QUEM É E QUEM NÃO É CRISTÃO

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Com frequência as pessoas ficam em dúvida sobre quem é cristão de fato. Sobre quem professa as crenças mínimas que qualquer cristão deve ter. 

Essas dúvidas aparecem porque muitas vezes as diferenças entre  o cristianismo e outras religiões não são fáceis de identificar, principalmente quando essas outras religiões usam, ou alegam usar, conceitos da doutrina cristã. Isso acontece, por exemplo, com as Testemunhas de Jeová, com os mórmons, com os espíritas e várias outras religiões.

Tomando o caso dos espíritas como exemplo, muitos se consideram  porque procuram seguir os ensinamentos de Jesus e até fazem referencia constante ao Novo Testamento (como no caso do livro “O Evangelho segundo Alan Kardek).

Mas, se olharmos mais de perto, o espiritismo não segue de fato a matriz cristã e fácil de explicar a razão. O principal aspecto do cristianismo é Jesus como o Salvador da humanidade. Ora, o espiritismo não tem o conceito de salvação, logo não há como Jesus ter o papel que o cristianismo dá a Ele.

Para o espiritismo, o espírito de cada pessoa passa por aperfeiçoamentos sucessivos, ao longo de múltiplas vidas (reincarnações), sendo que em cada vida a pessoa paga pelos pecados cometidos nas reincarnações anteriores. E assim vai até a pessoa atingir o nível de aperfeiçoamento pleno, quando não mais é preciso reincarnar.

Assim, Jesus, para o espiritismo, é apenas um espírito que atingiu o maior nível de desenvolvimento possível (“espírito de luz”), sendo digno de admiração e de ter seus ensinamentos seguidos. Mas Ele não é o Salvador da humanidade. 

Sendo assim, não é possível afirmar que um/a espírita é cristão/ã, pois lhe falta a crença básica do cristianismo. Agora, isso não significa que ele/a seja má pessoa, pois conheço espíritas que são pessoas excelentes. 

A confusão existe também entre as denominações tradicionalmente aceitas como cristãs. Existe muita disputa sobre questões doutrinárias entre elas e, por causa disso, pessoas que deveriam se considerar irmãs na fé, ficam se acusando mutuamente de ensinarem doutrinas erradas e até fazer a obra de Satanás.

É comum que católicos/as não considerem os evangélicos/as cristãos/ãs de fato, por não seguirem a “igreja verdadeira” (a Igreja Católica Romana). E muitos/as evangélicos retribuem afirmando que os/as católicos/as não são cristãos/ãs verdadeiros por causa da idolatria em relação a Maria. Também há evangélicos/as que afirmam não haver salvação se a pessoa não for batizada  da forma correta. E assim por diante. 

Nesses casos o erro parece-me estar em dar peso demais a determinados aspectos laterais da doutrina cristã (como a forma de batizar), que muitas vezes nos afastam, e deixar de enfatizar aquilo que nos une, as doutrinas fundamentais (por exemplo, Jesus como Salvador).

Acho que já deu para você perceber que a questão de fundo nessa discussão toda é definir quais doutrinas cristãs são de fato fundamentais, isso é, sem acreditar nelas não é possível caracterizar a pessoa como cristã.  

O ponto de partida parece ser Jesus como Salvador – acreditar e confessar publicamente isso, como o apóstolo Paulo ensinou no capítulo 10 da carta aos Romanos. Mas há mais crenças necessárias para dar sustentação à fé cristã. 

Por exemplo, se existe um Salvador, é porque o ser humano precisa ser salvo de alguma coisa. E essa linha de raciocínio leva à doutrina do pecado humano – sem acreditar que o ser humano tem tendência para o pecado e sempre acaba pecando, não há porque falar em salvação. 

Existe ainda o requisito que o ser humano possa ser responsabilizado pelos pecados que comete e isso só é possível se a pessoa tem liberdade de fazer suas escolhas. E isso aponta para a doutrina do livre arbítrio.

Outra doutrina necessária é a da justiça de Deus, que culmina no Julgamento Final, quando Ele haverá de avaliar tudo que cada ser humano fez e escolher algumas pessoas para permanecerem junto d´Ele (salvação) e outras para ficar longe da sua presença (condenação).

Só para citar mais uma doutrina, só podemos saber sobre o papel de Jesus como Salvador, sobre a justiça de Deus e outras coisas mais porque aprendemos sobre essas doutrinas na Bíblia. E isso é relevante porque acreditamos que a Bíblia é a Palavra de Deus, crença extremamente importante. 

Concluindo, várias crenças adicionais são necessárias para dar suporte ao conceito de salvação. E como você pode ver, essas doutrinas vão se se apoiando umas nas outras – como um edifício sendo construído andar a andar. 

Ser cristão/ã, portanto, é atributo de quem acredita nesse conjunto de doutrinas que culmina no papel de Jesus como nosso Salvador. E se você quiser saber mais detalhes sobre esse conjunto mínimo de doutrinas, veja essa outra postagem

Com carinho   

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Vinicius MouraMarcos Antonio de Sousa Recent comment authors

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Marcos Antonio de Sousa
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– Eu nunca acreditei em reencarnação.