A EPIDEMIA QUE ABALA A SOCIEDADE

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Hoje vamos falar de um problema que é uma verdadeira epidemia na  sociedade moderna: a depressão.

Alguns anos atrás, a comunidade cristã ficou chocada com a notícia do suicídio de um rapaz de apenas 27 anos. Ele se chamava Matthew e era filho de Rick Warren, pastor de uma das maiores igrejas evangélicas do mundo. Esse pastor é muito conhecido por livros como “Uma igreja com propósitos” e “Uma vida com propósitos”.

O rapaz cometeu esse ato depois de longa depressão que o deixou incapacitado para a vida normal. Segundo o depoimento do pai, Matthew recebeu o melhor tratamento médico possível e teve grande cobertura espiritual e, mesmo assim, não conseguiu resistir.

O pastor Warren relatou para sua igreja um diálogo que teve com o filho, pouco antes da morte do rapaz, quando o filho lhe disse: “Pai, eu sei que vou para junto de Jesus. Então, por que essa dor não acaba logo?”

A sociedade atual vive verdadeira “epidemia” de depressão. E foi exatamente assim que a revista Christianity Today se referiu a esse problema. Relatório feito alguns anos atrás pela Organização Mundial de Saúde mostrou que depressão é a segunda maior causa de incapacitação das pessoas, logo depois das doenças cardiovasculares. Cerca de 25% da população mundial já teve ou terá depressão severa. E, em qualquer momento, pelo menos 5% da população está deprimida. No Brasil, isso equivale a cerca de 10 milhões de pessoas deprimidas, população equivalente à da região metropolitana de São Paulo. 

Os estudos indicam também que a depressão se faz presente no meio cristão com a mesma força que no restante da população. Assim, de cada 20 frequentadores de uma igreja, 1 está severamente deprimido. 

Como explicar essa epidemia?
Acho que há dois aspectos a considerar. Em primeiro lugar, hoje há uma compreensão maior sobre a doença “depressão”, por causa dos recursos mais avançados de diagnóstico de que dispomos. Portanto, mais casos de depressão são registrados.
Um bom exemplo da falta de entendimento da depressão, tempos atrás, pode ser visto no filme “Patton”, que conta a vida de um famoso general norte-americano da II Guerra Mundial. Certa vez, Patton foi visitar um hospital para feridos de guerra. Aí chegou perto de um soldado que não tinha ferimento aparente e lhe perguntou como estava. O soldado, claramente deprimido, não conseguiu explicar direito seu problema. O general se irritou com aquela situação, chamou o rapaz de covarde, deu-lhe um tapa na cara e o mandou de volta para a frente de combate. Patton foi punido por causa disso.
Hoje isso dificilmente aconteceria pois quase todo mundo sabe que a depressão é uma doença incapacitante e nada tem a ver com covardia. 
A segunda explicação para a epidemia de depressão tem a ver com o fato que hoje as pessoas se sentem mais à vontade para reconhecer a presença desse mal nas suas vidas. Depressão deixou de ser considerada fraqueza do caráter das pessoas ou meso sinal de loucura. 
Quando eu era jovem, a depressão tinha um grande estigma social. Sempre ouvia as pessoas na minha igreja falarem que a depressão era causada por falta de fé ou pecado não confessado. E ninguém queria ver esse tipo de diagnóstico aplicado a si mesmo(a). Por isso as pessoas escondiam os sinais de depressão.

O que é depressão?
A definição de depressão dada pela Sociedade Psiquiátrica Americana diz mais ou menos o seguinte: uma pessoa está deprimida de forma significativa quando exibe pelo menos um dentre dois sintomas básicos: falta de ânimo ou de interesse pelas coisas. E isso costuma vir em conjunto com quatro ou mais sintomas complementares, como sentimento de falta de valor, culpa excessiva, redução da capacidade de concentração ou de tomar decisões, fadiga crônica, agitação psicomotora, insônia, variação rápida de peso e pensamentos recorrentes de morte. Diz ainda a SPA que depressão forte gera sofrimento emocional muito grande. 

Há várias causas para a depressão, desde físicas (como falta de serotonina no cérebro), até emocionais (como o sofrimento gerado por uma grande perda). Mas os estudos mostram que a causa mais forte parece ser falta de esperança. As incertezas quanto ao futuro, devidas à solidão ou outras coisas assim. 

O pior é que a sociedade em geral nem percebe que torna tudo mais difícil para as pessoas deprimidas. Por exemplo, as organizações em geral cada vez mais tratam as pessoas como objetos. Elas se tornam números de um cadastro, são atendidas por computadores, precisam seguir normas impessoais e assim por diante.

O fenômeno do crescimento das redes sociais torna as coisas ainda mais complicadas. Essas redes geram “relações sem vínculos”. Sem comprometimento e sentido de comunidade, pois podem ser descontinuadas de forma muito fácil. Basta um simples clique do mouse. Portanto, mesmo com muitos(as) “amigos(as)” virtuais, as pessoas se sentem cada vez mais solitárias.  

Como lidar com a depressão?
Há formas boas e ruins de fazer isso. Infelizmente, o abuso do álcool e de outras drogas, a promiscuidade sexual e o consumo desenfreado são as respostas mais comuns para a dor emocional causada pela depressão. Esses caminhos não levam a lugar nenhum e acabam por aumentar o problema. 

A solução real passa pelo uso de medicação adequada – sempre receitada por um médico qualificado. A isso é preciso juntar terapia, apoio emocional da família e mudança de hábitos de vida destrutivos. Mas, passa também, pelo apoio espiritual, pois a depressão também costuma ter raízes nesse campo.

O que as comunidades cristãs podem fazer para ajudar?
As igrejas cristãs deveriam estar na linha de frente do combate a essa epidemia. Mas não é isso que acontece. Primeiro por conta do despreparo das lideranças. Os pastores não recebem treinamento adequado para lidar com esse tipo de problema.

Depois, por causa do preconceito. Ainda é comum nas igrejas a afirmação que cristão verdadeiro não fica deprimido (veja mais). 

Concluindo, depressão é doença e como tal deve ser reconhecida e tratada. Ela requer um enfoque amoroso, cuidados especiais e muito apoio. Nós, cristãos, precisamos entender isso e sermos instrumento para solução do problema, nunca uma pedra de tropeço para quem sofre com esse problema.

Com carinho

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