A ANSIEDADE QUE GERA MEDO

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Ansiedade gera medo e desconforto. Quem nunca ficou com medo numa situação que envolvia risco, como uma mudança de emprego, o início de um novo relacionamento ou mesmo uma cirurgia de porte?

O problema é que o nível de ansiedade que gera medo não costuma ser proporcional ao tamanho do risco. Pessoas muito ansiosas sofrem com situações que não deveriam causar qualquer tipo de estresse. É um sentimento terrível que domina as vidas delas.

Outro dia li a história de uma senhora que sofre quando vai passar pela vistoria pessoal, antes de embarcar num avião. Seus batimentos cardíacos aumentam e ela sente o estômago apertado porque teme que alguma coisa venha a dar errado. E se ela for barrada e impedida de viajar? E se os agentes de segurança começarem a lhe fazer perguntas embaraçosas? Ela fica aliviada toda vez que passa pela inspeção sem problemas, mas fica sempre com o sentimento que algum dia sua sorte vai acabar…

Conheci um engenheiro, que era empregado de uma grande estatal. Durante o mês de entrega da declaração de imposto de renda, o nível de ansiedade desse homem atingia valor recorde. Ele acordava de madrugada para conferir suas contas, com medo de ter feito alguma coisa errada. E só entregava a declaração na última hora, pois tinha medo que o governo mudasse alguma coisa e ele fosse pego de “calças curtas”. Acabado o período de entrega da declaração, a ansiedade baixava, para voltar a crescer cerca de um ano depois…

Os exemplos desse tipo de comportamento são intermináveis e o resultado final é sempre o mesmo: enorme desconforto pessoal. Uma vida de qualidade baixa.

Jesus sabia que a ansiedade que gera medo ataca muitas pessoas e se referiu a esse problema mais de uma vez – por exemplo, em Mateus 6:25:

Portanto eu lhes digo: não se preocupem com suas próprias vidas, quanto ao que comer ou beber; nem com seus próprios corpos, quanto ao que vestir

Ele alertou para que não fiquemos ansiosos quanto a termos o suficiente para viver nossas vidas. Se temos tempo bastante para fazer todas as tarefas do dia, se dispomos de recursos financeiros suficientes para enfrentar as despesas mensais, se temos competência bastante para fazer o trabalho que nos foi destinado e assim por diante.

E Ele concluiu explicando que a ansiedade que gera medo não adianta nada (versículo 27):

Quem de vocês, por mais que se preocupe, pode acrescentar uma hora que seja à sua vida?

Ficar ansioso e amedrontado é como sentar numa cadeira de balanço e achar, porque há movimento, que se está saindo do lugar, se está alcançando algum resultado. E isso é pura ilusão. Ansiedade e medo não geram qualquer resultado prático, só atrapalham.

Há preocupações que são legítimas e até ajudam as pessoas a se prepararem para as eventualidades da vida. Mas, na esmagadora maioria dos casos, ansiedade e o medo dela decorrente não guardam muita ligação com a realidade dos fatos, com os riscos que a pessoa enfrenta, como a mulher que entra em pânico, sem razão, ao passar na inspeção no aeroporto ou o homem que sofre desnecessariamente com a declaração de imposto de renda.

A ansiedade que gera medo, conforme Jesus alertou, desconsidera a presença de Deus. Não leva em conta que temos um Pai para quem podemos apelar quando em dificuldades. Isso me lembra o relato de um pai sobre o que aconteceu com sua filha de 6 anos. A criança estava com pressa e ansiosa porque o ônibus da escola estava para chegar. E acabou fazendo uma grande bagunça com os cadarços do seu tênis. Como não conseguia resolver o problema, a ansiedade foi aumentando. Ela não se deu conta que, ao lado dela, estava o pai, que podia ajudá-la a sair do enrosco. Quando a menina começou a chorar, derrotada pelas circunstâncias, sentindo-se perdida e impotente, o pai se ajoelhou e resolveu facilmente o problema.

Nós frequentemente agimos exatamente como essa menina. E há uma passagem na Bíblia que fala exatamente sobre esse tipo de situação – veja o que diz Marcos 6:31-38:

Havia muita gente indo e vindo, a ponto de eles não terem tempo para comer. Jesus lhes disse: “Venham comigo para um lugar deserto e descansem um pouco”. Assim, eles se afastaram num barco para um lugar deserto. Mas muitos dos que os viram retirar-se, tendo-os reconhecido, correram a pé de todas as cidades e chegaram lá antes deles. Quando Jesus saiu do barco e viu uma grande multidão, teve compaixão deles, porque eram como ovelhas sem pastor. Então começou a ensinar-lhes muitas coisas.

Já era tarde e, por isso, os seus discípulos aproximaram-se dele e disseram: “Este é um lugar deserto, e já é tarde. Manda embora o povo para que possa ir aos campos e povoados vizinhos comprar algo para comer”. Ele, porém, respondeu: “Deem-lhes vocês mesmo algo para comer”. Eles lhe disseram: “Isto exigiria duzentos denários! Devemos gastar tanto dinheiro em pão e dar-lhes de comer?” Perguntou ele: “Quantos pães vocês têm? Verifiquem”. Quando ficaram sabendo, disseram: “Cinco pães e dois peixes”.

