A RECEITA CRISTÃ PARA UMA VIDA BOA

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Qual é a receita para viver uma vida boa? Essa questão tem sido o foco de interesse de muitos pensadores ao longo da história. Meu objetivo aqui é mostrar a resposta que foi encontrada pelo cristianismo, em comparação com as “receitas” alternativas.

Mas, preciso começar discutindo uma questão preliminar: qual é o significado da vida humana? Em outras palavras, qual é a razão para a existência do ser humano? E falo isso porque a vida boa certamente será aquela que preencher plenamente esse significado.

É evidente que pessoas diferentes, por terem visões do mundo (cosmovisões) distintas, chegarão a conclusões diversas tanto sobre o significado da vida humana, como para a receita que precisa ser seguida para viver uma vida boa. E isso não deve nos surpreender.

Como já disse, meu foco é analisar as respostas que o cristianismo desenvolveu para enfrentar essas questões.

A receita cristã
O significado da vida humana, de acordo com a cosmovisão cristã, foi estabelecido por Deus, aquele que nos criou. O cristianismo acredita que Deus fez o ser humano para estar em comunhão com Ele. Portanto, longe da presença inspiradora de Deus, a vida humana será sempre vazia e incompleta. Isto é, torna-se impossível viver uma vida boa e plena longe de Deus. Simples assim.

E o ser humano se afasta de Deus quando deixa de fazer a vontade dele, ou seja, quando comete pecados. A existência do pecado se deve ao livre arbítrio que Deus deu ao ser humano, isto é, a capacidade para escolher conscientemente entre o bem (a vontade de Deus) e o mal. Os animais não tem essa capacidade pois são dirigidos pelo instinto natural.

O ser humano, deixado por contra própria, acabará quase sempre fazendo escolhas ruins, ou seja, quase sempre irá pecar. Isto porque o ser humano tem uma tendência natural para o pecado. E é fácil perceber isso nas crianças pequenas: não é preciso ensiná-las a mentir, a serem egoístas, a se agredirem, etc. Elas fazem isso naturalmente. Mas, é preciso esforço para desenvolver nelas as virtudes, doutrinando-as a perdoar, a dividir o que é seu, etc.

Assim, para viver uma vida boa, mantendo-se junto a Deus, que é a razão de ser da vida humana, é fundamental enfrentar o problema do pecado. Não há outro caminho.

E o “remédio” para o pecado começa pela tomada de consciência da pessoa de que é pecadora. Esse é o primeiro passo. O passo seguinte é o arrependimento dos pecados cometidos. E depois vem a aceitação do sacrifício de Jesus na cruz, que gera o perdão para os pecados cometidos. E, finalmente, vem o processo contínuo de mudança interior, mediante o qual a pessoa melhora seu comportamento (santificação).

Todos esses passos precisam ser conduzido pelo Espírito Santo, pois sozinhos os seres humanos não conseguem fazer o que é preciso.

Essa é a resposta cristã para uma vida boa: tomar consciência do pecado e lutar contra ele. Aproximar-se de Deus e viver em comunhão constante com Ele.

Outras respostas 
Outras cosmovisões entendem o significado da vida humana de forma diferente. Há muitas linhas de pensamento diferentes, populares no “mercado” das ideias e não tenho espaço para discuti-las todas aqui. Vou me limitar a falar de duas delas: a visão materialista e a linha de pensamento oriental.

A visão materialista, essencialmente aquela defendida pelos ateus, entende que só existe o mundo físico. Não há espaço, portanto, para o sobrenatural. O ser humano é fruto do mecanismo de evolução das espécies (descrito por Charles Darwin) e existe por mero acaso. Sendo assim, a vida humana não tem significado. E as pessoas devem simplesmente fazer o melhor possível enquanto vivas, porque, depois, tudo se acaba.

Para os materialistas, o mal no mundo é fruto da ignorância, do desconhecimento do que se deve fazer. As pessoas são inerentemente boas e é a ignorância que as leva a fazer o que é errado, praticando o mal. Portanto, à medida que as pessoas forem sendo educadas, a sociedade humana vai melhorar e mais pessoas viverão uma vida boa. A receita para uma vida boa, segundo essa visão, é educar as pessoas.

