O MAIOR LÍDER CRISTÃO DA HISTÓRIA

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Acredito que a figura mais importante dos 2.000 anos de história do cristianismo, depois do próprio Jesus, é o apóstolo Paulo. Suas realizações foram impressionantes – basta lembrar que ele escreveu quase metade do Novo Testamento e foi quem liderou o processo de levar a mensagem do Evangelho até os gentios (os não judeus).

Sua vida
Saul (Paulo era um apelido que quer dizer “pequeno”) nasceu, de pais judeus, em Tarso, na Ásia Menor (atual Turquia). Passou o final da sua adolescência em Jerusalém, onde foi aluno do famoso rabino Gamaliel. Por conta disso, até se converter ao cristianismo, foi um fariseu, rigoroso seguidor da lei Mosaica.

Paulo era cidadão romano, direito herdado de seu pai, coisa rara entre os judeus – essa regalia costumava ser comprada por boa quantia, indicando que o pai de Paulo era homem de posses.

Por conta disso, Paulo tornou-se protegido pelas leis romanos, somente podendo ser julgado e condenado pelo próprio imperador, em Roma (diferentemente, por exemplo, de Jesus, que foi condenado pelo governador da Judeia, Pôncio Pilatos). E o apóstolo usou dessa regalia diversas vezes para se proteger das perseguições que sofreu ao longo do seu ministério.

Paulo ganhou a vida como fabricante de tendas, profissão essa que garantia nível de sustento razoável. Esse ofício tinha a vantagem de poder ser desenvolvido em qualquer lugar, sendo muito adequado para pessoas, como Paulo, que viajavam muito – as ferramentas necessárias para fabricar tendas eram leves e fáceis de carregar e as tendas eram usadas em todos os lugares.

O apóstolo não conheceu Jesus pessoalmente, embora tivesse sido seu contemporâneo. Quando os seguidores de Jesus começaram a pregar que Ele era o Messias, ressuscitado dentre os mortos, Paulo, assim como muitos outros judeus daquela época, enfureceu-se, considerando tal crença uma heresia. Por isso Paulo perseguiu os cristãos, cometendo muitas ações violentas contra eles, algumas das quais terminaram em morte, como no caso do diácono Estevão. 

Em dado momento, o apóstolo foi enviado pelos principais sacerdotes judeus até Damasco, na Síria, para liderar a perseguição aos cristãos naquela cidade. No caminho de Jerusalém para Damasco, Paulo teve uma visão de Jesus e se converteu ao cristianismo. A partir daí, passou a ser outra pessoa.

Paulo fez três grandes viagens missionárias, cada uma delas com duração de alguns anos, cobrindo durante seu ministério toda a Ásia Menor e a Grécia. Durante essas missões, ele fundou igrejas, dentre outros locais, em Corinto, Éfeso, Filipos, Colossos e Tessalônica. E depois pastoreou essas comunidades, ajudando as pessoas a se manterem no caminho certo da fé cristã, mesmo em meio a perseguições e conflitos doutrinários.

Já no final da sua vida, Paulo foi preso em Jerusalém, a pedido dos líderes religiosos judeus, sob acusação de heresia. Como era cidadão romano, foi enviado para Roma, para ser julgado pelo imperador. Ficou lá, sob prisão domiciliar, por dois anos, sempre pregando o Evangelho. Acabou solto e tentou ir até a Espanha, mas não temos certeza se conseguiu realizar esse intento. 

Foi preso novamente, durante uma onda de perseguição aos cristãos, promovida pelo imperador romano Nero. Foi decapitado, provavelmente no ano 66 da nossa era.

Seu legado
A contribuição teológica de Paulo foi imensa. Devemos a ele a explicação de conceitos como a salvação pela Graça, mediante a fé em Jesus Cristo. Não há como entender realmente o cristianismo sem passar pelas suas cartas aos Romanos, aos Coríntios (duas), aos Efésios e aos Gálatas. É razoável dizer que foi Paulo quem organizou e codificou a doutrina cristã.

Agora, seus textos não são de fácil entendimento. Isto tanto se deve aos conceitos complexos com os quais lidou, como, principalmente, pelo seu próprio estilo de escrita, que é meio tortuoso, cheio de frases longas e expressões sofisticadas. É preciso paciência e dedicação para entender o que Paulo ensinou, mas esse esforço é plenamente recompensado, pois suas cartas contêm verdadeiros tesouros de sabedoria.

As cartas de Paulo começaram a ser escritas por volta do final da década de 40 da era cristã e são os textos mais antigos do Novo Testamento – em comparação, o primeiro dos evangelhos (Marcos) foi tornado concluído cerca de 15 anos depois das primeiras cartas de Paulo.

Ele foi muito criticado por ter assumido o título de apóstolo, porque tal título estava reservado para homens que tivessem sido discípulos diretos de Jesus, coisa que Paulo não foi. Mas, ele se justificou, dizendo que recebeu ensinamentos diretos de Jesus, nas visões que teve. Portanto, entendia ter a mesma autoridade espiritual que os demais apóstolos. 

A esmagadora maioria do povo cristão aceitou essa alegação, tendo em vista as credenciais de um ministério tão abençoado por Deus, como o de Paulo, ao longo de cerca de 30 anos de atuação. Ainda assim, algumas pessoas insistiram em questioná-lo, o que magoou muito o apóstolo – podemos perceber isso claramente nas suas cartas.  

Os textos de Paulo foram quase que imediatamente reconhecidas como inspirados por Deus, ou seja parte das Escrituras. Outros apóstolos, como Pedro, deram deram de imediato esse “selo de qualidade” para o que Paulo escreveu, falando que as cartas dele deviam ser tomadas como inspiradas por Deus.

Paulo foi chamado de “apóstolo para os gentios”, pois levou o Evangelho para os não judeus da Ásia Menor, da Grécia e de Roma. Esse título também faz justiça ao fato que Paulo foi grande defensor da tese que as pessoas podiam se tornar cristãs sem precisar seguir as exigências da lei Mosaica (como a circuncisão, a abstinência de certos alimentos ou a observância estrita do sábado).

Essa tese mais liberal de Paulo acabou sendo aceita pela liderança cristã, no Primeiro Concílio da Igreja, em Jerusalém, liderado por ele mesmo, Pedro e Tiago, irmão de Jesus. E isso foi fundamental para que o cristianismo se espalhasse rapidamente – afinal, algumas exigências abandonadas, como a circuncisão, não eram nada populares.

Paulo foi homem de enorme espiritualidade e sua dedicação à causa cristã somente encontra paralelo em poucas pessoas na história. E sofreu muito por causa disso, tendo passado por prisão, açoites, fome, naufrágios e outros perigos. Mas ele nunca desanimou. 

Portanto, Paulo não só desenvolveu a teologia cristã, como viveu verdadeiramente aquilo que pregou. Um gigante da fé, sem dúvida. Nós, povo cristão, devemos muito a ele.

Com carinho

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