A VIDA NÃO É PERMANENTE…

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Toda vez que vou a um enterro – à medida que envelheço, coisa que infelizmente vai se tornando mais frequente – sempre penso na brevidade da vida e em como as coisas podem mudar rapidamente para pior.

A verdade é que ficamos tão envolvidos com nossas atividades e preocupações diárias que vivemos como se as coisas fossem permanentes. Como se as pessoas que amamos fossem estar sempre à nossa volta. Mas esse é uma grande engano – a vida humana é transitória. Como Bíblia mesmo adverte, tudo passa, mais cedo ou mais tarde.

Penso que a falta de percepção da transitoriedade da vida é uma defesa da nossa mente para nos proteger. Um escritor conhecido disse que pensar na morte é como olhar para o sol – trata-se de coisa que só se consegue fazer por pouco tempo de cada vez. Assim, na maior parte do tempo vivemos como se tudo fosse permanente, como se as pessoas e coisas fossem continuar por aqui para sempre. Mas não vão.

E como nos enganamos a respeito do futuro, muitas vezes deixamos de demonstrar o amor e a apreciação pelas pessoas que deveríamos, talvez por achar que sempre haverá tempo para fazer isso amanhã…

Às vezes, temos sorte e essa oportunidade realmente aparece – por exemplo, meu pai, pouco antes de morrer, passou vários dias no hospital e eu tive oportunidade de conversar muito com ele e despedir-me de uma pessoa muito, mas muito importante para mim.

Outras vezes, a oportunidade não aparece e quando percebemos já é tarde demais. Um amigo meu certa vez me disse, com lágrimas nos olhos, que nunca tinha falado para seu pai que o amava.

Há uma história na Bíblia que lida com essa questão. Ela se passa depois que Pedro negou Jesus por três vezes – esse foi um pecado horrível e Pedro se arrependeu amargamente do que tinha feito – deve ter pensado que nunca mais iria ser perdoado.

Mas, para surpresa de Pedro e dos demais apóstolos, Jesus ressuscitou. E Pedro teve uma nova oportunidade. Ele estava pescando no lago da Galiléia, juntamente com outros discípulos, quando Jesus apareceu na praia. Pedro reconheceu seu Mestre e se aproximou e Jesus chamou-o de lado para uma conversa particular. E lhe perguntou, por três vezes, se Pedro o amava. Pelo mesmo número de vezes o apóstolo respondeu que sim. E ao final de cada resposta de Pedro Jesus disse-lhe a mesma coisa: pediu-lhe para cuidar do seu povo (João capítulo 21, versículos 15 a 17).

Além de perdoar a Pedro, Jesus ensinou com sua atitude que é preciso aproveitar cada oportunidade para aprofundar os relacionamentos que estabelecemos. Se Jesus não tivesse iniciado aquela conversa, certamente Pedro não teria tido coragem para dizer ao seu Mestre que o amava e quão importante Ele era na sua vida, pois estava profundamente envergonhado e sem graça.

Jesus provocou Pedro a se posicionar – a hora seria aquela e não haveria outra. Pediu a Pedro que falasse o que sentia e Pedro correspondeu. E foi perdoado. Aquele evento mudou a vida de Pedro que se sentiu reconciliado com Jesus, recuperou a auto-estima e conseguiu se tornar um dos líderes da igreja cristã.

Aprenda com Jesus e não adie coisas importantes. Ainda hoje, se tiver oportunidade, diga uma palavra ou faça um gesto de amor dirigido a alguém que seja importante para você. E faça disso um hábito.

Afinal, tudo passa e é preciso dar valor ao que se tem, enquanto temos as pessoas que amamos em nossas vidas.

Com carinho

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