QUEM ESTÁ CERTO E QUEM ESTÁ ERRADO?

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Frequentemente, surgem aqui no site debates sobre temas onde minhas interpretações da doutrina cristã não são aceitas por algumas pessoas. E elas colocam aqui seus comentários discordando de mim, de forma livre e respeitosa, como acredito deva acontecer numa comunidade cristã.

Há vários temas polêmicos num corpo de doutrina tão amplo como a do cristianismo. Por exemplo, predestinação (Deus preestabeleceu, ou não, quem será salvo?), permanência da salvação (a salvação pode ser perdida?), forma correta de batizar (imersão, aspersão ou derramamento?), batismo infantil (crianças podem ser batizadas?), permanência dos dons do Espírito Santo (cura, profecia e outros dons continuam aplicáveis hoje em dia?), submissão da mulher (até que ponto esposas devem ser submissas a seus maridos?) e assim por diante.

Essas divergências são naturais: afinal, centenas de milhares de teólogos(as), pastores(as) e outros estudiosos(as) vem estudando a doutrina cristã, e sua aplicação prática, há quase dois mil anos. Não é de se estranhar, portanto, que essas pessoas tenham chegado a conclusões diferentes a respeito de muitos temas, como nos exemplos que citei acima. 

Diferenças de opinião não me preocupam muito, pois as considero naturais e até saudáveis, desde que sejam sinceras. E elas geram incentivo para estudar mais a Bíblia (nossa única regra de fé) – os momentos em que mais aprendi sobre doutrina cristã foram aqueles em precisei debater com quem pensava diferente de mim.

Diferenças de opinião sinceras geram outro efeito positivo: tornam as pessoas mais humildes porque as leva a perceber não serem “donas da verdade”. E mais ainda, que ninguém foi nomeado por Jesus como o(a) guardião(ã) da santa e pura doutrina cristã – embora, ao longo da história, muita gente pensou deter tal poder.

Repito, diferenças de opinião sinceras não são ruins. Preocupam-me muito mais as certezas arrogantes, apresentadas por determinadas pessoas como “verdades” absolutas, como sendo a “vontade” de Deus. Foram posições absolutistas assim que levaram à Santa Inquisição (dentro da Igreja Católica) ou à caça das bruxas em Salém (numa denominação protestante nos Estados Unidos). Em ambos os casos e em muitos outros similares, grandes arbitrariedades foram conduzidas por quem dizia falar em nome de Deus e conhecer a “verdade”.

Como disse no começo desta postagem, frequentemente recebo comentários nos quais as pessoas dizem discordar do que escrevi. Sempre leio as argumentações apresentadas por elas para justificar suas discordâncias e quando penso que elas têm razão, não tenho problema em voltar atrás e me corrigir – afinal, estou bem longe de saber tudo. 

Outras vezes, eu discordo dos comentários feitos e contra-argumento, explicando melhor o que quis dizer, terminando por convencer quem discordava. 

Mas há casos – felizmente, têm sido poucos –  em que ninguém convence ninguém e cada um(a) permanece com sua opinião original. Nesses casos, eu normalmente uso uma expressão ao encerrar minha participação no debate: “vamos ter que concordar em discordar sobre esse assunto“.

E tudo bem. Quem continuou a discordar de mim não se tornou, aos meus olhos, pior do que aquelas pessoas que se convenceram. Acredito que quem discorda de mim pode estar buscando Jesus de forma tão sincera quanto eu e, se Deus permitir, vamos continuar a caminhar juntos na estrada que Jesus estabeleceu.

Penso que esse tipo de tolerância está ensinado na Bíblia – veja o que Paulo disse em 1 Coríntios capítulo 3, versículos 4 e 5:

Pois quando alguém diz: “Eu sou de Paulo”, e outro: “Eu sou de Apolo”, não estão sendo mundanos? Afinal de contas, quem é Apolo? Quem é Paulo? Apenas servos por meio dos quais vocês vieram a crer, conforme o ministério que o Senhor atribuiu a cada um.

Para você entender melhor a situação em que Paulo estava, lembro que havia outro missionário cristão, chamado Apolo, ministrando na mesma região que Paulo. E a doutrina que Apolo ensinava não era exatamente igual à de Paulo. Por isso algumas pessoas se consideravam de Apolo, enquanto outras se diziam de Paulo – vemos a mesma coisa hoje em dia quando crentes se dizem “ovelhas” do pastor fulano ou enquanto outros(as) são da bispa sicrana ou do “apóstolo” beltrano…

O texto citado colocou o dedo na ferida ao perguntar: quem é Paulo ou Apolo? Na verdade, não eram ninguém – ambos eram apenas servos de Cristo. Da mesma forma, quando aparecem diferenças aqui no site, é preciso perguntar: quem é Vinicius ou quem é a pessoa quem discordou dele? E a resposta correta é: ninguém, são apenas servos(as) de Cristo.

Com carinho

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