A MÃO DE DEUS NA CRIAÇÃO DA BÍBLIA

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A Bíblia é a Palavra de Deus – essa é a crença dos cristãos. E vemos nela a mão de Deus. E há muitas provas de que o texto bíblico, embora escrito por diferentes autores, teve uma única supervisão, do Espírito Santo.

E tanto foi assim, que a Bíblia, mesmo tendo sido escrita ao longo de cerca de 1.500 anos, demonstra uma unicidade surpreendente. Todos os textos apontam numa mesma direção e apresentam ensinamentos coerentes entre si. E é aí que vemos a mão de Deus. 
Uma das provas dessa supervisão única do Espírito Santo, ou seja, da mão de Deus, é um fato curioso. Há uma “mensagem” embutida no texto dos livros que relatam a história do povo de Israel. Essa história começa no Êxodo e termina em Reis. Essa mensagem liga a história de Israel a violações dos Dez Mandamentos. Cada livro, na ordem em que aparece na Bíblia, corresponde à violação de um mandamento, também na ordem apresentada no texto bíblico.
É evidente que uma organização tão sofisticada não poderia acontecer por acaso. Ela requereu que uma mente única concebesse esse conjunto de textos. E, mais ainda, que influenciasse os autores dos vários livros da Bíblia a escrever a coisa certa. Foi preciso que a mão de Deus se fizesse presente. 
Os textos que vão de Êxodo a Reis, oito livros no total, cobrem nove mandamentos, não havendo referencia direta apenas ao último dos Dez. Trata-se do mandamento que proíbe cobiçar aquilo que é dos outros. Mas é claro que a violação desse último mandamento está implícita na violação dos demais. Afinal o roubo ou o adultério, por exemplo, somente podem acontecer se antes a pessoa tiver se deixado levar pela cobiça daquilo que não lhe pertencia.
Os pecados em Israel eram coletivos
Vamos ver como essa mensagem é apresentada passo a passo. Mas, antes de tudo, é importante compreender que os pecados no Velho Testamento são sempre tomados de forma coletiva, mesmo quando praticados por uma única pessoa. Veja um exemplo disso em Juízes capítulo 7, versículo 1:

Mas os israelitas foram infiéis com relação às coisas consagradas. Acã, filho de Carmi, filho de Zinri, filho de Zerá, da tribo de Judá, apossou-se de algumas delas. E a ira do Senhor acendeu-se contra Israel.

Repare que quem cometeu o pecado foi um homem, Acã, mas o texto diz que o povo como um todo foi infiel. E tanto essa abordagem coletiva é verdadeira que o povo foi punido com a derrota na batalha pela cidade de Aí, que se seguiu ao pecado de Acã. Somente depois que Acã foi punido, o povo recebeu o perdão de Deus e pode seguir em frente.
Esse procedimento parece estranho aos nosso olhos pois hoje entendemos os pecados como individuais. Mas hoje vivemos na Nova Aliança, marcada pelo sangue de Jesus, conforme o relato do Novo Testamento. No Antigo Testamento, na Velha Aliança com Deus, a promessa foi dada para os descendentes de Abraão. E era o fato de pertencer a Israel, por laços de sangue, que dava à pessoa acesso às bençãos de Deus prometidas a Abraão. Portanto, havia na Velha Aliança uma ligação íntima entre o individual e o coletivo: a bênção coletiva migrava para cada pessoa, mas o pecado pessoal também se refletia sobre todo o povo.
É claro que com Jesus, essa realidade mudou: as promessas passaram a ser individuais e o relacionamento com Deus tornou-se responsabilidade de cada pessoa, não mais de uma coletividade.
Vejamos, então, onde a violação dos nove primeiros dos Dez Mandamentos  aparece no relato dos oito primeiros livros da história de Israel. Vamos ver como a mão de Deus se faz presente nesses relatos:
1) Êxodo
Esse livro fala da violação dos dois primeiros mandamentos: não ter outros deuses diante do nosso Deus e não adorar imagens de escultura.
Ora, quando Israel foi se encontrar com Deus no Monte Sinai, ficou esperando durante muitos dias por Moisés, que tinha subido no monte. Durante esse período, o povo se revoltou e construiu um bezerro de ouro e adorou outros deuses (Êxodo capítulo 32, versículos 1 a 8).
Vemos aí o padrão sendo estabelecido: o primeiro livro da história de Israel fala também do descumprimento dos dois primeiros mandamentos.
2) Levítico
O terceiro mandamento é aquele que proíbe tomar o nome de Deus em vão. E esse mandamento é violado no livro de Levítico, que segue o livro do Êxodo. No Levítico é relatada a história de um homem da tribo de Dã que blasfemou contra o nome de Deus (capítulo 24, versículos 10 a 23).
Esse homem foi preso e a comunidade aguardou que Deus se manifestasse. E Deus mandou que o homem fosse apedrejado pela congregação como um todo. Em outras palavras, todos, inclusive aqueles que testemunharam o crime e nada fizeram para impedi-lo, precisaram participar da punição e deixar claro que não concordavam com o que tinha sido feito.
3) Números
O mandamento seguinte se refere à guarda do sábado. E no livro que se segue, Números, essa lei é violada (capítulo 15, versículos 32 a 36): um homem é pego colhendo lenha (trabalhando) no dia do sábado. E ocorre a mesma coisa que no caso anterior: o homem é preso, Deus dá a sentença de morte e toda a comunidade participa do apedrejamento. 
4) Deuteronômio
A lei que se segue é aquela que manda honrar pai e mãe. O livro seguinte na história de Israel é o Deuteronômio. E, não por acaso, há nele o relato indireto de uma violação a essa lei (capítulo 21, versículos 18 a 21):