Há variantes dessa visão, que identificam o mal na sociedade como fruto de um sistema socioeconômico injusto e explorador. E a solução dos problemas passa por uma mudança política, permitindo estabelecer um sistema mais justo, privilegiando os mais desfavorecidos.  Por exemplo, esse é a visão por trás do socialismo.

Outra cosmovisão muito conhecida é aquela que deu origem às religiões orientais (hinduísmo, budismo, etc). Ela atribui a existência do mal à falta de comunhão do ser humano com a essência do universo ou a força sobrenatural que o controla. Essa comunhão se rompe porque a pessoa se deixa levar por objetivos egoístas. E aí os problemas aparecem.

Portanto, para viver uma vida boa é preciso aprender a recompor essa comunhão plena com a essência do universo, o que é feito através de técnicas de auto-ajuda, como meditação, bem como jejum, voto de pobreza, etc. 

Qual a melhor receita?
Eu não tenho espaço aqui para desenvolver todos os argumentos relevantes para comparar essas três visões de mundo. Posso apenas dar algumas “pinceladas”, apontando caminhos. Quem estiver interessado em se aprofundar sobre esse tema deve consultar o livro “O Universo ao lado”, escrito por Sire. É um livro muito bom e fácil de ler.

As cosmovisões materialista e oriental falham pois não atacam a questão do pecado humano. Aliás, nem vêem o pecado como um problema – atribuem o mal à falta de conhecimento – do funcionamento do universo e dos direitos humanos, num caso, e das técnicas espirituais, no outro. Deixam de reconhecer a propensão natural do ser humano para fazer o mal.

Ora, pensar que tudo se resolve com a educação das pessoas ou a instituição de regras socioeconômicas adequadas para o bom funcionamento da sociedade é grande um erro. Não que educação ou regras boas sejam coisas ruins e desnecessárias, muito ao contrário. Mas isso nunca é suficiente. É preciso mais: transformação interior das pessoas, com base na ação do Espírito Santo, para mantê-las resistentes ao pecado.

O fracasso dessa linha de pensamento ficou bem claro ao longo do século XX: o mal não foi eliminado apesar do avanço espetacular no conhecimento, na educação, no reconhecimento dos direitos humanos, etc. O mal apenas se transformou, mudou de lugar. Ele está presente na dissolução crescente das famílias, na solidão cada vez maior das pessoas, na intolerância racial ou política, no abuso das drogas e na promiscuidade sexual.

Foi no século XX que aconteceram as maiores atrocidades da história, a maior parte delas comandadas por governos totalitários (como a Alemanha nazista, a União Soviética comunista, a China comunista, dentre outros) que defendiam o “aperfeiçoamento” do ser humano.

Por outro lado, a cosmovisão das religiões orientais falha porque defende o auto-aperfeiçoamento através de técnicas espirituais. E nunca trabalha a necessidade do arrependimento e do perdão de Deus.

Além disso, essa visão de mundo defende uma percepção conformista das coisas. A ideia do “karma” – as pessoas pagam na vida atual pelos males que fizeram em vidas anteriores – torna o sofrimento humano uma necessidade, pois ele é o meio de acertar as contas, pagando dívidas passadas. Não é por acaso que a Índia, a matriz das mais importantes doutrinas orientais, sempre esteve entre os países mais atrasados do mundo em termos de desenvolvimento social (o Brasil é um verdadeiro paraíso quando comparado à Índia).

Concluindo, penso que a única forma de construir uma vida boa é seguindo a receita do cristianismo. Isso não quer dizer que todas as pessoas que se dizem cristãs vão conseguir ter uma vida boa, até porque boa parte delas é cristã apenas nominalmente, pois não trilham de fato os caminhos estabelecidos por Deus. Mas, essa é a melhor receita e a única que pode dar certo.

Com carinho

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