AS TENTAÇÕES DA VIDA

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E quarenta dias foi [Jesus] tentado pelo diabo, e naqueles dias não comeu coisa alguma; e, terminados eles, teve fome. 

E disse-lhe o diabo: Se tu és o Filho de Deus, dize a esta pedra que se transforme em pão. 

 

E Jesus lhe respondeu: Está escrito que nem só de pão viverá o homem, mas de toda a palavra de Deus. 

 

E o diabo, levando-o a um alto monte, mostrou-lhe todos os reinos do mundo. 

 

E disse-lhe: Dar-te-ei a ti todo este poder e a sua glória; porque a mim me foi entregue, e dou-o a quem quero. 

 

Portanto, se tu me adorares, tudo será teu. 

 

E Jesus respondeu-lhe: Vai-te para trás de mim, Satanás; porque está escrito: Adorarás o Senhor teu Deus, e só a ele servirás. 

Levou-o também a Jerusalém, e pô-lo sobre o pináculo do templo, e disse-lhe: Se tu és o Filho de Deus, lança-te daqui abaixo. 

 

Porque está escrito: Mandará aos seus anjos, acerca de ti, que te guardem, 

 

E que te sustenham nas mãos, para que nunca tropeces com o teu pé em alguma pedra. 

 

E Jesus, respondeu-lhe: Dito está: Não tentarás ao Senhor teu Deus. 

 

E, acabando o diabo sua tentação, ausentou-se por algum tempo.

 

 

Lucas capítulo 4, versículos 2 a 13

 

 

Tentações são parte da vida. Afinal, o Diabo está sempre nos incentivando a proceder de forma errada (pecar). E nem Jesus ficou livre desse tipo de teste pois foi tentado ao longo de 40 dias, conforme a descrição acima do Evangelho de Lucas.

E a tentação pela qual Jesus passou ensina três estratégias que o Diabo usa e a melhor forma de enfrentá-las. Vamos a elas:

1. Tornar o desejo humano justificativa suficiente 

Jesus teve fome, pois tinha sido submetido a longo jejum. E Satanás tentou se aproveitar disso para forçá-lo a fazer um milagre – transformar pedras em pão.

Ora, não há nada de errado em realizar milagres – Jesus fez muito deles ao longo da sua missão terrena. Mas fazer um milagre instigado por Satanás seria uma falta muito grave.

A estratégia usada nesse caso foi simples: usar o desejo humano como justificativa para a realização de ato errado. E se trata de estratégia muito eficaz pois as pessoas quase sempre caem nela.

Por exemplo, desejam ter uma vida confortável e tal desejo justifica a prática da mentira e de desonestidades. Querem conquistar o poder e tal desejo justifica a mentira e a manipulação das opiniões das pessoas numa eleição. Desejam sexualmente uma pessoa e tal vontade justifica o adultério. E assim por diante.

Os desejos humanos podem até ser justos e sinceros – como no caso da fome de Jesus. Mas eles sempre precisam se subordinar às leis de Deus, à vontade d´Ele.

2. Manipular as promessas de Deus

Num dado momento, Satanás levou Jesus a um lugar alto e o incentivou a se atirar de lá de cima, justificando seu pedido com uma citação do Salmo 91 (sim, o Diabo também conhece a Bíblia), onde está dito que Deus mandará seus anjos para sustentarem seus filhos.

Ora, tal pedido foi uma tentativa clara de manipular uma promessa de Deus. E a resposta de Jesus deixou isso bem claro: Ele explicou que fazer o que Satanás pedia seria tentar a Deus.

O abuso das promessas de Deus é muito frequente – pode ser visto a toda hora. Por exemplo, são muitos os tele-evangelistas que desafiam as pessoas a doarem dinheiro para colherem prosperidade. Ora, as promessas de Deus não podem ter como condição doações prévias de dinheiro. Vincular uma coisa a outra é erro grave, uma tentativa de “comprar” a benção de Deus. E eu poderia citar muitos outros casos aqui do mesmo tipo de manipulação.

Agora, quando o Diabo manipula promessas, ele tem como objetivo decepcionar as pessoas com Deus. Isso porque, quando a pessoa sinceramente acredita que há uma promessa de Deus aplicável à sua situação, certamente fica esperando por um bom resultado. E se isso não acontece, acaba por ficar decepcionada, o que pode até levá-la a se afastar de Deus. Já vi isso acontecer muitas vezes.

É preciso muito cuidado em usar promessas de Deus. Isso nunca pode ser feito de forma apressada e leviana. Se há uma promessa de Deus envolvida, você pode ter certeza que ela vai se cumprir. Agora, se não acontecer aquilo que era esperado é preciso verificar se a interpretação dada estava correta. Ver também se aquela promessa se aplica mesmo ao caso em questão. Se não havia uma condição prévia que precisava ser cumprida. E assim por diante.

3. Desviar o foco de Deus para o ser humano

Repare que nas três tentações descritas acima o Diabo sempre procurou tirar o foco da discussão de Deus e centrá-lo nas necessidades humanas. E as pessoas frequentemente caem nesse tipo de armadilha.

E quando o foco vira para o ser humano, Deus acaba ficando em segundo lugar, ofuscado pelas vontades e desejos das pessoas. Assim são as necessidades humanas, e não a vontade de Deus, que de fato acabam por ditar o ritmo das coisas. E Deus torna-se apenas no meio através do qual essas necessidades podem ser preenchidas.

Agora, repare que ao responder às iniciativas de Satanás, Jesus sempre trouxe o foco de volta para Deus. Lembrou sempre qual seria sua vontade e a forma correta de se relacionar com Ele. E essa é a forma correta de resistir.

Palavras finais

Como você pode ver, as estratégias usadas por Satanás são relativamente simples. Até mesmo cruas. Mas são extremamente eficazes – as pessoas vem caindo nelas a milhares de anos.

Penso que conhecer bem aquilo que o Inimigo tenta fazer na sua vida é um passo importante para que você possa resistir melhor às suas iniciativas malignas.

E entender bem como Jesus se comportou no mesmo tipo de situação é fundamental – é a chave de uma resposta correta. Perceba que, em primeiro lugar, Ele se recusou a colocar seus desejos na frente de tudo. E não permitiu que eles justificassem eventuais atos errados.

Depois, Jesus não permitiu que Satanás manipulasse uma promessa de Deus, tirando-a do seu contexto e distorcendo seu significado. Lembrou que é preciso entender corretamente e aplicar de forma adequada o conhecimento sobre aquilo que Deus promete fazer.

Finalmente, Jesus manteve sempre o foco em Deus. Toda vez que Satanás tentou trazer a discussão para o terreno das necessidades humanas, Jesus respondeu falando de Deus.

Com carinho

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