AS DUAS NATUREZAS DE JESUS

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A doutrina cristã ensina que Jesus tem duas naturezas: humana e divina. Mas, esse entendimento nem sempre foi aceito por todos e outras interpretações apareceram ao longo da história, gerando muito debate. Por exemplo:

  • Houve quem defendesse que Jesus foi apenas um homem, mas tão especial ,que Deus o ressuscitou e o chamou para junto de si. Essa linha teológica foi defendida, por exemplo, pelos Ebionitas.
  • Outros acreditavam que Jesus é Deus, mas viveu na terra “disfarçado” de homem – sua morte, na verdade, teria sido uma grande encenação. Essa doutrina foi defendida pelos docetistas.

Somente no começo do século V, no Concílio de Calcedônia, a igreja cristã resolveu de uma vez por todas essas questões e aceitou a doutrina que Jesus tem duas naturezas simultâneas – humana e divina.

Mas, aí a dúvida somente mudou de lugar. As pessoas passaram a questionar como essa dupla natureza funciona na prática – afinal, não parecia haver nenhum paralelo para essa ideia na natureza. Em outras palavras, a dupla natureza de Jesus parecia não ser mais do que uma invenção dos teólogos cristãos. E, em resposta, os cristãos só podiam oferecer sua fé.

Quando a física ajuda a teologia
Por incrível que pareça, foram os cientistas que vieram em “socorro” dos teólogos cristãos, apesar de muitos deles serem ateus. Eles encontraram um exemplo de dupla natureza no mundo físico. Refiro-me ao comportamento da luz, somente entendido mais completamente ao longo da primeira metade do século XX.

Tradicionalmente a luz sempre foi vista como uma onda, como acontece com o som. A famosa experiência do prisma, que divide a luz branca em faixas de cores (desde infra-vermelho até ultra-violeta) leva em conta exatamente esse tipo de comportamento.

Mas, o avanço da ciência mostrou algumas “anomalias” no comportamento da luz como onda. Sabe-se que ondas precisam de um meio físico para se difundir – é por isso que, no vácuo, não há som. A luz, porém, anda pelo espaço vazio sem qualquer problema.

E os cientistas acabaram descobrindo que a luz também funciona como um feixe de partículas – como se um “canhão” ficasse disparando balas minúsculas (chamadas fótons), uma atrás da outra. Essas “balas” andam em qualquer meio, mesmo no vácuo.

Portanto, a luz tem duas naturezas – ora se comportando como onda, e ora como feixe de partículas. São naturezas que se “complementam” e é preciso usar as duas para explicar como a luz funciona de fato.

Os teólogos cristãos ficaram muito felizes com essa descoberta pois a luz tornou-se um excelente exemplo de como duas naturezas podem co-existir na prática. E a realidade das duas naturezas de Jesus deixou de parecer tão impossível assim, deixou de ser algo que só pode ser admitido pela fé. 

Os sinais da natureza divina de Jesus
Assim, se a dúvida sobre a natureza de Jesus for levantada na sua presença, basta responder: “pense nas duas naturezas de Jesus como se fosse o comportamento da luz…” E nunca podemos esquecer que Ele é mesmo a luz do mundo – que linda constatação!

Agora, como essas duas naturezas funcionaram na prática? A resposta é relativamente simples: para poder viver dentro do frágil invólucro do corpo humano, Jesus precisou se “esvaziar” da sua glória e majestade como Deus. Ele não perdeu as características divinas, apenas se “despiu” das vestes reais e passou a vestir a “roupa” de um simples cidadão.

Será que há provas da existência dessas duas naturezas? É fácil entender que Jesus foi homem, pois Ele viveu na terra e morreu numa cruz. Jesus sofreu e sangrou como qualquer pessoa.

Mas, e quanto à sua natureza divina? Há provas quanto a isso? A demonstração da divindade de Jesus está na tarefa que Ele cumpriu e  que nenhum outro ser humano, nem antes nem depois, poderia cumprir.

Não foram os milagres que Jesus fez que atestaram sua divindade, pois os apóstolos (Paulo, Pedro e João), bem como vários profetas (Moisés, Elias e Eliseu) fizeram milagres tão grandes quanto os d´Ele. E não foram também seus ensinamentos, pois outros homens também falaram e escreveram palavras sábias, como Salomão ou Moisés e até filósofos como Sócrates ou Confúcio.

Se não foram os milagres e os ensinamentos, o que foi então? Primeiro, Ele perdoou pecados: nenhum profeta tinha feito isso e nenhum apóstolo o fez depois d´Ele. Tanto assim que, quando Jesus fez isso, sempre causou escândalo, pois os judeus pensaram que Ele estaria usurpando uma atribuição divina.

Mas, os críticos do cristianismo sempre podem argumentar que não há como comprovar a veracidade desse tipo de perdão. Ou seja, é certo que Jesus declarou ter perdoado pecados, mas essa pode ter sido uma declaração gratuita, onde Ele tentou se fazer passar por mais do que de fato era.

Portanto, essa não é uma prova aceitável da natureza divina de Jesus. No máximo prova que Jesus acreditava ter natureza divina, só isso.

E o mesmo tipo de dúvida é levantada a respeito de outras declarações suas, como quando garantiu que algumas pessoas estavam salvas (como o ladrão crucificado ao seu lado na cruz) ou que vai voltar no final dos tempos. São declarações que somente podem ser validadas pela fé da pessoa, não por evidencias físicas.

Mas, há sim fatos que destacam Jesus dentre os demais seres humanos. Por exemplo, o episódio da sua transfiguração, quando suas vestes brilharam e Elias e Moisés apareceram para falar com Ele, evento testemunhado por três apóstolos (Mateus capítulo 17, versículos 1 a 8).

E também sua ressurreição, bem como seu comportamento logo depois, quando apareceu e desapareceu diante dos discípulos, conservou as marcas da tortura na cruz e foi elevado aos céus diante de muitas pessoas (Lucas capítulo 24, versículos 50 a 53). Essas são evidências que de fato demonstram a divindade de Jesus.

Mas, os críticos do cristianismo nunca vão se satisfazer: quando um dúvida é respondida pelos teólogos cristãos, aparecem outras. Por exemplo, em relação aos episódios que acabei de citar, os críticos alegam que as testemunhas mentiram ou exageraram.

E não há com escapar dessa “armadilha”, ou seja, de serem pedidas mais e mais evidencias. Isso ficou bem claro para mim, certa vez, quando estava conversando com um ateu. Eu lhe perguntei qual evidencia seria suficiente para ele acreditar que Jesus era mesmo o Filho de Deus. A resposta demonstrou bem essa “armadilha”: nada o faria se convencer disso. Se Deus escrevesse essa verdade nos céus, meu amigo disse que iria procurar uma explicação científica para tal evidencia. 

Portanto, para os cristãos, a Bíblia fornece provas claras sobre as duas naturezas de Jesus e o paralelo com o comportamento da luz é excelente para explicar como isso é possível. Mas, muita gente nunca vai acreditar nisso.

Com carinho

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