AS BOAS INTENÇÕES NEM SEMPRE LEVAM A BONS RESULTADOS

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A estrada para o inferno está pavimentada por boas intenções.                                                                           Ditado popular

A imprensa norte-americana publicou nesta última semana um caso comovente de boas intenções que não atingiram seu objetivo, pelo contrário, prejudicaram muito.

Em alguns parques nacionais norte-americanos vivem em liberdade manadas de bisões – animais enormes, parecidos com búfalos. Esses animais estavam quase extintos e graças a um grande trabalho de preservação da vida animal, hoje existem centenas de milhares deles vivendo em liberdade.

Uma família de visitantes desse parque encontrou um filhote de bisão parecendo perdido e com frio. Com pena, a família pegou o pequeno animal e o levou na sua van até um posto da guarda florestal.

A família, embora coberta de boas intenções, descumpriu uma regra fundamental: não interferir no curso da natureza – as pessoas podem apenas observar. O que aquelas pessoas não sabiam é que, ao ser levado para fora da vida selvagem, o filhote iria adquirir cheiros estranhos e acabaria sendo rejeitado pela manada.

E foi exatamente isso que aconteceu e o filhote acabou tendo que ser sacrificado. Uma ação muito bem intencionada acabou causando um mal não esperado.

Infelizmente, a vida espiritual está cheia de exemplos desse tipo: pessoas agem pensando estar fazendo o bem e acabam gerando um mal que nunca imaginaram. Talvez o melhor exemplo da Bíblia seja o caso dos amigos de Jó.

Para aqueles que não se lembram, Jó era um homem muito bem sucedido e um exemplo para todos de vida espiritual e moral correta. Foi submetido por Satanás a um teste de fé: perdeu quase tudo que tinha, exceto a própria vida, para ser levado a se revoltar contra Deus, coisa que acabou não acontecendo.

A Bíblia conta que no auge do sofrimento de Jó, alguns amigos o procuraram para consolá-lo. Embora a intenção desses homens fosse a melhor possível, sua ação gerou mal: ficaram longo tempo tentando convencer Jó a confessar um pecado que não tinha cometido. Os amigos atribuíam ao tal pecado inexistente todo o sofrimento pelo qual Jó estava passando – tatra-se-ia, na verdade, de um castigo de Deus.

Faltou discernimento espiritual aos amigos de Jó para perceber que, ao tentar convencer Jó de um pecado e um castigo de Deus inexistentes, estavam fazendo o trabalho de Satanás. E tanto foi assim, que o Inimigo não mais aparece no relato bíblico – não era mais preciso, pois os amigos de Jó estavam fazendo seu trabalho.

Encontramos boas intenções que levam a resultados ruins a toda hora, mesmo na igreja. Lembro de uma senhora que frequentava a mesma igreja que eu e era muito dedicada à obra de Deus. Mas ela, infelizmente, se metia a profetizar, quando não tinha esse dom – queria que alguma coisas boas acontecessem às pessoas e acabava por se convencer que tinha recebido profecias dirigidas para elas. E aí acabava por prejudicar a vida espiritual das pessoas que ouviam e acreditavam nas suas “profecias”.

Lembro também do caso das pessoas que aconselharam uma mulher, frequentemente agredida pelo marido, a perdoá-lo e voltar para ele – convenceram-na que era esse o ensinamento da Bíblia. A mulher se convenceu a aceitar o conselho recebido e votou para casa: acabou violentamente agredida e vai carregar marcas desse ataque por toda a vida.

O que fazer para não cair na armadilha de causar o mal por conta das nossas boas intenções? Há várias coisas que podemos fazer. A primeira é nos informar bem sobre as coisas sobre as quais vamos falar ou agir.

No caso da família que pegou o filhote de bisão, eles poderiam ter telefonado para os guardas florestais antes de interferir. A tal senhora que fazia profecias a torto e a direito, poderia pedir confirmação delas a Deus antes de falar delas para as pessoas e confundir suas vidas. Aqueles que convenceram a mulher a voltar para o marido agressor precisariam se informar melhor sobre o comportamento de maridos abusivos e também estudar melhor a Bíblia. Os amigos de Jó deveriam ter orado a Deus e pedido orientação, antes de ficarem ditando regras para seu amigo em sofrimento.

Segundo, orar muito antes de aconselhar e interferir na vida de alguém. Manter-se em contato próximo com Deus ajuda muito àqueles(as) que querem ajudar a não se perder pelo caminho.

Finalmente, é preciso ter humildade. Precisamos ter em mente que não sabemos tudo, nem mesmo aquilo que precisaríamos. E que erramos, mesmo quando queremos ajudar. 

Com carinho

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