A GANGORRA DA VIDA

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Como caíste do céu, ó estrela da manhã, filho da alva! … Tu dizias no teu coração: Eu subirei ao céu; acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono … e serei semelhante ao Altíssimo. Contudo serás precipitado para o reino dos mortos, no mais profundo do abismo.Isaías capítulo 14, versículos 12 a 15

Aquele pois que pensa estar em pé, veja que não caia.” 1 Coríntios, capítulo 10, versículo 12

Num certo momento da minha vida profissional, fiz amizade com o Diretor Técnico de uma grande estatal. Uns três anos depois, com a troca do governo federal, meu amigo perdeu seu cargo, como costuma acontecer nessas posições políticas. Do dia para a noite, passou de executivo poderoso a desempregado.

Com o passar do tempo, ele percebeu que eram muito poucos os seus amigos verdadeiros. Quando tinha poder, ela vivia cercado de aduladores, mas depois foi abandonado. Lembro-me de ouvi-lo dizer: “Vinicius, o telefone nem toca mais”. Ele nunca mais se recuperou e veio a falecer poucos anos depois.

Se a história humana tem uma coisa constante é a constante subida e descida de pessoas, empresas e nações. Certa vez um político brasileiro, num raro momento de lucidez, reconheceu isso ao declarar: “Eu não sou Ministro de Estado, eu estou Ministro”.

É isso mesmo: o poder é sempre transitório e um dia acaba. Por exemplo, a Grécia foi o berço de uma civilização admirável – dominou o mundo por alguns séculos e continuou a influenciar muitas nações, como Roma, por mais tempo ainda. Hoje esse país está humilhado – sua economia está numa recessão profunda desde 2009 e a situação está cada vez pior.

E o que não dizer de Portugal, que dominou os mares no início do sec XV, construindo um grande império. Hoje infelizmente é uma sombra pálida daquilo que já foi. O mesmo se passa com a Espanha e a Inglaterra. Os primeiros sinais da decadência dos Estados Unidos já são visíveis no horizonte.

Há ainda casos interessantes, como o da China, que tinha uma economia maior do que toda a Europa no início da Idade Média, depois caiu e virou uma simples colônia inglesa. Agora volta a uma posição de importância – provavelmente vai se transformar na maior potência econômica do mundo nos próximos anos. Mas isso não será para sempre.

O mesmo acontece com as empresas poderosas – há muitas histórias desse tipo com elas. A Varig dominou durantes décadas o mercado brasileiro de viagens áreas internacionais. Quando no exterior, os brasileiros visitavam as lojas da Varig para trocar novidades e até ler jornais brasileiros – elas funcionavam como consulados brasileiros informais. Essa grande empresa faliu, virou pó.

O que dizer do Banco Nacional, do Banespa, do Mappin, da Mesbla, da VASP, da Cruzeiro do Sul e de tantas outras empresas outrora poderosas e orgulhosas, quando estavam no seu tempo de glória.

As pessoas – políticos, artistas, executivos, etc – passam pelo mesmo processo: seu tempo vem e passa. Certa vez fui convidado para participar da festa de 40 anos de vida de uma empresa de engenharia da qual meu pai foi fundador e presidente. Ele somente foi citado por 10 segundos, durante o histórico da empresa, embora tenha feito muito – sou testemunha disso. Fiquei meio chocado e aí me lembrei que é assim mesmo – o que importa é quem está presentemente no poder. Quem passou, passou. Agora, o executivo no poder hoje também será esquecido amanhã, como aconteceu com meu pai.

Políticos assumem o poder e dele caem. Artistas ficam famosos(as) e são adorados(as) por milhões e depois esquecidos(as). Uma grande atriz de cinema – Greta Garbo – sabendo disso, quando começou a envelhecer, passou a viver reclusa, para que ninguém testemunhasse sua ruína física. Abandou a fama antes que a fama a abandonasse.

O ensinamento da Bíblia

Os dois textos apresentados no início deste post trazem ensinamentos muito deles. O primeiro deles aborda tanto a queda do império da Bailônia, como a de Satanás, que originalmente era o arcanjo Lúcifer (a “Estrela da Manhã”). Em ambos os casos, o orgulho e a presunção levaram os que estavam em posição de poder à destruição.

Dificilmente uma pessoa que chegue a uma condição de grande destaque vai se lembrar, nos seus momentos de glória, que amanhã poderá estar em situação completamente diferente.

Os Romanos durante muito tempo usaram uma prática interessante para manter esse ensinamento vivo. Eles tinham o costume de proporcionar aos grandes generais uma parada triunfal comemorativa das suas vitórias. O desfile entrava em Roma mostrando para o povo os tesouros e escravos conquistados. E o general homenageado normalmente desfilava numa biga imponente, vestindo sua mais bonita armadura e ornado com uma coroa de folhas de louro. Mas, atrás dele, sempre ia um escravo falando continuamente ao seu ouvido: “Lembre-se que você é apenas humano”.

Outro ensinamento – esse no texto do apóstolo em em 1 Coríntios – indica que quem está em posição de destaque hoje precisa tomar cuidado para não causar a própria queda. O poder atual não é garantia para o dia de amanhã. A santidade atual não garante a santidade futura. Tudo pode mudar rapidamente. E é preciso tomar muito cuidado com o que se faz. Sempre.

Resumindo, sua confiança não pode nunca estar na posição de destaque que ocupa, nos bens que já conseguiu amealhar, nas relações de amizade que construiu e assim por diante. Claro que tudo isso é importante e torna a vida mais fácil, mas nenhuma dessas coisas por si só é suficiente. Somente Deus pode lhe dar as garantias que você tanto precisa.

Por isso lembre-se de olhar para Ele, não somente nos momentos de dificuldade, mas principalmente quando tudo estiver indo muito bem.

Com carinho

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