O SOFRIMENTO HUMANO PROVA QUE DEUS NÃO EXISTE?

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As pesquisas mostram que uma das principais razões pelas quais as pessoas se afastam do cristianismo é o chamado “problema do mal”, que pode ser resumido assim: se Deus é onipotente e perfeitamente bom, por que Ele não impede o sofrimento humano?

O “problema do mal” parece apontar para uma contradição entre a existência de Deus, bom e onipotente, e o sofrimento humano. As duas coisas não parecem compatíveis entre si.

Afinal, pensam os(as) que defendem essa tese, se Deus não acaba com o mal é porque Ele não quer (portanto, não seria mesmo bom), ou não pode (portanto, não seria onipotente). E como o sofrimento humano existe, a conclusão óbvia parece ser que Deus, assim como os(as) cristãos(ãs) o entendem, não existe.

O dilema é falso
Na verdade esse é um falso dilema: Deus, mesmo sendo onipotente e bom, pode perfeitamente coexistir com o sofrimento humano. E o argumento que “dissolve” o tal dilema é o livre arbítrio. Eu me explico.

Deus deu aos seres humanos a capacidade de fazerem suas próprias escolhas. Isso é mostrado na Bíblia em muitos lugares, por exemplo, quando Moisés diz ao povo de Israel que é preciso escolher entre a benção, fruto da obediência Deus, e a maldição, fruto da desobediência (Deuteronômio capítulo 30, versículos 15 a 19). Ou sejam o povo podia escolher livremente o seu próprio caminho. 

O ser humano tem liberdade para escolher, tanto coisas certas como erradas, e essas escolhas geram resultados, tanto para quem escolhe, como para as outras pessoas, inclusive as inocentes. Portanto, o mal que existe no mundo é fruto das escolhas erradas das próprias pessoas.

E é por causa disso que os mais fortes exploram os mais fracos, há violência, são vendidas drogas que destroem as pessoas, gerando lucros para alguns poucos, ditadores inescrupulosos submetem violentamente as populações de seus países, empresas gananciosas poluem o meio ambiente, gerando doenças, e assim por diante.

O homem é o lobo do próprio homem, diz o ditado. E isso é fruto do livre arbítrio e das escolhas erradas das pessoas. Evidentemente Deus não é culpado dessas coisas. Nada disso está de acordo com sua vontade. 

Você poderia, nessa altura, perguntar algo que faz mais sentido que o falso dilema apresentado no início desta conversa: Deus não poderia ter criado o mundo para funcionar de outra forma, excluindo o livre arbítrio? A culpa de Deus não estaria no fato d´Ele ter criado um mundo “capenga”

Para responder, é preciso começar falando sobre a onipotência de Deus. Sobre o significado real da afirmação: Ele pode fazer tudo. Na verdade, esse “tudo” se refere às coisas que são logicamente possíveis. E é fácil demonstrar isso: Por exemplo, Deus não pode se suicidar porque é Eterno. Ou seja, tem algo que Ele não pode fazer. Outro exemplo interessante é: Deus não pode pecar, porque isso vai contra sua natureza santa.

Os filósofos costumam brincar com essa questão afirmando que “Deus não pode criar uma pedra que Ele mesmo não possa levantar“.  

E essa constatação tem tudo a ver com a questão do livre arbítrio: Deus não pode evitar as consequências do livre arbítrio sem eliminá-lo de todo. Em outras palavras, se Deus interviesse cada vez que alguém fosse praticar o mal, as pessoas iriam virar simples robôs e o livre arbítrio iria acabar. 

Portanto, se Deus quer que as pessoas disponham do direito de escolher, precisa aceitar que elas façam escolhas erradas, inclusive prejudicando quem é inocente.

Você poderia fazer aqui uma outra pergunta importante: Por que o livre arbítrio humano é tão importante? E a resposta é simples: por causa do amor. Afinal, o amor só tem valor se é dado de forma livre, sem qualquer constrangimento. Sem qualquer obrigação. É assim que você e eu queremos ser amados e é assim também que Deus quer que o amemos.

Para haver amor verdadeiro, é preciso haver direito de escolha. Se há livre arbítrio, é preciso admitir que as pessoas façam escolhas erradas – é preciso admitir que elas pratiquem o mal. E essa é uma cadeia lógica da qual não é possível fugir.

Concluindo, é perfeitamente possível que Deus seja onipotente e bom e haja o mal. E não há qualquer responsabilidade moral de Deus nisso porque, na verdade, o mal é fruto das escolhas individuais das próprias pessoas. Não é a vontade de Deus.

Com carinho

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