CONHECENDO A VERDADE

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Há três formas de saber se determinada afirmação representa uma verdade: experiência própria, uso da lógica ou o depoimento de terceiros. E usamos essas diferentes formas de avaliação automaticamente, quase sem nem perceber bem o que estamos fazendo.

A primeira alternativa é a mais usada e também a mais simples. Trata-se de saber que algo é verdade pela própria experiência. Por exemplo, sei que não choveu hoje de manhã porque não caiu água do céu em momento nenhum. E o chão não estava molhado. Sei o que vi e isso me garante que determinada coisa aconteceu ou existe.

A segunda alternativa é usar a lógica. As pessoas sabem intuitivamente que há relações entre as coisas que acontecem e usam tal conhecimento para avaliar a verdade das afirmações. Por exemplo, se estou num quarto escuro, sem acesso ao exterior, e ouço o barulho de trovões, sei que também existem raios caindo. Afinal, trovões são os barulhos gerados pelos raios – uma coisa sempre anda junto com a outra. Deduzo logicamente que há raios porque ouvi os trovões.

A terceira alternativa de saber que alguma coisa é verdadeira usa o depoimento de terceiros. Por exemplo, leio um artigo de jornal onde é citado um estudo científico falando que determinado alimento dá câncer. Aceito isso como verdade e deixo de comer o tal alimento. É por causa disso que você sabe que a famosa equação de Einstein (E= mc²) reflete uma verdade científica – contaram isso para você. E eram pessoas que tinham credibilidade (como professores ou cientistas importantes).

As pessoas tendem a acreditar naquilo que ouvem de terceiros caso  acreditem na credibilidade de quem está afirmando determinada coisa. Por exemplo, os filhos se acostumam a aceitar as verdades ensinadas pelos pais. Mas, quando crescem, muitas vezes os amigos passam as ser fontes mais “confiáveis” que os pais, ou então, os professores, os seus líderes, etc.

Quando um artista conhecido recomenda um produto na televisão, num comercial, ele está tentando transferir a credibilidade que acumulou ao longo da sua carreira para convencer os telespectadores a comprar o produto. O artista, de certa forma, “vende” a credibilidade que tem. E é pela mesma razão que ninguém mais acredita em promessa de político – eles não têm mais credibilidade. 

Conhecendo as verdades sobre Deus
É de maneira similar à que descrevi que as pessoas acabam por conhecer as verdades sobre Deus (quem Ele é, como atua, o que deseja de nós, etc).

Primeiro, elas podem conhecer essas verdades com base na sua própria experiência, da vivência da ação dele nas suas vidas, através da oração, do louvor e/ou do envolvimento direto em milagres.

A Bíblia está cheia de relatos de experiências com Deus que mudaram as vidas das pessoas. Por exemplo, Paulo vinha pela estrada de Jerusalém para Damasco, onde iria liderar a perseguição aos cristãos. No caminho, teve uma experiência pessoal (uma visão) com Jesus que mudou sua vida (Atos dos Apóstolos capítulo 9, versículos 1 a 9). Ninguém precisou contar a Paulo sobre Jesus, ele experimentou diretamente esse contacto.

A segunda forma é a lógica que permite à pessoa tirar conclusões sobre quem Deus é e como atua com base nas evidências disponíveis – esse é o domínio da teologia. Por exemplo, quando a pessoa olha para o universo e percebe a complexidade daquilo que existe e a organização das coisas, e percebe que precisa existir uma grande inteligência e poder por trás de tudo.

Finalmente, existe ainda o testemunho de terceiros. O testemunho mais importante que podemos ter sobre Deus é a própria Bíblia, a Palavra dele. Mas, para que as pessoas aceitem o testemunho da Bíblia, é preciso que ela tenha credibilidade e é por isso que os contrários ao cristianismo procuram destruir o alto conceito que a Bíblia tem dentro da sociedade humana.

E as pessoas também podem aprender verdades sobre Deus através do depoimento de quem já experimentou de perto sua presença, desde que as testemunhas tenham credibilidade.

Problemas para conhecer a verdade
Alguns problemas podem surgir quando as pessoas tentam conhecer verdades sobre Deus. E esses problemas têm a ver com o mau uso das formas de conhecer a verdade que acabei de descrever.

O primeiro tipo de problema é o excesso de ênfase nas experiências pessoais. Isso é muito comum nas igrejas de corte pentecostal e carismático, onde há menos preocupação com o estudo da teologia e maior ênfase na experiência de cada pessoa com o Espírito Santo.  Muita gente pensa que o Espírito Santo vai lhes revelar diretamente aquilo que precisam conhecer e nada mais será preciso.

Por causa disso as pessoas acabam acumulando um conhecimento muito “raso” do cristianismo e aceitam doutrinas que não deveriam incorporar às suas vidas. E aí há o grande risco de passar a abrigar doutrinas estranhas. Por exemplo, tempos atrás uma pessoa me escrevi aqui no site dizendo que ouvira de sua pastora que Jesus só responde em oração quando a pessoa se dirige a Ele pelo nome correto dele em hebraico (Yeshua e Yehoshua). Ora, esse não é um ensinamento que exista na Bíblia e é, portanto, um erro, mas a tal pastora relatou para seus liderados que sua experiência pessoal garantia isso (veja mais). 

O segundo tipo de problema aparece quando há excessiva ênfase nos ensinamentos teológicos. Quando a teoria domina o pensamento e prescinde da experiência prática. Em outras palavras, quando a mente controla tudo e a prática da fé – a experiência com o Espírito Santo – deixa de ter qualquer peso. Religião fica fria e intelectualizada demais e isso leva a uma fé sem vida. Por exemplo, assim agiam os fariseus no tempo de Jesus, grandes estudiosos da Bíblia (naquela época limitado ao Antigo Testamento) mas completamente frios na aplicação prática daquilo que sabiam.

O terceiro tipo de problema vem da excessiva ênfase no testemunho de terceiros. Por exemplo, alguns pastores ditos “iluminados” que fazem afirmações absurdas de púlpito, nas quais o povo acredita pois esses pastores gozam de grande credibilidade. Por exemplo, muitos anos atrás assisti um pastor dizer numa pregação de domingo de carnaval que não haveria desfile de escolas de samba no Rio de Janeiro naquele ano, pois isso lhe tinha sido revelado pelo Espírito Santo. E foi aplaudido freneticamente pelo público. E o desfile aconteceu normalmente e ninguém cobrou do pastor aquela “profetada”.

Concluindo, uma vida cristã saudável deve incluir as três formas de validação da verdade – a experiência direta com Deus, o uso lógico de doutrina sólida e o testemunho de terceiros da própria Bíblia e de quem tenha credibilidade. Todas essas formas de busca da verdade são válidas e importantes. E elas precisam ser usadas de forma equilibrada, complementando-se entre si e seno checadas uma pelas outras.

Com carinho

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Lena Monte

Acredito que o mais importante é primeiramente pregar a palavra através de uma vida reta aos olhos de Deus, dar um bom testemunho. As pessoas dão muito mais credibilidade na maneira em que vivemos, do que pregamos. Devemos amar como Jesus nos amou, e ama a todos nós.