COMO JOSÉ DO EGITO CONSEGUIU PERDOAR?

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A história de José, vendido como escravo pelos próprios irmãos (Gênesis capítulo 37) gera muita perplexidade. Como pode ser que pessoas aparentemente normais – os irmãos – tenham cometido ato tão cruel por causa de ciúme do pai , Jacó? Não é fácil de entender.

E maior perplexidade ainda causa o fato de José ter conseguido perdoar os irmãos (Gênesis capítulo 45). Eu não sei se teria capacidade de agir como José – não sei se teria essa mesma disposição para perdoar. 

Como José conseguiu fazer issoQue lições podemos tirar do seu exemplo para instruir nossas vidas? São essas duas perguntas que vou tentar responder.

José era uma pessoa especial: adolescente carismático e precoce, encantava a todos pela sua inteligência e auto-confiança. Mas, ao mesmo tempo, como é típico dos adolescentes, era egocêntrico – considerava-se o centro da família. E também insensível – nunca se mostrou preocupado com o efeito que seu comportamento arrogante causou nos irmãos. 

É interessante perceber que José sempre despertou sentimentos fortes nas pessoas com as quais conviveu. Era pessoa muito carismática. O pai o amou sem medidas, os irmãos tiveram ciúme intenso dele, a mulher de Potifar apaixonou-se perdidamente por ele e faraó o fez seu favorito, o segundo homem no comando do Egito. 

O relato do Gênesis conta em detalhes a longa jornada de José, desde o momento em que foi ferido emocionalmente pelos irmãos até sua cura emocional. Do sofrimento causado pela traição que sofreu até o perdão dado a seus algozes. 

O momento de perdoar chegou quando os irmãos de José precisaram ir até o Egito (Gênesis capítulo 42) pois a terra onde moravam (Palestina) passava por grande seca e não havia mais alimento para a família de Jacó. O encontro com os irmãos lançou José num furacão emocional: raiva e desejo de vingança, misturados à saudade da família e à vontade de se reunir com o pai e o irmão menor, Benjamim (que não tinha participado do golpe contra ele).

E aí começou um jogo de “gato e rato” entre José e seus irmãos. José simulou um roubo e incriminou os irmãos. E exigiu que os irmãos trouxessem Benjamim à sua presença e fingiu que ia punir o irmão caçula. Na verdade, somente quando os irmãos demonstram estar totalmente vulneráveis e um deles, Judá, até admitiu ficar preso no Egito, em lugar de Benjamim, que José conseguiu perdoar. 

Percebeu naquele momento que passará a ele o papel de provedor e líder da sua família, naquele momento totalmente indefesa (nem comida tinha). A profecia que tinha sido dada a José, ainda na sua adolescência, através de alguns sonhos, enfim se realizara: a família estava totalmente dependente dele. 

Agora, é interessante perceber que a interpretação que José deu a essa profecia mudou ao longo do tempo: quando era adolescente, ficou deslumbrado com a informação que seria a pessoa mais importante da família. Já maduro, percebeu que essa posição de liderança trazia uma enorme responsabilidade em relação à própria família. 

Quando adolescente ele se impressionou com a honra que iria lhe caber, mais tarde percebeu ter herdado uma grande responsabilidade (garantir a sobrevivência da linhagem de Abraão).      
                            

Era hora de agir e não mais ficar remoendo mágoas passadas. E José mostrou-se à altura da tarefa. Aqui vale fazer um comentário importante: o ser humano demonstra maturidade quando deixa de perguntar o que as outras pessoas podem  fazer por ele e toma consciência do que ele mesmo pode fazer pelo próximo. Isso ocorre, por exemplo, quando o homem deixa de ser filho e assume o papel de pai. 

Perdoar é ato de obediência ao mandamento que Jesus deixou – afinal, somente seremos perdoados por Deus na medida em que conseguirmos perdoar o próximo. Mas perdoar também é ato que demonstra maturidade. É isso que permite a quem foi ofendido(a) ou prejudicado(a) entender as limitações e as fraquezas das pessoas que lhe causaram mal. 

José conseguiu perdoar porque foi sensível ao mandamento de Deus. Mas também porque conseguiu amadurecer como homem – fez a transição que cada um de nós também precisa fazer em algum momento da vida.

Com carinho

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Vinicius MouraPaulo LuzEvandro Santana da Silva Recent comment authors
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Paulo Luz
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Paulo Luz

Penso que o termo José do Egito esta errado, ele não era do Egito e ficaria melhor José no Egito.
O que acham!

Evandro Santana da Silva
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Evandro Santana da Silva

Amo a história de José “‘uma prova viva que Deus faz os nossos sonhos se tornarem reais “