A LIÇÃO DA CRISE

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Qual lição tirar da crise atual? O quê aprender de tudo que está acontecendo? Essas perguntas são interessantes porque as grandes crises costumam gerar consequências importantes. E a crise do coronavírus não será diferente das demais.

A primeira lição que você pode tirar dessa crise parte da constatação que o mundo mudou de forma permanente. Quando a crise passar, as coisas não voltarão a ser o que eram. Muitas coisas passarão a ser feitas de forma diferente. Muitas mudanças vieram para ficar.

Nem todas as mudanças serão boas. Às vezes, as coisas mudam para pior. Por exemplo, a crise gerada pelo ataque terrorista às torres gêmeas de Nova Iorque, em 2001, trouxe enormes mudanças nos procedimentos de segurança para viagens internacionais de avião. Ficou muito mais difícil viajar do que antes. 

Certamente, também ocorrerão mudanças positivas. Por exemplo, a quarentena vem obrigando as famílias a reaprender a conviver de forma mais próxima, com mais intimidade, e isso é bom. 

O mundo futuro não será perfeito, e nem poderia ser, pois a essência das pessoas continua a mesma. E hoje não dá para saber qual será o resultado final de todas as mudança: vamos avançar ou regredir? 

Muitas as mudanças às quais me refiro serão inevitáveis, isto é, elas ocorrerão você concordando, ou não, com elas. O maior rigor na segurança dos vôos internacionais é um bom exemplo de mudança obrigatória. Outro exemplo de mudança inevitável é a transferência de muitas atividades do mundo físico para o virtual. Mais compras serão feitas pela Internet, muitas aulas passarão a ser dadas à distância, haverá aumento na quantidade de pessoas trabalhando em casa e assim por diante. Isso tudo vai acontecer por causa da redução dos custos administrativos, da minimização da necessidade de deslocamentos urbanos e pela diminuição de possíveis riscos de contágio, dentre outras vantagens. E a quarentena funcionou como ensaio geral para a generalização dessa tendência.

Muitas mudanças serão obrigatórias, mas nem todas. Outras mudanças vão depender das suas escolhas. E você vai precisar fazê-las para se adaptar à nova realidade. E, caso você não mude, passará a se sentir como “um peixe fora d’água”.

Uma sobrinha minha, psicóloga competente, confessou-me que não gosta de usar a tecnologia que permite reuniões e consultas virtuais. Ela vai precisar aprender a superar essa rejeição. Vai precisar aprender a conviver bem com as novas tecnologias para não ficar ultrapassada.

A segunda lição da crise decorre diretamente da primeira: é preciso aceitar as mudanças, mesmo quando você não gostar delas. Resistir, tornando-se um saudosista do passado, só tornará as coisas piores para você. Só fará sua vida mais difícil.

A Bíblia traz um exemplo muito interessante do perigo do saudosismo cego, quando a mudança é inevitável. O povo de Israel tinha saído do Egito, deixando para trás mais de 400 anos de escravidão. As pessoas tiveram que caminhar muitos anos pelo deserto, antes de entrar na Terra Prometida. E, periodicamente, o povo começou a  se queixar de Deus e de Moisés. Veja o relato de Números 11:4-10:

Um bando de estrangeiros que havia no meio deles encheu-se de gula, e até os próprios israelitas tornaram a queixar-se, e diziam: “Ah, se tivéssemos carne para comer! Nós nos lembramos dos peixes que comíamos de graça no Egito, e também dos pepinos, das melancias, dos alhos porós, das cebolas e dos alhos. Mas agora perdemos o apetite; nunca vemos nada, a não ser este maná!” O maná era como semente de coentro e tinha aparência de resina e o povo o colhia nas redondezas, e o moía num moinho manual ou socava-o num pilão; depois cozinhava o maná e fazia bolos. O gosto era de bolo amassado com azeite de oliva. Quando o orvalho caía sobre o acampamento à noite, também caía o maná. E Moisés ouviu gente de todas as famílias se queixando, cada uma à entrada de sua tenda.

