou alegar que o ensinamento não se aplica aos dias de hoje; ou ainda simplesmente omitir o ensinamento incômodo.

É claro que há erros de tradução. Um exemplo conhecido é aquele em que a tradução tradicional diz que pessoas, no tempo de Gideão, adoraram uma estola sacerdotal (Juízes capítulo 8, versículo 27). Esse é um erro de tradução pois, na verdade, trata-se da adoração a um ídolo vestido com roupa, o que faz muito mais sentido no texto.

Erros de tradução são muito fáceis de perceber quando se usa traduções de origens diferentes, bastando comparar as diferentes versões.

É verdade que existem sim ensinamentos que não se aplicam mais aos dias de hoje, como as referencias a trajes especiais ou hábitos alimentares. Mas, é preciso muito cuidado ao alegar esse tipo de coisa. Um bom exemplo é a questão do dízimo, que muitos defendem não ser mais necessário. Ora, se fosse assim, como então igrejas e sacerdotes iriam ser mantidos?

A omissão pura e simples é fácil de perceber pois basta checar o que foi dito em comparação com o texto bíblico. Você deve sempre tomar a precaução de fazer tal comparação. E é por isso eu procuro quase sempre citar o versículo bíblico de onde tirei a firmação que acabei de fazer num dos meus textos.

Ma,s há uma situação particularmente grave de omissão. Ela ocorre quando as Bíblias dadas aos fiéis são expurgadas daquilo que não interessa. O exemplo clássico é a Bíblia publicada pela Sociedade Torre de Vigia, entidade da seita Testemunhas de Jeová, que amputa vários versículos do texto original sem fazer referência a isso.

Desconsideração do contexto
A forma de abuso mais comum e também a mais efetiva: tirar o ensinamento bíblico do contexto. Isto é, usar o que foi dito numa determinada circunstância para dar suporte a circunstância totalmente diferente, onde o ensinamento não mais se aplica.

Um bom exemplo é o uso do texto de Gênesis capítulo 3, versículo 19, onde Deus disse a Adão “no suor do seu rosto , comerás o teu pão…” para justificar a proibição de jogos de azar. Ora, esse texto aparece quando Deus amaldiçoou a Adão, porque ele e Eva tinham sido desobedientes. Deus quis dizer que não iria mais dar a Adão e Eva seu sustento, como até então tinha acontecido no Jardim do Éden. Eles iriam precisar trabalhar para se sustentar. Ora, isso nada tem a ver com jogos de azar. Nada mesmo.

Não estou dizendo que apoio os jogos de azar, mas sim que não é possível ir contra eles com base nessa passagem. É preciso buscar outro tipo de suporte.

Palavras finais
Esteja sempre atento(a) ao uso que é feito da Bíblia, especialmente quando as pessoas tentarem convencer você de alguma coisa, recomendar algum tipo de comportamento ou pedir sua ajuda com base em alguma passagem bíblica.
Nunca tenha vergonha de sempre conferir o que foi afirmado. Afinal, é até sua obrigação agir assim. 

Com carinho

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