A LEI SEGUNDO JESUS

0
254

Os judeus no tempo de Jesus regulavam suas vidas pelos mandamentos contidos na Torah (os cinco primeiros livros do Velho Testamento). Na chamada Lei Mosaica, estava registrado tudo aquilo que Deus esperava que as pessoas fizessem ou eram proibidas de fazer.

O problema com esse tipo de situação é a interpretação dessa Lei. Por exemplo, o que significava “santificar o sábado”? Poderiam as pessoas trabalhar, cozinha, curar enfermos ou lutar numa guerra nesse dia especial, separado por Deus?

Essas dúvidas eram esclarecidas pelos “rabinos” e “doutores da Lei”, pessoas que conheciam bastante a Bíblia Hebraica (Velho Testamento) e dedicavam boa parte da sua vida a estudar a correta aplicação dos mandamentos divinos na vida prática. 

Jesus era tido como “rabino” (“mestre”) – há várias passagens dos Evangelhos em que foi chamado assim (p. ex. João capítulo 1, versículo 38) – e, portanto, era natural que as pessoas esperassem ouvir d´Ele interpretações da Lei.

E os Evangelhos registram muitas situações em que Jesus fez exatamente isso. Por exemplo, em Mateus capítulo 22, versículos 34 a 40, Ele resumiu a Lei ao amor, a Deus e ao próximo. Em João capítulo capítulo 13, versículo 34, Ele disse: “… um novo mandamento vos dou, que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei“. 

O judaísmo, especialmente dentro da visão dos fariseus, era uma religião do “esforço” – as pessoas buscavam alcançar a aceitação de Deus pelo cumprimento dos mandamentos, isto é pelas obras. Aí Jesus veio e ensinou algo muito diferente: a ação correta (o cumprimento dos mandamentos) deve ser fruto do amor que temos por Deus Deus, amor esse nascido da gratidão pela sua misericórdia e graça derramadas sobre nós. 

Essa diferença de abordagem na interpretação da Lei Mosaica, fica evidente em muitos momentos do ministério de Jesus, especialmente quando Ele sua a expressão “ouviste o que foi dito… eu [Jesus], porém, vos digo…”

Nesses momento, Jesus apontou primeiro para a interpretação tradicional da Lei (“ouviste o que foi dito…“) e depois fez um contraste com sua visão pessoal (“eu, porém vos digo…). E normalmente surpreendeu seus ouvintes pois sua interpretação fugia dos padrões conhecidos. Vejamos um exemplo:

“Vocês ouviram o que foi dito aos seus antepassados: ‘Não matarás’, e ‘quem matar estará sujeito a julgamento’. Mas eu lhes digo que qualquer que se irar contra seu irmão estará sujeito a julgamento…” Mateus capítulo 5, versículos 21 e 22

Jesus ensinou que não é somente o ato de matar fisicamente que é pecado. O desejo de matar é tão pecaminoso quanto o ato em si. 

Jesus introduziu uma importante diferença de interpretação: a intenção prévia é tão importante quanto o ato pecaminoso em si. As intenções são fundamentais porque elas precedem os atos físicos – sem o desejo prévio de pecar, não acontece o pecado. Simples assim. 

Um outro exemplo da mesma abordagem está na passagem:

“Vocês ouviram o que foi dito: ‘Não adulterarás’. Mas eu lhes digo: qualquer que olhar para uma mulher para desejá-la, já cometeu adultério com ela no seu coração. Mateus capítulo 5, versículos 27 e 28 

Aqui Jesus ensinou que o desejo de adulterar é tão sério como o adultério em si. Uma coisa não anda sem a outra. 

Em outras palavras, Jesus mostrou que a luta para obedecer a vontade de Deus não pode ser centrada no controle sobre o que a pessoa faz – tese seguida pelos fariseus e muito adotada hoje em dia pelos cristãos legalistas. Para ter sucesso, essa luta precisa ser baseada na re-educação dos pensamentos da pessoa, isto é numa mudança interior.

A luta para perder peso é uma excelente ilustração do que acabei de falar. A maioria esmagadora das pessoas tenta fazer dieta, que é simplesmente o controle do que se come. O controle do que se faz. E esse caminho não costuma dar certo, pois cedo ou tarde a pessoa acaba se rendendo ao desejo de comer o que não pode. Praticamente nenhuma dieta dura para sempre.

A solução efetiva é mudar a forma de pensar: re-educar as práticas alimentares, apendendo a encontrar satisfação nos alimentos certos, ingeridos na quantidade adequada. Aí o peso passa a ser mantido sem sofrimento e esforço.

Mudar o interior em lugar de controlar os atos, aí está a Lei que Jesus nos deixou. E essa mudança do interior gera outras consequências importantes, conforme Jesus também deixou claro:

“Vocês também ouviram o que foi dito aos seus antepassados: ‘Não jure falsamente, mas cumpra os juramentos que você fez diante do Senhor’. Mas eu lhes digo: Não jurem de forma alguma… Seja o seu ‘sim’, ‘sim’, e o seu ‘não’, ‘não’. E o que passar disso vem do Maligno”. Mateus capítulo 5, versículos 33 a 37 

A questão da qual Jesus tratou nessa afirmação tinha a ver com o hábito de jurar em nome de Deus, de coisas sagradas (como o Templo) ou até da própria família. Há gente que ainda faz isso hoje em dia, ao dizer “juro por Deus“, ou “juro pela felicidade dos meus filhos“.

A lei Mosaica, tendo em vista esse hábito arraigado na sociedade daquela época, estabeleceu que as pessoas precisavam cumprir os juramentos que faziam. E isso já era um avanço, numa sociedade que não se caracterizava pela honestidade.

Aí Jesus veio e modificou o entendimento tradicional:. Ensinou que uma pessoa convertida – aquela que teve seu interior mudado – não deve jurar para dar credibilidade ao que promete. Bastará para ela dizer “sim” ou “não” para que isso tenha o mesmo peso de um juramento. Sua palavra precisa ser sempre sincera e honesta. E o que passar disso – como o uso de formas elaboradas de juramento – é pecado, pois aí a pessoa se força a cumprir sua palavra, não por ser sincera e honesta, e sim por se sentir obrigada pelo juramento que fez.

A lei que Jesus nos deixou foi a da mudança interior. Foi de aprender a de re-educar os próprios pensamentos e desejos, para que os hábitos e atos passem a estar em linha com aquilo que Deus espera de nós. E essa foi uma mudança revolucionária.

Com carinho 

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here