O INFERNO E OS DEMAIS “INFERNOS”

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E mesmo o Padre Eterno que nunca foi lá / Olhando aquele inferno vai abençoar! / O que não tem governo nem nunca terá! / O que não tem vergonha nem nunca terá!/ O que não tem juízo”… Letra da música “O que será” de Chico Buarque

O Inferno não é assunto sobre o qual gosto de falar – aliás ninguém deveria mesmo gostar.  Mas não posso fugir desse tema, pois ele gera muitas dúvidas entre os cristãos: Será que ele existe mesmo? Como é? Onde fica?

O livro do Apocalipse (capítulo 20, versículo 10) descreve o Inferno como um “lago de fogo”, onde haverá tormento permanente. Jesus disse que o Inferno será lugar de “choro e ranger de dentes”, isto é, de sofrimento.

O Inferno é um lugar?
A vida humana se passa sempre em locais situados no tempo e no espaço. Ora, sabemos pela Bíblia que haveremos de ressuscitar no final dos tempos e ter um novo corpo físico (1 Coríntios capítulo 15, versículos 35 a 49).

Assim, é razoável concluir que o Inferno, assim como o Céu, serão lugares também físicos onde as pessoas ressuscitadas habitarão. 

Alguns teólogos discordam pois pensam no Inferno como uma situação puramente espiritual e não como um lugar – confesso que eu mesmo já pensei assim. Mas, hoje acredito que a Bíblia se refere a realidades físicas quando fala tanto do Inferno como do Céu.

Como será o Inferno?
A Bíblia fala pouco sobre o Inferno, menos ainda do que sobre o Céu, do qual também pouco sabemos. Sabemos que no Inferno estarão reunidas todas as pessoas que não forem salvas. 

A fonte de sofrimento não é, como muita gente pensa, por causa de Satanás, que ficaria atormentando as pessoas. Afinal, a Bíblia diz que o próprio Satanás será jogado dento do “lago de fogo” (Apocalipse capítulo 20, versículo 10).

O sofrimento que existirá para quem estiver no Inferno será decorrente da ausência de Deus. E essa ausência não se dará porque Ele não tenha poder para se fazer presente naquele lugar, mas sim porque escolheu se ausentar. 

Sendo assim, é claro que o Inferno não pode ser um lugar bom, pois tudo de bom nasce em Deus e depende d´Ele para existir.  

Fomos criados para estar em comunhão constante com Deus e a ausência d´Ele nas nossas vidas só pode causar sofrimento e solidão. Vemos isso acontecer com frequência, quando pessoas importantes (como artistas famosos ou empresários ricos) se suicidam, apesar de terem fama, dinheiro e beleza. Essas pessoas têm tudo que se poderia desejar, mas vivem sem Deus, ou seja, já passam pela experiência do Inferno aqui mesmo na terra.

É justo condenar pessoas a uma pena sem fim?
O questionamento mais frequente sobre o Inferno é o seguinte: Não parece ser justo que pessoas permaneçam indefinidamente ali para pagarem por pecados cometidos ao longo de suas vidas. 

A resposta a esse questionamento começa na lembrança do mecanismo que leva as pessoas para o Inferno: As escolhas que fazem durante suas vidas na terra, recusando aceitar Jesus como Salvador. Sendo assim, são as próprias pessoas que escolhem ir para o Inferno, mesmo que não deem conta disso. É como se a “porta” do Inferno fosse trancada por dentro…

Assim, não há nada de injusto: As pessoas escolhem ir para lá e, como Deus não se faz presente no Inferno, elas conseguem mudar a condição que as levou até ali. Isso porque a conversão de qualquer pessoa só ocorre por conta da obra do Espírito Santo, que age para convencê-la a vir para Deus. Assim, não haverá como as pessoas condenadas mudarem suas escolhas – elas permanecerão em rebeldia. Estarão continuamente escolhendo continuar ali. 

As ameças usando o Inferno
Há um tipo de cristão(ã) que usa o Inferno como ferramenta de dominação e instrumento de poder. Vive ameaçando as demais pessoas com esse terrível lugar. Por isso mesmo, caso o Inferno não existisse, certamente seria “reinventado” por essas pessoas. 

Quando encontrar gente assim, não dê atenção ao que dizem. Ninguém tem poder para decidir quem irá ou não para o Inferno – isso cabe exclusivamente a Deus. Cada pessoa precisa tomar conta de si mesma, preocupando-se com seu próprio “umbigo”.

Os outros “infernos”
A sociedade cria inúmeros “infernos”, como bem fala a letra de Chico Buarque que iniciou este post. E essa é uma realidade muito triste.

Refiro-me aos vícios que escravizam, ao abandono que desumaniza, à pobreza extrema que gera falta de esperança, à corrupção desenfreada que apodrece a sociedade, à poluição que adoece o meio ambiente, ao consumismo excessivo que aliena e assim por diante. 

Para boa parte da humanidade, especialmente as pessoas menos favorecidas, o Inferno já se faz presente, aqui e agora. E nós, cristãos(ãs), precisamos lutar não só contra o Inferno, mas também contra todos esse outros “infernos” que escravizam e matam as pessoas. 

E a resposta, em todos esses casos, é o amor. Primeiro a Deus e depois ao próximo. O amor a Deus nos permite focar naquilo que importa de fato – viver uma boa relação com o Autor e Consumador da vida. E o amor ao próximo gera justiça social, elimina a violência e acaba com os vícios. 

Se o amor fosse amplamente difundido certamente o Inferno iria se esvaziar. 

Com carinho

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