A MÃO QUE AFAGA, TAMBÉM APEDREJA

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Havia uma série policial na televisão da qual eu gostava muito. Os dois autores formam um casal na vida real e usaram seu próprio casamento para modelar a relação entre os dois principais personagens da série. E, por causa disso, sempre foram amados pelos(as) fanáticos(as) fãs da série. 

Certa vez, esse casal de autores foi dar uma aula numa faculdade sobre o tema “a arte de escrever para a televisão”. E, durante a aula, mostraram para os(as) alunos(as) um cena de um famoso capítulo da série, quando os dois principais personagens ficaram juntos pela primeira vez. A cena foi cortada da versão desse capítulo que foi ao ar.

Os autores fizerem isso para ilustrar o conceito que, muitas vezes, dar menos detalhes, deixando que a audiência preencham os vazios com sua própria imaginação, é melhor para o resultado artística final. E realmente, os autores tinham total razão – a cena cortada, embora explícita, não agregava nada ao resultado final.

Mas, os(as) fanáticos(as) fãs da série ficaram sabendo sobre a tal cena cortada e se sentiram roubados, pois acharam que tinham direito de vê-la. E começaram a pressionar o casal de autores a fazer isso. E como eles se recusaram, mantendo-se firmes na sua decisão inicial, os(as) fãs passaram a lhes dirigir pesadas críticas nas redes sociais – houve até ameaças físicas.

O casal de autores, em questão de dias, passou de ser amado para ser odiado pelos fãs, comprovando que o famoso ditado é mesmo certo: “a mão que afaga é a mesma que apedreja“.

Essa situação me fez refletir sobre como as pessoas mudam de opinião com facilidade. Uma hora quase adoram certo artista, jogador de futebol ou político e, pouco depois, podem facilmente passar a criticar quem antes era motivo de quase adoração. Vemos isso acontecer todos os dias – é só prestar atenção no que a mídia divulga.

Jesus viveu exatamente essa experiência no final da sua vida. No Domingo de Ramos, Ele entrou em Jerusalém, montado num burrico, debaixo dos aplausos e homenagens dos judeus, que chegaram a colocar suas capas no chão para que Ele passasse por cima. As pessoas gritavam “hosanah” – que quer dizer “salva-nos” -, reconhecendo n´Ele o tão esperado Messias (Mateus capítulo 21, versículos 1 a 11). Um homenagem magnífica e muito merecida.

Apenas cinco dias depois, na Sexta Feira da Paixão, Jesus já tinha sido preso, por ordem dos líderes religiosos judeus. E levado até Pilatos, o governador romano da Judeia, para ser julgado.

Pilatos, não vendo em Jesus nenhum crime, ofereceu ao povo libertá-lo, em troca de um bandido terrível (Barrabás), como era costume naquela época, por ocasião da Páscoa judaica.

A mesma multidão que tinha homenageado Jesus poucos dias antes, preferiu ficar com Barrabás (Mateus capítulo 27, versículos 11 a 26). E deixou Jesus nas mãos de Pilatos e Ele acabou condenado à morte.

Essa mudança impressionante aconteceu porque os judeus tinham se decepcionado com Jesus, quando perceberam que sua missão na terra não era conduzir uma revolta militar para libertá-los da dominação romana. A missão de Jesus teve caráter exclusivamente espiritual: Ele veio para nos libertar da escravidão do pecado e nos reconciliar com Deus.

Os judeus erraram na percepção que construíram do nosso Mestre e o puniram – com o abandono – por causa disso. Impressionante.

Há nisso tudo um grande ensinamento: você não deve jamais construir sua vida em cima da expectativa da aprovação das outras pessoasAté porque tal aprovação pode vir num momento e ser perdida rapidamente, pois “a mão que afaga é a mesma que apedreja“.

O importante mesmo é obter a aprovação de Deus para sua vida. Essa aprovação sim, uma vez conquistada, tornar-se-á uma garantia verdadeira para sua vida. 

Com carinho

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