AS TRAGÉDIAS EM MARIANA E EM PARIS

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Vivemos recentemente duas tragédias horríveis: o rompimento da barragem de uma mineradora em Mariana e o ataque terrorista em Paris. Ambas geraram muitas mortes e uma delas, a de Mariana, trouxe consigo também um grande dano ecológico, enquanto o ataque terrorista deixou um rastro de medo que vai afetar o futuro da França.

Ambos eventos foram terríveis e merecem repúdio de todas as pessoas decentes. Num dos casos uma empresa se mostrou irresponsável ao deixar de tomar os cuidados necessários com sua barragem – a tragédia poderia ter sido evitada pois não houve nenhuma circunstância especial para justificar o ocorrido como uma enchente gigantesca ou um terremoto. Por causa disso uma pequena comunidade sumiu do mapa e muitas cidades terão seu meio ambiente afetado por décadas.

O atentado em Paris foi diabólico – pessoas indefesas foram metralhadas em restaurantes e numa casa de shows. Muitas famílias tiveram suas vidas mudadas para sempre. Impressiona a decisão dos terroristas de causar o mal ao maior número possível de pessoas – é claro que há um propósito político nesse aparente desatino, mas nem vou entrar nessa discussão aqui.

Essas duas tragédias geraram enorme comoção nas redes sociais, com pessoas se manifestando com palavras emocionadas. E de repente começou uma “competição”: qual delas deveria indignar mais as pessoas. Aquelas pessoas que se manifestavam sobre uma eram cobradas por não terem mostrado a mesma solidariedade com as vítimas da outra. Como se o mal pudesse ser medido, pudesse ser comparado. Como se a indignação num caso fosse mais justa do que no outro.

Ora, isso é um absurdo. Os dois casos são terríveis e tentar estabelecer uma escala do mal e ficar cobrando das outras pessoas que se comovam ou se solidarizem mais com uma ou com outra não tem o menor sentido. Sem contar, que tal tipo de julgamento dos outros foi condenado por Jesus.

É perfeitamente compreensível que uma pessoa com laços afetivos com Mariana ou cidades vizinhas certamente se senta mais tocada pelo que aconteceu lá e nada há de errado nisso. Uma pessoa que ame Paris e tenha raízes na cultura francesa pode ficar mais emocionada com o atentado e isso também é perfeitamente natural.

Aos olhos bíblicos, essa situação é explicada pelo conceito de “próximo” que Jesus usou quando contou a parábola do bom samaritano (Lucas capítulo 10, versículos 30 a 37). Ele ensinou que temos sim responsabilidades de solidariedade e fornecimento de ajuda com as pessoas próximas a nós. Agora, o conceito de “próximo” tem mudado muito a partir do advento da Internet e redes sociais. Você que lê este blog é meu “próximo(a)”, embora possa viver até em outro país. E pode ser mais próximo(a) do que uma pessoa que more no mesmo bairro meu, mas a quem eu não conheça ou não cruze meu caminho.

O que nos foi cobrado é que façamos o possível pelas pessoas com quem temos contacto. O sofrimento dessas pessoas precisa nos afetar e precisamos ajudá-las no que estiver a nosso alcance. 

Isso não quer dizer que devemos desprezar outras tragédias, menos próximas de nós, física ou emocionalmente, mas se trata simplesmente de levar em conta que ninguém consegue abarcar tudo. Ninguém consegue se emocionar e se indignar com todo o mal que acontece no mundo. Simples assim.

Portanto, resta-nos lamentar ambas as tragédias e pedir a Deus que console todas as pessoas afetadas. E se pudermos fazer algo pelas pessoas afetadas – por exemplo, mandar água e roupas para as pessoas da região de Mariana – devemos fazer isso sem hesitar. Sem fazer comparações. Sem estabelecer escalas de importância. 

Com carinho 

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