BUSCANDO JESUS NO VELHO TESTAMENTO

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Recentemente comecei um grupo de estudo abordando o Velho Testamento com um todo (tema central, correlação entre os 39 livros, a história que cerca os fatos relatados, etc). Durante a primeira aula, eu afirmei que a chave da interpretação do Velho Testamento é Jesus. E incentivei todos(as) a sempre terem isso em mente. 

Aí uma pessoa presente perguntou: como Jesus pode ser a chave de interpretação do Velho Testamento? Esse tipo de dúvida é muito comum: as pessoas tendem a achar que Jesus é assunto exclusivo do Novo Testamento. E algumas tendem até a pensar que o Novo Testamento é mais importante pois é nele que são relatados os fatos da vida de Jesus e seus ensinamentos. 

Mas isso não é verdade: as duas partes da Bíblia são igualmente importantes. E Jesus está bem presente em ambas. É claro que, no Velho Testamento, Jesus não se faz presente fisicamente, pois ainda não tinha nascido. Mas é muito referenciado através de profecias e do simbolismo. Vejamos alguns exemplos:

•  Jesus na Páscoa dos judeus: Moisés foi enviado por Deus para tirar o povo de Israel da escravidão no Egito. E foi preciso que Deus mandasse dez pragas para forçar o faraó a aceitar sua determinação. E, na última noite antes da saída do Egito, quando estava em curso a décima praça (a morte dos primogênitos dos egípcios), os israelitas foram instruídos a matar um cordeiro por família e passar o sangue desse animal no umbral da porta da casa. A carne do animal deveria ser assada e comida juntamente com pães sem fermento e ervas amargas (Êxodo capítulo 12). E o povo foi instruído a repetir essa cerimônia todos os anos, numa festa religiosa chamada Páscoa (Pessach). 

Cerca de 1.500 anos depois da saída de Israel do Egito, o apóstolo Paulo disse que Jesus era nosso cordeiro pascal (1 Coríntios capítulo 5, versículo 7), pois seu sangue nos salva da destruição gerada pelos nossos pecados. E lembrou que Jesus, na noite em que foi preso, estabeleceu que deveríamos comer seu corpo e beber seu sangue – o que hoje chamamos de Santa Ceia -, numa nova alusão à Páscoa judaica. 

Jesus no Dia do Perdão: Outra grande festa do judaísmo também faz referencia ao sacrifício de Jesus. Refiro-me ao Dia do Perdão (“Yom Kippur”), conforme relato de Levítico capítulo 16, versículos 23 a 32. Durante essa festa, o sumo-sacerdote judeu, considerado naquela época o mediador entre o povo e Deus, pegava dois bodes sem defeitos físicos. Um deles, o “bode expiatório”, servia para carregar todos os pecados do povo – esse animal era largado no deserto para morrer. O outro animal, o “bode sacrificial”, era morto pelo sumo-sacerdote e seu sangue aspergido sobre a Arca da Aliança, que ficava dentro do Tempo de Jerusalém – esse sacrifício oferecia reparação pelos pecados do povo judeu, evitando sua punição por Deus.

Para os cristãos, Jesus levou sobre si todas as nossas culpas e seu sangue foi derramado como reparação pelos nossos pecados (Hebreus capítulo 9, versículos 7 a 14). Ele representa os dois bodes. A diferença é que seu sacrifício só precisou ser feito uma vez.   

•  Jesus na história de Adão e Eva: Depois que Adão e Eva pecaram, ao comerem do fruto proibido, foram castigados por Deus. E, ao descrever esse castigo, Deus disse (Gênesis capítulo 3, versículo 15), referindo-se à serpente (Satanás), que tinha incitado Adão e Eva ao pecado: “…porei inimizada entre ti e a mulher, entre a tua descendência e o seu descendente. Este te ferirá a cabeça e tu lhe ferirás o calcanhar“.

Repare que, no texto, descendente está no singular e, portanto, se refere a uma única pessoa. E quem derrotou Satanás, embora tenha sido ferido por ele com o tormento da cruz, foi Jesus. Em outras palavras, a trajetória do Salvador foi profetizada já no início do Velho Testamento.

•  Jesus nas profecias de Isaías: Há uma passagem muito conhecida do profeta Isaías (capítulo 9, versículos 6 e 7) onde ele profetizou a vinda de um menino que seria chamado de “Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade e Príncipe da Paz“. Isaías escreveu esse texto cerca de setecentos e cinquenta anos antes do nascimento de Jesus. 

Conclusão

Velho e Novo Testamento se complementam – são como as duas faces de uma mesma moeda. No primeira parte da Bíblia, o Velho Testamento, é contada a história de Israel (o povo escolhido) e profetizada a vinda do Messias (Jesus). No segunda, o Novo Testamento, é feito o relato do ministério de Jesus na terra, como Ele acabou morto na cruz e ressurgiu dos mortos. E é descrito o início da história da igreja cristã.

Portanto, ambas as partes são igualmente necessárias. E compartilham a mesma chave de interpretação: Jesus (sua missão, sacrifício e legado). Assim, não importa qual parte da Bíblia você está lendo, procure sempre por Jesus.  

Com carinho

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Marcos

Vale lembrar também um versículo em Gênesis 1-26 onde é evidente a presença de Jesus ao lado do pai, sugerindo que Jesus já existia e não como muitos pensam que ele passou a existir a partir de Maria, Jesus é filho de Maria na carne.,, 26 E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança;
Esse “façamos” sugere que Deus não estava só.