O QUE É MAIS IMPORTANTE: EMOÇÃO OU RAZÃO?

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O apelo para a emoção das pessoas durante os cultos evangélicos é muito comum. O louvor e pregação costumam dar preferência a temas que levantam o astral das pessoas, fazendo-as se sentir amadas, protegidas e abençoadas por Deus. 

Eu não vejo nada errado em apelar para a emoção das pessoas, seguindo o exemplo do cinema, televisão, teatro e literatura. É possível sim falar de coisas sérias – como do relacionamento com Deus – e ao mesmo tempo encantar e entreter as pessoas. 

O problema real aparece quando as igrejas só fazem isso. Culto após culto, a ênfase é sempre na emoção e no entretenimento. E as pessoas acabam aprendendo a se relacionar com Deus somente dessa forma. Para muitos(as) evangélicos(as), cultos onde as pessoas não venham a se emocionar parecem não ter espiritualidade real. São percebidos como “frios”. E isso não é verdade.

Esse problema é muito mais comum do que talvez você tenha se dado conta – afinal, boa parte das igrejas pentecostais age exatamente assim.

Quando o apelo é somente para emoção, fica faltando um outro lado: a busca do conhecimento e do entendimento da doutrina cristã. Na verdade, é isso que faz as pessoas crescerem na fé e encontrarem forças para enfrentar o desafio de viver uma vida cristã em meio às dificuldades e aos problemas que sempre aparecem. Esse é um território onde as emoções pouco ajudam.

Há uma “lenda urbana” no meio evangélico que defende a tese que a fé verdadeira deve ser “cega” – não é preciso buscar explicações para nada, basta sentir e crer. E seria isso que Deus espera de nós.

Mas não é isso que a Bíblia ensina, como é possível ver no exemplo do texto abaixo: 

Antes, santificai ao Senhor Deus em vossos corações; e estai sempre preparados para responder com mansidão e temor a qualquer que vos pedir a razão da esperança que há em vós. 1 Pedro capítulo 3 versículo 15

O apóstolo Pedro orientou as pessoas a darem respostas para quem lhes pedir a razão para a sua esperança (fé). Ora, somente pode apresentar a razão para sua fé quem entendeu o que a doutrina diz e aprendeu como aplicá-la na prática.

Em outras palavras, o apóstolo Pedro não defendeu uma fé cega, muito ao contrário disso. Ele falou de uma fé apoiada na razão, no estudo da doutrina. Na discussão das eventuais dúvidas.

Comunidades de fé que somente exploram a emoção e não investem em ensinar as pessoas a usar seu entendimento, sua razão, ficam “capengas”. Acabam por gerar cristãos(ãs) infantilizados(as), que nunca sabem responder os questionamentos que ouvem sobre sua fé. Não conseguem enfrentar por conta própria os desafios que a vida vier a colocar à sua frente, tornando-se dependentes espiritualmente dos seus pastores. Mas esse não é o ensinamento da Bíblia – Jesus preparou seus discípulos para irem pelo mundo e viverem o cristianismo.

As igrejas costumam explorar mais as emoções porque conseguem resultados mais rápidos e mais fáceis. Um único pregador pode, numa pregação bem feita, emocionar milhares de ouvintes em poucos minutos. Discipular essas mesmas pessoas nos caminhos de Jesus pode levar anos e requerer o concurso de dezenas de discipuladores(as).

Repare que Jesus, ao longo dos seus três anos de ministério, desenvolveu apenas doze apóstolos. Ele pregou sim para milhares de pessoas, curou centenas de doentes, mas somente discipulou de fato um punhado de homens.

Agora, o que tudo isso tem a ver com você? Simples: ao escolher a igreja que irá frequentar, onde vai desenvolver suas atividades religiosas, busque uma comunidade que desenvolva as duas coisas de forma equilibrada. Fale sim á emoção, pois isso é necessário para motivar e inspirar. Mas também não deixe de ensinar, em Escola Bíblica ou pequenos grupos de estudo, a doutrina cristã, conforme a Bíblia apresenta. As duas coisas precisam andar sempre juntas. 

Com carinho

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