A FALTA QUE O AMOR FAZ

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“E Jesus respondeu-lhe: O primeiro de todos os mandamentos é: …Amarás, pois, ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento, e de todas as tuas forças; este é o primeiro mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Não há outro mandamento maior do que estes.”   Marcos capítulo 12, versículos 30 e 31

Os principais mandamentos de Deus são baseados no amor – amá-lo sobre todas as coisas e também ao próximo, como a si mesmo(a).

Repare que esses mandamentos falam de três objetos do seu amor: Deus, você mesmo(a) e o próximo. E a razão para isso é simples: tudo está interligado. O amor a Deus leva você a valorizar e amar a si mesmo(a), como também ao seu próximo, ao reconhecer que em cada ser humano reside a centelha divina, a fonte da vida. 

Por outro lado, o seu amor por si mesmo(a), somado ao entendimento de ser Deus a fonte de tudo de bom que existe na sua vida, conduz você a amá-lo. E assim por diante.

Acredito que o desamor (a falta de amor) é a raiz da maior parte dos males que existem na sociedade humana. Se o mandamento do amor ao próximo fosse seguido à risca por todo mundo, por exemplo, sem dúvida viveríamos no melhor dos mundos, sem injustiças, sem violência e sem miséria. 

A falta de amor, portanto, é um pecado sério. E como você deve amar a Deus, a você mesmo(a) e ao seu próximo, o desamor também pode se fazer presente em uma ou mais dessas áreas da sua vida.

Falta de amor a Deus 
O desamor a Deus é muito mais comum do que se possa imaginar. Por exemplo, quando a pessoa vai bem na sua vida, costuma se esquecer de Deus, ficando mais preocupada em aproveitar bem aquilo que conquistou e o bom momento que vive.

Deus acaba perdendo importância – a pessoa até pode acreditar que Ele existe e conhecer seus mandamentos, mas não lhe a Deus dá qualquer prioridade. Vive como se Deus não existisse – sei bem como é isso, pois já fui assim.

Agora, quando a maré da vida vira e os problemas aparecem, a pessoa volta correndo para Deus, pedindo e esperando livramento. É quando ela se dá conta da sua completa dependência d´Ele – afinal, até o ar que respira é proporcionado por Deus.

O problema é que se aproximar de Deus na dor – em meio à angústia e sofrimento – pode levar a construir um relacionamento com Ele não com base no amor e sim na esperança de ter os próprios problemas resolvidos. E isso não leva à construção de um relacionamento saudável.

Há também quem busque se relacionar com Ele na base da troca. A pessoa julga que por se comportar bem – por seguir os mandamentos que Deus deu e/ou trabalhar com dedicação na sua Obra – vai conseguir juntar mérito suficiente e garantir, em troca, proteção e bençãos. Outra maneira pouco saudável de se relacionar com Ele.

O relacionamento da pessoa com Deus precisa ser baseado naquilo que Deus é, ou seja na sua natureza, e não naquilo que Ele pode vir a fazer – como bem disse o profeta, ainda que me falte tudo, ainda assim eu parei e louvarei a Deus (Habacuque capítulo 3, versículos 17 e 18).

Deus não vai abençoar você por conta do seu merecimento. Não mesmo. Ele vai abençoar você por causa da sua Graça. Por causa do amor que Ele tem por você. E espera que você o ame também, de forma livre e desinteressada, pois só esse tipo de amor tem valor verdadeiro. 

Falta de amor a si mesmo(a)
O padrão de amor que você deve ter pelo seu próximo é o amor que tem por si mesmo(a). Isso significa que o amor próprio é muito importante. Fundamental mesmo.

Mas, canso de ver por aí demonstrações de pessoas de falta de amor por si mesmas. Por exemplo, praticando hábitos de vida nocivos, como vícios, promiscuidade sexual, alimentação desregrada e tantas outros coisas.    

