COMO DIMINUIR A INJUSTIÇA NO MUNDO

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Apesar do avanço da humanidade, a injustiça social continua bem presente: por exemplo, centenas de milhões de seres humanos mal tem o que comer ou onde morar, enquanto algumas centenas de bilionários não sabem o que fazer para gastar o dinheiro que acumularam. Doenças endêmicas, como malária e dengue, continuam presentes nos países pobres e não são curadas porque as empresas farmacêuticas deixam de fazer os investimentos necessários em medicamentos que teriam baixo retorno econômico. Empresas destroem o meio ambiente apenas para ter seus lucros aumentados. E por aí vai.

Quais são as causas de toda essa injustiça? A Bíblia tem uma resposta clara: as más escolhas que as pessoas fazem. Isto é, a forma errada como usam seu livre arbítrio – e o termo técnico para isso é “pecado”. 

Quero me concentrar aqui em dois tipos de pecado que, acredito, estão na raiz da maior parte das injustiças que existem no mundo. Refiro-me à inveja e ao egoismo e não foi por acaso que Jesus se preocupou tanto com essas questões.

A inveja e o egoismo tornaram-se cada vez mais presentes, até predominantes, na sociedade atual por causa de uma importante mudança cultural ocorrida nas últimas décadas: caminhamos cada vez mais na direção de uma sociedade que valoriza o “ter”. Hoje em dia as pessoas valem mesmo pelo que possuem (bens materiais, status social e poder) e não por aquilo que são e quando perdem o que têm, seu valor social diminui. 

Relações baseadas no “ser”, a alternativa, são mais fortes, estáveis e duradouras. E isso pode ser percebido com clareza nas famílias, onde as pessoas são normalmente aceitas por serem quem são – parentes – e não pelo que possuem. Mas infelizmente, elas valem cada vez menos.

A necessidade de “ter” mais e mais nasce da vontade de se tornar importante, ser mais reconhecido. E essa abordagem para a vida gera competição, inveja e egoismo, dentre outros males. A razão para isso é fácil de entender: coisas materiais (riquezas, poder, honrarias, etc) são fisicamente limitadas, assim, o que alguém consegue, deixa de estar disponível para outra pessoa. É como diz o conhecido ditado: “farinha pouca, meu pirão primeiro“.

Vou começar pela inveja porque ela está na base da sociedade de consumo moderna. Isso ficou bem claro num importante estudo realizado pelo psicólogo Robert Frank: ele perguntou a várias pessoas qual das alternativas preferiam: (a) receber dez mil dólares, ao mesmo tempo em que seus vizinhos receberiam bem mais, vinte mil dólares; ou (b) receber apenas oito mil dólares, enquanto os mesmos vizinhos receberiam menos ainda, seis mil dólares. 

O resultado foi surpreendente: a esmagadora maioria das pessoas escolheu a segunda opção, embora acabassem com menos dinheiro no bolso, pois ter mais do que o vizinho é uma motivação muito forte.

Uma característica interessante da inveja é aumentar com a proximidade – quanto mais próximo alguém está da pessoa objeto da sua inveja, maior o potencial para esse sentimento negativo crescer. Por isso há mais inveja entre irmãos, vizinhos ou colegas de trabalho do que entre pessoas que não se vêem om frequência. 

Não podemos esquecer que a inveja em primeiro lugar faz mal para o(a) próprio(a) invejoso(a), pois não lhe permite usufruir plenamente do que já conseguiu. Mas as consequências da inveja contra o próximo costumam ser ainda maiores – basta lembrar que os irmãos, por inveja, venderam José como escravo (Gênesis capítulo 37).

O egoismo é tão nocivo como a inveja: faz com que as pessoas se coloquem antes de tudo – em casos extremos, o(a) egoísta chega a agir como se o mundo girasse em torno do seu próprio umbigo. 

O egoísmo gera a indiferença: não interessa muito o que se passa com as outras pessoas, especialmente se elas não forem importantes, isto é se não forem parentes ou amigos(as) queridos(as).

O abuso do poder econômico, político e social nasce essencialmente da indiferença. Se alguém é indiferente ao que acontece com as demais pessoas não vai se preocupar em usar todos os recursos ao seu alcance para atingir seus objetivos, sem se importar com o prejuízo eventualmente causado para ao próximo. 

Isso explica as empresas que abusam o meio ambiente. Mas também pode ser notado nas casas de família onde os empregados domésticos não têm seus direitos trabalhistas abusados, coisa extremamente comum.

Outra consequência da indiferença é tornar outras pessoas “invisíveis” – seres humanos que prestam serviços importantes (como porteiros, garçons, lixeiros, etc) e nunca são notados (não têm rosto, necessidades, direitos, etc).

Inveja e egoismo guardam uma diferença: a primeira normalmente gera o pecado por ação: o(a) invejoso(a) acaba por fazer algo que prejudica a pessoa que lhe incomoda para conseguir o que ela tem. Já o egoísmo (e a indiferença) costuma gerar pecado por omissão: a pessoa deixa de fazer a coisa certa – por exemplo, a pessoa que conserva um armário cheio de roupas que nem se usa e deixa de doá-las para quem precisa, ou ainda a família que tem um padrão de consumo elevadíssimo e não ajuda os próprios empregados, que vivem em condições precárias. 

A vida de Jesus foi um marco contra a inveja e o egoismo (indiferença): Ele nasceu em família humilde e nunca foi atrás de pessoas ricas ou poderosas. Era companheiro dos necessitados e buscava os excluídos, como os leprosos ou a adúltera que ia ser apedrejada. Provou que status, dinheiro ou poder não têm valor aos olhos de Deus – o importante mesmo são os sentimentos que a pessoa tem no coração e o que faz de fato para ajudar o próximo. 

A verdade é que se todo mundo seguisse o exemplo de Jesus, não tenho dúvidas, o mundo seria um lugar muito, mas muito, melhor para se viver. Seria o fim da injustiça social.

Com carinho

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