Jesus já tinha ficado muito popular e era constantemente assediado pelo povo, sedento de ensinamentos e milagres. E os discípulos trabalhavam muito, recebendo as pessoas, fazendo triagem dos pedidos, organizando os atos públicos e até fazendo a segurança de Jesus.

Certo dia, notando que os discípulos estavam cansados, Jesus levou-os para um lugar mais afastado. Mas, o povo percebeu esse movimento e foi atrás de Jesus, chegando antes naquele lugar. E Jesus teve pena da carência das pessoas e passou a atende-las.

A noite se aproximava e os discípulos ficaram ansiosos: aquele lugar era deserto e como fariam para dar comida para a multidão (cerca de 5 mil pessoas)? Foram até Jesus e lhe disseram para dispensar as pessoas, para que elas pudessem procurar o que comer. Reparem que, ao longo desse diálogo, os discípulos não trataram Jesus com a costumeira deferência. Sua ansiedade tornou-os ríspidos.

Jesus surpreendeu-os dizendo para eles mesmos encontrarem a comida necessária. E os discípulos responderam que isso seria muito caro – custaria o equivalente a 8 meses de salário de um trabalhador. E um inventário da comida existente indicou haver apenas 5 pães e dois peixes.

A ansiedade e o medo dos discípulos devem ter chegado ao máximo naquele momento: o que eles deveriam fazer? Uma multidão daquele tamanho, irritada e descontrolada, poderia causar muitos problemas.

Os discípulos nunca perceberam que havia resposta para sua preocupação. Diante deles estava o Mestre que continuamente lhes ensinara:

Por isso lhes digo: Peçam, e lhes será dado; busquem, e encontrarão; batam, e a porta lhes será aberta. Lucas 11:9

Portanto, eu lhes digo: tudo o que vocês pedirem em oração, creiam que já o receberam, e assim lhes sucederá. Marcos 11:24

Mas, os discípulos nunca apelaram para Jesus, segundo o relato de Marcos. Foi preciso que Jesus mesmo tomasse a iniciativa para que o problema fosse resolvido.

A ansiedade gera medo porque as pessoas querem ter certezas, precisam de segurança completa. E não conseguem isso porque lhes falta fé, confiança em Deus.

Talvez, bem lá no fundo, a pessoa ansiosa ache que Deus não quer se envolver com os pequenos problemas da sua vida – Ele seria muito ocupado para fazer isso. Ou, talvez pense que ela mesma sabe melhor daquilo que precisa e Deus não irá tomar conta das coisas tão bem quanto ela mesma. Ou outra possibilidade qualquer.

Jesus ensinou que, se a pessoa confiar mesmo em Deus, não terá razão para ficar ansiosa. Não terá razão para sentir medo. Essa constatação dá possibilidade de montar uma receita para enfrentar a ansiedade e o medo dela decorrente:
  • Passo 1: Ore entregue sua ansiedade e seu medo nas mãos de Deus. Por exemplo, não fique andando para lá e para cá na sala de espera do hospital: ore pela cirurgia e pelos médicos. Não fique com medo do emprego novo: ore para ter sabedoria para enfrentar a situação e para que seu novo chefe e novos companheiros de trabalho recebam bem sua presença. Esse procedimento segue o ensinamento de Filipenses 4:6-7:

Não andem ansiosos por coisa alguma, mas em tudo, pela oração e súplicas, e com ação de graças, apresentem seus pedidos a Deus. E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os seus corações e as suas mentes em Cristo Jesus.

  • Passo 2: Entregue sua ansiedade para Deus. Escreva sua preocupação num pedaço de papel, date e coloque-o o papel numa caixa com o rótulo “entregue a Deus”. Ao fazer isso, você estará entregando aquela ansiedade nas mãos de Deus.
  • Passo 3: Se a preocupação voltar, lembre-se que dar espaço para ela seria como pegar o papel. Seria como tirar o problema das mãos de Deus e você não vai querer fazer isso. Portanto, resista.
Sugiro ainda que, periodicamente, você pegue os papéis que estão dentro dessa caixa e leia-os. E rememore o que aconteceu. Tenho certeza que você vai se dar conta de algumas coisas. A primeira delas é que a esmagadora maioria das suas ansiedades e medos não tinham qualquer suporte na realidade – simplesmente estavam dentro da sua cabeça.

Depois, você vai se surpreender com a ação de Deus na sua vida. As muitas coisas que Ele fez por você. E aí será um bom momento para agradecer-lhe e louvá-lo. E isso sempre me faz lembrar de um hino muito conhecido, cuja letra diz:

                             Conta as bênçãos, dize quantas são
                             Recebidas da divina mão
                             Vem dizê-las, todas de uma vez
                             E verás surpreso, quanto Deus já fez

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Vinicius MouraDaniella Recent comment authors
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Daniella

Eu estou a alguns dias sofrendo muito por crises de ansiedade e medo, cheguei a procurar ajuda médica. Porém meu coração acima dos medos e frustrações cujo o motivo eu não sei, sempre me pergunto porque estou passando por isso se eu creio tanto no meu Deus, se eu entrego meus planos e meus passos nas mãos dEle. Mas lendo seu texto me surgiu uma questão. Eu escuto pessoas falando “se eu não comprei esse sapato foi porque Deus não quis” “se não deu pra pegar aquele vestido não promoção é porque Deus não tinha planejado pra mim” “eu precisava… Read more »