Se um homem tiver um filho obstinado e rebelde que não obedeça nem ao pai nem à mãe, ainda que estes o castiguem para o corrigir, então seus pais deverão trazê­-lo perante os anciãos da cidade e declarar: ‘Este nosso filho é obstinado e rebelde e não quer obedecer; além disso é um comilão e beberrão incorrigível.’ Os homens da cidade apedrejá­-lo-­ão até morrer. Dessa forma tirarão o mal do vosso meio; e todos os outros jovens de Israel ouvirão isso que aconteceu e terão medo.

No texto acima, é detalhado um exemplo concreto de violação ao quinto mandamento – o caso de um filho obstinado e rebelde, que também comia e bebia demais. Esse caso foi usado para exemplificar bem o tipo de situação abrangido pela lei.
5)  Josué
Antes de falar da violação em si é preciso discutir a questão da ordem dos Dez Mandamentos. Há uma ordem apresentada no relato do Êxodo e do Deuteronômio, onde os mandamentos seis a oito são: não matarás, não adulterarás e não roubarás. Mas em Jeremias capítulo 7, versículo 9, os mesmos mandamentos são citados numa ordem diferente: não roubarás, não matarás e não adulterarás.
Isso comprova que a ordem exata em que os mandamentos foram reconhecidos pelo povo de Israel variou um pouco, o que não muda seu conteúdo ou significado espiritual. E a discussão que faço aqui segue a ordem estabelecida em Jeremias.
Então, está na vez do mandamento que proíbe o roubo. E o livro da vez é Josué, onde há o relato da desobediência de Acã, que já foi citada no começo desta postagem. Os israelitas tinham sido ordenados por Deus a nada pegarem do espólio obtido como fruto da conquista da cidade de Jericó. Acã desobedeceu, guardando (roubando) para si parte do espólio. E acabou punido e morto (capítulo 7, versículos 14 a 26).
6) Juízes
O mandamento seguinte refere-se a não matar. E com efeito há uma referencia a ele no livro de Juízes (capítulos 19 e 20). Trata-se da história da concubina de um levita, que foi estuprada e morta pelos homens da cidade de Gibeá. Esse crime está descrito no capítulo 19, versículo 30 como o pior da história de Israel.
E a tribo de Benjamim, em cujo território ficava a cidade de Gibeá, cometeu o crime adicional de se recusar a colaborar na punição do mal feito. As demais tribos se reuniram e derrotaram Benjamim, restabelecendo a justiça e impedindo que houvesse um racha no povo de Israel.
7) Samuel
O oitavo mandamento, na ordem que escolhemos, fala contra o adultério. E há um único caso na Bíblia em que esse tipo de pecado é tratado com todos os seus detalhes sórdidos. E isso está exatamente no livro de 2 Samuel (capítulos 11 e 12). Trata-se do adultério do rei Davi com Bate Seba, que levou à morte de Urias, o marido traído.
O relato da Bíblia indica que esse adultério foi de grande importância para a vida de Davi, como também para todo o povo de Israel – todos os problemas que o rei sofreu a partir daí, como a rebelião do seu filho Absalão, estão de alguma forma ligados ao pecado por ele cometido.
8) Reis
Chegamos ao último mandamento, que proíbe o falso testemunho e ao último livro da série histórica, que é o de Reis. E a violação do nono mandamento envolve outro rei, agora Acabe.
O rei cobiçava a vinha de um homem, Nabote e tentou comprar aquela propriedade por meios legais, mas o dono se recusou a vender. Aí a rainha Jezebel montou uma acusação falsa contra Nabote que acabou sendo julgado e morto. E Acabe se apossou da vinha (1 Reis capítulo 21).
Palavras finais
A Bíblia foi escrita por dezenas de autores diferentes, ao longo de muitos séculos. Em alguns casos o texto original ainda foi editado, depois de escrito, como aconteceu com os cinco livros iniciais do Velho Testamento.
Ainda assim se nota nesse conjunto de textos unicidade, comunhão de propósitos e coerência. E isso não pode ser devido a mãos humanas.  Trata-se da mão de Deus. Com efeito, sabemos que tudo foi obra do Espírito Santo, que inspirou cada autor a escrever aquilo que deveria.
Por causa disso, a Bíblia é, para nós, cristãos, a Palavra de Deus. Completa e sem erros. E a mão de Deus pode ser notada no seu texto. 

Com carinho

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