CONVICÇÃO OU DESEJO?

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Convicção ou desejo, o que costuma pesar mais na sua vida? A verdade é que essas duas coisas costumam determinar o caminho das pessoas. 

As convicções são baseadas naquilo que a pessoa acredita, ou seja, nas suas crenças verdadeiras. Por exemplo, as convicções políticas e religiosas costumam ser muito fortes. 

Convicções contribuem fortemente para definir o caminho de uma pessoa na vida porque ajudam a modelar seus objetivos e estabelecer sua noção de certo e errado que ela segue. Por exemplo, ao se tornar cristã, a pessoa adquire uma série de convicções, tais como, Jesus é o Filho de Deus e morreu na cruz para nos salvar. Isso significa que os ensinamentos de Jesus precisam ser obedecidos, pois emanam do próprio Deus. 

Os desejos têm a ver com aquilo que a pessoa acha que precisa e/ou quer. Desejos podem ter origem física (comida, abrigo ou sexo) ou serem gerados pelo ambiente social (p. ex. consumir ou ter posição social).

Os desejos também contribuem para modelar objetivos de vida da pessoa e influenciam boa parte das sua ações. Por exemplo, o desejo de ter sucesso poderá fazer com que a pessoa coloque suas atividades profissionais antes de qualquer outra coisa, acabando por negligenciar a própria família. Ou ainda pior, deixe de lado sua consciência e embarque em atos de corrupção.

Convicções e desejos, operando em conjunto, acabam por definir onde a pessoa investe seu tempo, o que faz na vida prática e até a medida pela qual se auto-avalia, como alguém que teve, ou não, sucesso. 

Mas, existe uma tensão permanente entre convicções e desejos, pois quase sempre eles apontam para direções diferentes. Por exemplo, a necessidade de ter dinheiro e  poder pode empurrar a pessoa para o egoísmo, enquanto sua fé cristã vai lhe dizer para amar ao próximo e perdoar.

Por causa dessa divergência desejos e convicções frequentemente entram em choque pois não podem ser satisfeitos em igual medida. Assim, torna-se necessário fazer escolhas dolorosas: ou bem a pessoa segue suas convicções, e deixa de lado seus desejos, ou faz o contrário.

Por exemplo, um cristão não pode se entregar livremente às suas vontades sexuais, pois há limites morais que ele precisa respeitar, caso queira seguir os ensinamentos da Bíblia. O mesmo pode ser dito do desejo de ter poder, da vontade de consumir e tantas outras coisas. A vida do cristão significa que sua fé sempre vai lhe impor limites aos próprios desejos. 

Para a Bíblia as convicções cristãs sempre devem vir na frente dos desejos da pessoa. E também não deixa dúvida que a pessoa precisará fazer sacrifícios para viver uma vida plenamente cristã. Por isso Jesus alertou que o caminho para a salvação é estreito e difícil, enquanto a estrada para a perdição é larga e fácil. Em outras palavras, é sempre mais fácil e gostoso deixar-se levar pelos desejos, satisfazendo as próprias vontades, sejam elas quais forem. 

O desafio diante do cristão não é simples pois a natureza humana empurra a pessoa para satisfazer seus desejos, enquanto o Espírito Santo lhe sopra no ouvido e a incentiva a privilegiar suas convicções cristãs. É uma luta diária: a pessoa vence num dia e perde no outro. E quando perde, ela precisa se arrepender, ser perdoada por Deus e voltar a lutar.  

O grande risco nessa luta se materializa quando a pessoa se deixa auto-enganar e de alguma forma “cala” a sua consciência. Aí ela passa a encontrar o que lhe parecem ser “boas” desculpas para tudo aquilo que ela faz ou deixa de fazer. Por exemplo, a pessoa se convence que é boa, pois não comete crimes graves, como matar ou roubar, e passa a se balizar pela maioria dos seus desejos, achando-os justos e/ou aceitáveis. Ela acha que aquilo que é errado não é tão sério assim ou então que só vai fazer a coisa errada por pouco tempo e depois vai voltar ao normal. 

Quem age assim acaba sendo levado pelos seus desejos e vai deixando suas convicções cristãs pouco a pouco para trás. Vai calando sua consciência aos poucos. É assim que a pessoa se deixa dominar pouco a pouco pelo egoísmo, pela indiferença quanto ao sofrimento do próximo, pela falta de comprometimento com a obra de Deus e assim por diante.

Acho que todo mundo – e eu me incluo nesse rol – já fez ou faz isso em alguma medida. Esse é um comportamento bem humano. E quanto mais a pessoa fizer isso, mais vai se deixando dominar pelos próprios desejos e se afastando de Deus.

Há um fato histórico que exemplifica bem o dilema entre convicção e desejo. O rei Henrique VIII – aquele que teve seis mulheres e mandou matar várias delas – tinha um grande amigo de juventude, Thomas Becket. Como era amigo do rei, Becket ocupou vários cargos importantes, até ser nomeado Arcebispo de Canterbury (o cargo mais importante na igreja da Inglaterra). 

Quando Henrique quis se divorciar de sua esposa (Catarina) para se casar com uma mulher muito mais jovem (Ana Bolena), precisou anular o casamento anterior, pois na época não havia divórcio. E recorreu a todos os expedientes possíveis, para atingir esse objetivo. Em dado momento, o rei quis forçar Becket (que era o líder da igreja da Inglaterra) a tomar medidas erradas. E o amigo do rei se recusou a obedecer. Resistiu e acabou assassinado – morreu na escadaria da Catedral onde era o arcebispo.

Becket entrou para a história como um homem que não se deixou corromper e até hoje é considerado como um exemplo a ser seguido – quem tiver interesse nessa história, recomendo ver o filme “O homem que não vendeu sua alma“. 

Um outro exemplo interessante aconteceu na Alemanha nazista, onde alguns juízes se adequaram a um regime tenebroso e traíram suas convicções, ao condenar pessoas inocentes. Um deles escreveu até um livro comovente, onde reconhece ter corrompido sua alma.

Escolher deixar as convicções cristãs de lado, por conta de atender desejos humanos, como dinheiro, poder e outras coisas assim, pode levar a pessoa a pagar um preço muito caro, fazendo com que ela perca sua conexão com Deus. Portanto, convicção e desejo precisam ser sempre bem harmonizados.

Veja mais sobre este tema aqui.

Com carinho  

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