COMO ERA A NATUREZA HUMANA DE JESUS

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Durante sua passagem por este mundo, Jesus tinha duas naturezas: humana e divina. Mas Jesus não era um ser “dividido” em duas partes, como muitos pensam, pois suas duas naturezas eram plenas e conviviam de forma integrada.

Como isso foi possível? Trata-se de um mistério de Deus, que vai além da nossa compreensão. Mas há muitas dicas espalhadas pelos relatos bíblicos para nos ajudar a entender um pouco o que aconteceu.

Por exemplo, a Bíblia conta que Jesus
se “esvaziou” dos seus poderes divinos e nunca os usou – foi como se a natureza divina de Jesus estivesse “adormecida” ao longo dos trinta e poucos anos em que viveu entre nós.

Se foi assim, de onde veio o poder que Jesus usou para fazer milagres? Isso é simples de responder: Jesus usou sua fé e, através dela, o poder do Espírito Santo. Tanto foi assim que, no Evangelho de João (capítulo 14, versículos 12 a 14), Jesus comentou que seus(uas) seguidores(as) poderiam fazer tudo que Ele fez, pois iriam dispor do mesmo poder – com efeito, os apóstolos
repetiram diversos milagres de Jesus, como curar doentes ou ressuscitar
mortos.

Entendido isso, podemos passar a discutir o que nos interessa mais de perto aqui: a natureza humana de Jesus. Começo lembrando que Jesus foi concebido por ação do Espírito Santo sobre o corpo de uma mulher, Maria. De forma milagrosa, um dos seus óvulos foi fecundado diretamente, sem que ela tivesse tido relação sexual com qualquer homem. Jesus tinha, portanto, metade do DNA de sua mãe. E podemos especular que também tinha cromossomos da sua parte divina, mas não sabemos como isso funcionou na prática.

Jesus teve o desenvolvimento normal de qualquer ser humano – a Bíblia fala que Ele cresceu em estatura (desenvolvimento físico), sabedoria (desenvolvimento mental e emocional) e graça (desenvolvimento espiritual). Os relatos bíblicos falam d´Ele em três diferentes períodos da sua vida: até os dois anos de
idade, por volta dos 12 anos e, finalmente, a partir dos 30 trinta anos, período do seu ministério – suas características físicas, emocionais e espirituais são diferentes nesses três momentos.

Jesus precisou aprender a ler e teve que estudar a Bíblia Hebraica (Velho Testamento), para conhecer a Palavra de Deus. Aos 12 anos tinha bastante domínio desse assunto, tanto que surpreendeu os estudiosos da época com seu conhecimento bíblico, durante uma visita que fez ao templo de Jerusalém – isso indica que sua inteligência era privilegiada, o que não surpreende a ninguém.

Mas como homem, não sabia de tudo que acontecia à sua volta e isso fica bem claro em várias passagens da Bíblia. Por exemplo, certa vez, uma mulher tocou suas vestes (e ficou curada de uma hemorragia que tinha há anos). Jesus olhou para a multidão e perguntou: “quem me tocou, pois senti sair poder de mim“.

Jesus teve revelações de Deus sobre acontecimentos futuros, como ocorreu com diversos profetas (Moisés, Isaías, Jeremias e outros) – nada há de surpreendente aí. Por exemplo, Ele previu sua morte e sofrimento, assim como a destruição de Jerusalém pelos romanos, acontecida cerca de 35 anos depois da sua morte.

É claro que
Jesus conhecia os planos de Deus para sua vida – sabia que precisaria
enfrentar Satanás e sofrer morte terrível, tanto assim que ficou
extremamente angustiado (suou sangue) horas antes de ser preso.

Ainda assim, Ele não conhecia cada coisa que lhe iria acontecer e várias vezes ficou surpreendido com os acontecimentos. Acredito que a própria consciência dos planos de Deus para sua vida só foi se consolidando aos poucos, à medida em que cresceu e tornou-se mais capacitado intelectualmente.

Sendo assim, Jesus deve ter sido uma pessoa normal, certamente mais inteligente e culto do que a média dos judeus. Diferenciava-se certamente por sua fé inabalável, não por suas características físicas. Por isso aqueles(as) – família e amigos(as) – que o conheceram ainda criança ou jovem se surpreenderam ao saber que Jesus era o Messias tão esperado.

E é exatamente por ter sido inteiramente humano, passando por todas as dificuldades e dores – tentações, inseguranças, medos, problemas financeiros, doenças, etc – que cada um(a) de nós pode vir a enfrentar, que podemos olhar para Ele como a grande referencia para nossas vidas.

O fato que Ele conseguiu vencer todas as dificuldades apenas através da sua fé deve ser um enorme incentivo para cada um(a) de nós.

Com carinho

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Vinicius MouraGeorge Rocha Almeida Recent comment authors
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George Rocha Almeida
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Tenho 41 anos, sou de Fortaleza- CE, cristão católico – graças a Deus muito ativo em minha comunidade paroquial (ECC, Pastoral do Dízimo, Ministério Extraordinário da Palavra). Resolvi escrever pois hoje me veio uma dúvida e queria uma resposta ou até um melhor esclarecimento a essa questão. Teria Jesus em algum momento duvidado de sua missão? Pergunto isso pois, apesar de já ter lido várias vesses o versículo “Pai, se queres, afasta de mim este cálice; entretanto, não seja feita a minha vontade, mas o que Tu desejas!”., me surgiu esse pergunta. Sei que em sua condição humana, Ele passou… Read more »

Vinicius Moura
Visitante

Sua pergunta é muito interessante. E nos seus comentários você mesmo deu a resposta.

Quando Jesus comentou sobre "passar adiante o cálice", era sua natureza humana dando vazão à angustia. Ele padeceu muito com a percepção que tinha do sofrimento pelo qual estava por passar.

Mas repare que Ele, apesar de toda a angústia, se colocou debaixo da vontade do Pai ("não seja feita a minha vontade mas a sua"). E esse é um grande ensinamento para todos nós: submissão completa a Deus.

Abs