O povo de Israel ficou olhando para trás e se esqueceu do sofrimento passado no Egito, durante a escravidão. E os israelitas acabaram fazendo pouco das bênçãos que Deus estava derramando sobre eles. Uma dessas bênçãos era o maná, o pão caído do céu. Como o deserto não tinha comida, Deus mandava diariamente o maná. Ao invés de serem gratos, os israelitas começaram a reclamar que a comida no Egito era melhor e mais variada! Desprezaram a dádiva de Deus.

O povo de Israel foi ingrato com Deus e Moisés, um pecado terrível. E isso também pode acontecer com você, caso você caia numa posição de inconformidade com as mudanças. Aí, você pode facilmente perder a perspectiva do que Deus faz na sua vida.

O terceiro ensinamento é tirado bem do começo do texto de Números citado acima, na parte onde são citados os “estrangeiros”. Quando os israelitas saíram do Egito, muitos estrangeiros viajaram com eles. Essas pessoas tinham visto o poder de Deus, demonstrado durante vários eventos extraordinários, como as pragas e a abertura do mar, e concluíram ser bom ficar do lado de uma divindade tão poderosa. Mas, esses estrangeiros não eram convertidos de fato a Deus. 

E, quando eles foram surpreendidas pelas dificuldades inesperadas durante o trajeto até a Terra Prometida, foram os primeiros a reclamar e, ainda pior, influenciaram o povo de Israel a fazer o mesmo. 

Você sempre terá ao seu lado pessoas que não seguem sua fé – os “estrangeiros”. Elas fazem parte da sua vida e não há nada de errado com isso. Mas, tenha cuidado com aquilo que essas pessoas falam e recomendam, pois elas não têm perspectiva da presença de Deus na sua vida. Os “estrangeiros” podem facilmente desencaminhá-lo, especialmente nos momentos de maior dificuldade.

A quarta lição talvez seja a mais importante. Como já comentei, há mudanças que dependerão das suas escolhas. E isso significa ajustar suas prioridades pessoais – definir aquilo que é importante na sua vida, quais hábitos enfatizar e quais deixar para trás. Assim, você precisa aprender a selecionar as prioridades certas. Mas, como fazer isso? 

Acho que essa resposta passa por um dos dois grandes mandamentos dado por Jesus, na chamada “Lei do Amor” (Lucas 10:25-28):

Ame o Senhor, o seu Deus, de todo o seu coração, de toda a sua alma, de todas as suas forças e de todo o seu entendimento.

Deus deixou de ser a coisa mais importante na vida da maioria das pessoas. Um monte de outras coisas passaram a ser mais importantes do que Ele, como família, emprego, lazer e posição social. Até times de futebol do coração passaram a andar na frente de Deus.

É por isso que uma das desculpas que mais ouço, quando incentivo algumas pessoas a trabalhar na obra de Deus, é que lhes falta tempo. Ou seja, Deus não vem em primeiro lugar.  

Suas prioridades talvez precisem mudar, com Deus sendo colocado em primeiro lugar, balizando sua vida e inspirando suas escolhas. E, se isso acontecer, suas decisões serão sempre para melhor.

Concluindo, a primeira lição dessa crise é que o mundo vai mudar bastante, mas nem todas as mudanças serão boas. Existirão mudanças obrigatórias e outras que vão depender de você. 

A segunda lição é não ficar agarrado ao passado, pois isso nada gera de produtivo. E, sobretudo, nunca deixar de perceber a presença de Deus na sua vida, mesmo naquilo que você não gosta ou não concorda. Cuidado para não ser ingrato.

A terceira lição é cuidado com os conselhos dos “estrangeiros” – as pessoas presentes na sua vida que não se apoiam em Deus. Elas podem facilmente desencaminhá-lo, especialmente nos momentos de maior dificuldade, como nas travessias dos “desertos” da vida.

Finalmente, há mudanças que vão depender das suas escolhas, isto é, das prioridades determinadas por você mesmo. E para poder escolher bem, você precisa aprender a colocar Deus em primeiro lugar, deixando que tudo o mais seja decorrência disso.

Com carinho

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