CONVERSANDO COM FRANQUEZA SOBRE O TEMA “ORAÇÃO”

0
204
Certo dia Jesus estava orando em determinado lugar. Tendo terminado, um dos seus discípulos lhe disse: “Senhor, ensina-nos a orar, como João ensinou aos discípulos dele”. Ele lhes disse: Quando vocês orarem, digam…                                 Lucas capítulo 11, versículos 1 e 2

Confesso ter “inveja santa” daquelas pessoas que conseguem ficar longo tempo em oração. Seu modelo de comportamento é o próprio Jesus, capaz de fazer isso com muita facilidade e frequência.

Eu, infelizmente, confesso ter dificuldade em agir assim: minha mente voa, minha atenção se dispersa e fica difícil manter-me no espírito correto após algum tempo. 

Sou mais parecido com os discípulos que tiveram dificuldade em ficar acordados na noite em que Jesus orava no Jardim do Getsêmani. 

Oro sempre, todos os dias, mas é como uma luta permanente dentro de mim, assim como acredito era para Pedro e os demais discípulos. Por isso, eu me identifico muito com a passagem acima, onde os discípulos pediram a Jesus para ensiná-los a orar. 

A mais importante questão que aparece ao estudar essa passagem é entender a razão para o pedido dos discípulos. Por que eles pediram aquilo a Jesus? 

Para discutir essa questão, é preciso antes entender bem o significado desse pedido. Ora, os judeus eram ensinados a orar desde muito cedo. O judaísmo é uma religião que tem diversas orações prontas que as pessoas são ensinadas a repetir continuamente.

Portanto, o pedido não foi feito porque os discípulos, todos judeus, não sabiam o que dizer para Deus numa oração. Isso não teria qualquer sentido.

Outra possibilidade é que os discípulos pensassem que a ocasião específica que estavam vivendo naquele momento exigisse uma oração especial que eles não tivessem sido ensinados. Essa é uma possibilidade real, tanto assim que, ao longo dos tempos, os rabinos judeus criaram centenas de orações adequadas às mais diferentes circunstâncias, mas a maioria delas foi desenvolvida séculos depois de Jesus. Em outras palavras, nos tempos de Jesus havia muitas lacunas (circunstâncias) não cobertas pelas orações então conhecidas pelos judeus.

Agora, não havia nada de especial nas circunstâncias em que o pedido dos discípulos se deu. Os fatos que antecederam o pedido foram absolutamente comuns.

Assim, a única outra alternativa que resta é que os discípulos perceberam que Jesus orava de forma diferente dos demais judeus, mesmo os mais religiosos dentre eles. Ele orava sem repetir fórmulas prontas, sem recitar palavras que acabavam não tendo muito significado. Ele orava do coração. Demonstrava intimidade com Deus.

E os discípulos queriam a mesma coisa. Sabiam que só teriam a ganhar com essa nova forma de orar. E por causa disso fizeram o pedido.

Jesus respondeu ensinando-lhes a oração que hoje é conhecida como “Pai Nosso”, que os(as) cristãos(ãs) repetem há quase dois mil anos. Nela incluiu todos os princípios que devem ser seguidos para uma boa oração: louvar a Deus, reconhecer as próprias fraquezas, fazer os pedidos necessários, etc.

Infelizmente, os(as) cristãos(ãs) acabaram transformando esse ensinamento numa outra forma pronta de oração. E repetem sempre as palavras de Jesus muitas vezes sem entender bem o que estão fazendo. Exatamente aquilo que os discípulos queriam evitar quando pediram a Jesus para os ensinar a orar.

Concluindo, todos nós, cristãos(ãs), temos a aprender em termos de oração. Alguns, como eu mesmo, precisam fazer grande progresso. Outros(as) já estão mais perto do ideal mas ainda assim ainda podem melhorar.

O fundamental é termos sempre disposição para aprender, para melhorar, como os discípulos fizeram

Com carinho  

 

Deixe um comentário

avatar
  Subscribe  
Notify of