Por que as pessoas agem assim? Há várias respostas, como baixa auto-estima, falta de informação sobre os danos que pode vir a sofrer, busca exacerbada pelo prazer e até mesmo a culpa (a pessoa não se sente digna). Não tenho espaço aqui para discutir cada um desses aspectos, assim vou me concentrar apenas no último deles – a culpa -, por ser frequente, especialmente no meio cristão. 

Até certo ponto, é claro que a culpa é necessária, pois é ela que detona o arrependimento quanto aos atos errados e pode levar à busca de mudança na forma de agir. Mas, a culpa não pode se transformar numa constante, naquilo que define  a vida da pessoa. Ela não pode acabar se julgando indigna de ser amada, até mesmo por si própria. Culpa nesse grau leva à destruição.

Penso que culpa assim caminha junto com a crença da pessoa que ela não vai ser perdoada por Deus porque seu pecado foi sério demais – conheço uma mulher que cometeu aborto quando jovem e nunca conseguiu sair da armadilha da própria culpa. 

Ora, não há pecado que Deus não perdoe, exceto o cometido contra o Espírito Santo (veja mais), que não é o caso aqui. A Bíblia está cheia de exemplos de grandes pecadores que foram integralmente perdoados, como Davi, o adúltero assassino, ou mesmo Pedro, o medroso traidor. 

Você precisa entender o valor que tem e aprender a se amar como merece. Até porque, se não fizer isso, como vai de fato amar seu próximo? Lembre-se sempre que não foi por acaso que Jesus ligou as duas coisas.  

Falta de amor ao próximo
Esse tipo de desamor tem muitas faces, mas vou me limitar a tratar do egoísmo e da inveja. Essas duas questões estão ficando cada vez mais importantes na nossa sociedade sofreu e por uma razão muito simples: ao longo das décadas os valores mudaram e a sociedade passou a priorizar cada vez mais o “ter”, em lugar do “ser”. 

Ora, os relacionamentos humanos são muito melhores – mais estáveis e prazerosos – quando o “ser” predomina, como ocorre na família e, algumas vezes, na igreja. Na família, normalmente, as pessoas são aceitas pelo laço de sangue, isto é por quem são, independentemente de seu sucesso profissional, status social e/ou situação financeira e/ou poder. Agora, no mundo do “ter”, basta perder o dinheiro, o status e/ou o poder para que a pessoa perca rapidamente o valor. 

Como o “ter” se tornou dominante, a inveja (que é desejar aquilo que a outra pessoa tem e você não) e o egoísmo (querer tudo para si mesmo), sentimentos naturais em todo ser humano, saíram totalmente do controle. Vivemos cada vez mais num mundo dominado por esse tipo de sentimento.

A inveja faz mal para a própria pessoa, pois não lhe permite ver o que já tem de bom, pois sempre aquilo que a outra pessoa tem parece ser melhor. E inveja gera todo tipo de problema, como mentira, traições, roubos, etc. 

O egoísmo leva a pessoa a se colocar em primeiro lugar – é um adoecimento do amor próprio. A pessoa se preocupa apenas com o próprio “umbigo” – ela mesma e quem ela ama (a própria família e alguns amigos). Não há qualquer interesse pela vida do próximo. E é nesse tipo de terreno que floresce o mal, como a exploração do mais fraco, a hipocrisia, a mentira, etc. 

A incapacidade de amar ao próximo foi uma das coisas com as quais Jesus mais se preocupou, pelos males que tal tipo de atitude gera. Boa parte das suas pregações tocaram nesse aspecto. 

Palavras finais
O amor a si mesmo(a), a Deus e ao próximo estão interligados. O processo de amar, dentro da receita de Deus, é uma coisa completa. Abrange tudo: Deus, você mesmo e as pessoas no seu entorno. Não se consegue seguir apenas parte dessa receita. É preciso  cumprir o ciclo completo. Simples assim.

Com carinho

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