A CORTINA RASGADA

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Você já ouviu falar na cortina que existia dentro do Templo de Jerusalém e se rasgou quando Jesus morreu na cruz? Esse é um acontecimento muito interessante, e de grande importância, mas pouco conhecido pelas pessoas.

E vou começar explicando que cortina era essa:

Faça o tabernáculo de acordo com o modelo que lhe foi mostrado no monte. Faça um véu de linho fino trançado e de fios de tecidos azul, roxo e vermelho, e mande bordar nele querubins. Pendure-o com ganchos de ouro em quatro colunas de madeira de acácia revestidas de ouro e fincadas em quatro bases de prata. Pendure o véu pelos colchetes e coloque atrás do véu a arca da aliança. O véu separará o Lugar Santo do Lugar Santíssimo.   Êxodo capítulo 26, versículos 30 a 33

Israel teve dois locais especiais para cultuar a Deus. O primeiro deles foi o Tabernáculo, uma espécie de tenda portátil, que foi levada pelo povo durante toda a sua peregrinação pelo deserto do Sinai. O segundo, que substituiu o Tabernáculo, foi o Templo construído por Salomão em Jerusalém (veja mais). Essas locais eram tão importantes que uma série de cerimônias religiosas, como os sacrifícios, somente podiam ser realizadas ali.

Ambos locais tinham sua área mais sagrada dividida em duas partes: o Santo Lugar, onde ficavam o altar para incenso, o famoso candelabro de sete braços e outros objetos importantes, e o Santo dos Santos, onde ficava apenas a Arca da Aliança. Os sacerdotes de plantão entravam diariamente no Santo Lugar, para realizar certas cerimônias (entoar louvores, queimar incenso, etc), mas, no Santo dos Santos, só o sumo-sacerdote podia entrar. E ele entrava lá apenas uma vez durante o ano, no dia do Perdão (Yom Kippur).

A diferença do tratamento dado a esses dois lugares se devia à Shekinah (em hebraico, a “Presença de Deus”), pois ela se fazia notar especialmente no Santo dos Santos.

A separação física entre esses dois lugares era feita por uma cortina, cujas características estão descritas acima. Deus estabeleceu tudo a respeito dessa cortina: suas cores, tipo de bordado, forma de pendurar, etc. E ela devia ser uma magnífica obra de arte – a tradição dos escritos judaicos (Talmude, Mishná, etc) afirma que essa cortina tinha cerca de 10 cm de espessura. 

Naturalmente, nenhum homem do povo jamais viu essa cortina, pois seria necessário entrar no Santo Lugar e somente os sacerdotes tinham esse privilégio. Mas as pessoas sabiam que ela estava lá, separando o local onde Deus se fazia presente (o Santo dos Santos) daquele onde os sacerdotes realizavam suas práticas diárias (o Santo Lugar).  

Agora, havia um simbolismo claro na existência dessa cortina: as pessoas comuns de Israel estavam separadas de Deus e a mediação entre os dois lados o divino e o humano era feita pelos sacerdotes. E é exatamente assim que Deus se relacionou com o povo de Israel durante a Antiga Aliança – sempre havia um intermediário, como Moisés, Samuel ou o sumo-sacerdote, entre Ele e o povo. 

E assim foi durante mais de mil anos, até que Jesus foi crucificado. E aí algo extraordinário aconteceu (lucas capítulo 23, versículos 44 a 46):

E era já quase a hora sexta, e houve trevas em toda a terra até à hora nona, escurecendo-se o sol. E rasgou-se ao meio o véu do templo. E, clamando Jesus com grande voz, disse: Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito. E, havendo dito isto, expirou. 

Esse relato conta que Jesus agonizou por 3 horas, entre o meio dia e as três da tarde da sexta-feira. Houve escuridão na terra e a cortina do Templo rasgou-se sozinha. Logo depois Jesus morreu.

Imagine o impacto no meio do povo: nenhum judeu pode deixar de reconhecer que o fato da cortina ter se rasgado sozinha era um ato vindo de Deus. Primeiro, porque nenhum ser humano conseguiria rasgar com as mãos algo que tinha 10 cm de espessura e depois porque a cortina se rasgou na presença dos sacerdotes de serviço naquela hora no Santo Lugar. 

Mas por que a cortina se rasgou? Esse acontecimento representa uma mudança estrutural na vida espiritual do povo. Deus mudou a forma de se relacionar com os seres humanos. Para entender o significado disso é preciso relembrar que a cortina separava simbolicamente os seres humanos de Deus. E quando a cortina se rasgou por conta própria, Deus se tornou acessível a qualquer pessoa. Não mais haveria necessidade de intermediários (Hebreus capítulo 9 e capítulo 10, versículos 19 a 22). 

Nunca podemos esquecer, entretanto, que o fato que gerador do rompimento da cortina foi a morte de Jesus. Ou seja, foi seu sacrifício na cruz, que acabou com a separação entre Deus e os seres humanos. Passamos a ter acesso direto a Deus ao aceitar Jesus como Salvador.

E nosso acesso a Deus é hoje muito maior do que o próprio sumo-sacerdote do povo judeu tinha naquela época. Afinal, ele só entrava no Santo dos Santos uma vez por ano, no dia do Perdão. Hoje podemos acessar Deus todos os dias, a qualquer hora, em qualquer lugar, o que é um enorme privilégio.

Gostaria aqui de fazer um comentário paralelo: muitas pessoas afirmam que se tivessem presenciado os milagres que a Bíblia relata, seria mais fácil para elas crer em Jesus Cristo. Mas isso não é verdade. 

Os judeus daquela época viram os fatos descritos na Bíblia acontecerem – o céu escurecer, a cortina se rasgar e muito mais. E a esmagadora maioria deles preferiu não aceitar Jesus. Não quiseram optar pelo novo, mesmo quando esse novo estava profetizado no Velho Testamento, a parte da Bíblia que conheciam. Preferiram buscar outras explicações para o que tinham visto e continuaram sua vida normal. 

Poucas pessoas foram realmente transformadas por aqueles eventos extraordinários e inauguraram uma nova era na história da humanidade.

Com carinho

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Dennis Sousa
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Realmente, sempre vão ter alguma desculpa na manga pra não acreditar. Prefiro crer em Jesus 🙂