COBIÇA: A RAIZ DE QUASE TODOS OS MALES

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O último dentre os famosos Dez Mandamentos é aquele que proíbe a cobiça. Trata-se de não desejar alguma coisa que não deveria mesmo pertencer a você, por já ser de outra pessoa. A cobiça envolve bens, dinheiro, poder, status, mas também o/a esposo/a de outra pessoa. O texto completo do décimo mandamento é o seguinte: 

Não cobiçarás a casa do teu próximo. Não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem o seu servo, nem o seu jumento, nem coisa alguma que pertença a teu próximo. Êxodo capítulo 20 versículo 17 

É interessante que exista um mandamento que não trata de atos concretos e sim de um determinado tipo de pensamento: desejar algo proibido. Os demais mandamentos falam contra determinadas ações (matar, roubar, mentir, adulterar, etc) ou cobram que as pessoas façam certas coisas (honrar pai e mãe ou guardar o sábado). Mas o décimo mandamento é diferente, pois simplesmente procura prevenir pensamentos errados para que eles não venham a se materializar em ações erradas.

De certa forma, o décimo mandamento reconhece que a cobiça é a raiz da maioria dos males. Por exemplo, cobiçar a mulher do próximo pode levar ao adultério, a vontade de se apossar de algo pertencente a outra pessoa pode levar à violência física ou à inveja e assim por diante. 

Visto dessa perspectiva, o décimo mandamento é uma “lei de cerca”, ou seja um mandamento para evitar que outros mandamentos sejam violados. Afinal, é mais fácil combater a tentação enquanto ela ainda não se enraizou na mente da pessoa do que lidar depois com atos pecaminosos concretos e suas consequências reais. Essa atitude de prevenir o mal, está bem resumida num conhecido ditado popular:

Eu não posso evitar que um passarinho pouse na minha cabeça, mas posso evitar que faça ninho. 

O “passarinho” é a tentação, o pensamento errado. Ninguém consegue evitar que esse tipo de pensamento venha à sua mente. Volta e meia algum pensamento ruim aparece e “pousa na cabeça” da pessoa. Isso é inevitável. E até aí não há pecado. O problema é deixar que esse pensamento crie raízes na mente, ou seja, faça “ninho” ali, porque desse ponto para a ação pecaminosa é um pequeno passo. É exatamente isso que o décimo mandamento pretende combater.

Agora, para evitar a formação do “ninho”, a pessoa precisa perceber quando um “passarinho” pousa na sua “cabeça”, para poder “espantá-lo” logo. Em outras palavras, a pessoa precisa conseguir discernir que a tentação está se fazendo presente e levando à cobiça. 

Pode parecer meio desnecessário dizer isso, mas não é. Na verdade, as pessoas costumam ter muita tolerância consigo mesmas. Tendem a justificar as coisas erradas que pensam com todo tipo de justificativas furadas, como “isso não é tão errado assim, há coisas piores“, ou “vou fazer isso só por pouco tempo, depois paro“. São desculpas desse tipo que permitem que o “passarinho” faça “ninho”, permitem que os pensamentos errados criem raízes.

Um comentário final importante: pode parecer estranho que entre a propriedades citadas no décimo mandamento estejam a mulher e os servos do próximo, mas é fácil de explicar a razão. Nos tempos bíblicos, as mulheres pertenciam aos homens – eram sua propriedade e o décimo mandamento apenas reconheceu aquela realidade. O mesmo pode ser dito dos servos (escravos).

Deve ficar claro, portanto, que a Bíblia não está aprovando que as mulheres se tornem propriedade dos homens e muito menos que as pessoas possam possuir escravos. A Bíblia apenas reconheceu uma realidade social e legislou em cima disso. É claro que há outras passagens onde a Bíblia prega a igualdade entre mulheres e homens e indica que a escravidão é um mal, mas essa não era a questão sendo tratada no caso do décimo mandamento.

Concluindo, o décimo mandamento é muito importante. Bem mais do que possa parecer à primeira vista. 

Com carinho 

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