AS DOENÇAS DO CORAÇÃO

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Hoje vou falar das doenças do coração. Vivemos numa sociedade onde o que mais se ouve é “eu mereço isso”, “eu não gosto daquilo” e assim vai. O “eu” tornou-se o motor do nosso dia a dia. Ele conduz quase todas as nossas decisões.

A excessiva importância do “eu” contribui para gerar doenças emocionais e espirituais importantes, que eu apelidei neste texto de “doenças do coração”. Vejamos alguns exemplos:

  1. Ira: 

    Pode ser descrita como “a pessoa acha que alguém deve a ela alguma coisa“. Por exemplo, pensa que merecia um reconhecimento que não foi recebido ou mesmo um amor que lhe foi negado. A ira chega porque a pessoa se sente frustrada naquilo que entendia ser seu direito.     

  2. Culpa:

    Pode ser descrita como “a pessoa acha que deve alguma coisa para alguém e não consegue pagar essa dívida“. Por exemplo, pensa que fez algo que não devia e se sente culpada por isso. 

  3. Egoísmo

    Pode ser descrito como “a pessoa acha que vem sempre em primeiro lugar”. Essa doença gera nela dificuldade de pensar nas necessidades do próximo. Ou de abrir mão do seu interesse em favor do interesse de terceiros.

  4. Inveja:   

    Pode ser descrita como “a pessoa pensa que Deus lhe deve algo, que deu para outro/a”. Pode ser que o/a outro/a tenha mais beleza, talento, dinheiro ou mesmo sucesso. Pode ser que o/a outro/a tenha menos problemas. E assim por diante. E ela conclui que a culpa de tudo isso só pode ser de Deus pois Ele pode tudo e poderia mudar essa situação. 

  5. Orgulho:   

    Pode ser descrito como “a pessoa se considera importante e digna de reconhecimento”.  Por isso deve ter prioridade, um tratamento melhor, certas vantagens, etc.

E comum a todas essas doenças é olhar para as situações sembre privilegiando o “próprio umbigo”.  O que importa é sempre o que a própria pessoa faz, o que recebe, o que lhe é devido e assim por diante. O “eu” da pessoa tem prioridade sobre tudo.

O império do “eu” é provavelmente a maior dificuldade que existe para a construção de uma sociedade melhor e mais justa. Quando o “eu” manda e determina o que a pessoa vai fazer, coisas ruins podem acontecer: a ira explode em violência, o egoísmo vira cobiça desenfreada, a inveja se transforma em fofoca, o orgulho em arrogância e por aí vai.

Todos sofremos em algum grau com uma ou mais dessas doenças. Algumas delas estão mais presentes do que outras, mas todas se fazem notar em algum grau. E precisamos ter consciência clara disso. 

O ensinamento de Jesus
Jesus ensinou que o remédio para os “males do coração” é justamente tirar o foco do “eu”. E é dessa percepção que nascem os dois grandes mandamentos dados por Ele que resumem tudo que devemos fazer: amar a Deus sobre todas as coisas e amar ao próximo como a si mesmo

Quando a pessoa ama Deus sobre todas as coisas, tal amor passa a conduzir sua vida. E assim ela passa a seguir os princípios de vida que Deus estabeleceu, mesmo quando eles contrariam seu próprio interesse pessoal. O “eu” é domado e se torna dependente de algo maior. 

Depois, quando a pessoa decide fazer pelo próximo as coisas que gostaria que fossem feitas por ela mesma, seu “eu” muda de função. Deixa de ser a razão da vida e passa a ser uma referencia para aquilo que precisa ser feito pelo próximo. 

Agora, passar da teoria à prática não é fácil. Domar o próprio “eu”, e torná-lo dependente de Deus, não é simples. Mas felizmente há instrumentos que podem ajudar você a conseguir fazer isso. Refiro-me às disciplinas espirituais e indico cinco delas a seguir:

Confissão
O programa de luta contra o alcoolismo proposto pelos Alcoólicos  Anônimos começa exatamente pelo reconhecimento do vício e sua confissão pública. E como somos viciados no “eu”, é por aí que você precisa começar também, reconhecendo esse problema. Esse é o ponto de partida.
Perdão
Cancelar as “dívidas” emocionais que outras pessoas possam ter com você é um passo importante. Isso vai livrar seu “eu” de uma carga de mágoas, do desejo de vingança e, sobretudo, do risco de manter sua vida congelada no passado veja mais
Doação
Dedicar parcelas importantes do seu tempo ao desenvolvimento do Reino de Deus aqui na terra é uma forma muito boa de combater o egoísmo. A auto-doação tira o foco saia de cima das suas necessidades e desejos e o transfere para as outras pessoas. A experiência mostra que quanto mais a pessoa se dá, maiores frutos são gerados e eles estimulam e gratificam quem se doa.
Alegria com o sucesso dos outros
Procurar se alegrar com as realizações das pessoas que geram inveja em você é uma disciplina espiritual muito importante. E é fundamental aprender a expressar essa alegria em voz alta. E não se trata de uma atitude hipócrita, porque ela é fruto de uma decisão real de não se deixar aprisionar pela inveja.  
Realização de trabalhos aparentemente humildes
Foi isso que Jesus ensinou ao lavar os pés dos discípulos – não há melhor remédio contra o orgulho. Eu, por exemplo, quando participei de retiros espirituais, procurei sempre me auto-escalar para lavar pratos e outras coisas simples (embora frequentemente também desempenhasse tarefas consideradas mais “importantes”). Isso me ajudou a manter o foco no serviço a Deus e não na importância da minha contribuição. E posso garantir que as melhores recordações que tenho desses eventos são justamente as que fiz fazendo essas tarefas simples. 

Com carinho

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Dennis Sousa
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Dennis Sousa

Gosto muito da forma objetiva e clara com que o Sr. trata os assuntos. Muito bom o texto.
Ao ler, lembrei do que vi numa camisa escrito “INDIVIDUALISM”, isso mostra o estilo de vida que muitos estão seguido.