A CASA VAZIA

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E, quando o espírito imundo tem saído do homem, anda por lugares áridos, buscando repouso, e não o encontra. Então diz: Voltarei para a minha casa, de onde saí. E, voltando, acha-a desocupada, varrida e adornada. Então vai, e leva consigo outros sete espíritos piores do que ele e, entrando, habitam ali; e são os últimos atos desse homem piores do que os primeiros. Mateus capítulo 12, versículos 43 a 45

A Bíblia ensina que os demônios – espíritos do mal – agem sobre os seres humanos para causar-lhes mal. E essa ação pode ser de três tipos: em ordem crescente do impacto causado, tentação, opressão e possessão. Tentação – a exploração pelos demônios das necessidades e desejos da pessoa para levá-la ao pecado – é uma experiência pela qual todo mundo passa. Até Jesus sofreu tentação (Mateus capítulo 4, versículos 1 a 11), portanto, não é disso que a passagem trata. 

Opressão é a situação onde a pessoa torna-se foco da ação de um demônio, para causar-lhe sentimentos ruins e incontroláveis, como ataques de raiva inexplicáveis, medos sem sentido, ansiedade sem medida, etc. Não foi à opressão que Jesus se referiu porque essa é uma influência externa à pessoa e, na passagem acima, Jesus claramente descreveu uma ação interna  – o demônio entrando na “casa”, ou seja controlando a alma e a mente da pessoa.

O texto se refere, portanto, ao terceiro tipo de ação demoníaca: a possessão, onde a pessoa chega a perder, por tempo determinado ou até permanentemente, o controle sobre sua mente e corpo. Veja como a Bíblia descreveu a situação de um homem endemoniado, com quem Jesus encontrou:

E, saindo ele [Jesus] do barco, lhe saiu logo ao encontro, dos sepulcros, um homem com espírito imundo, o qual tinha a sua morada nos sepulcros e nem com grilhões o podia alguém prender. Porque, tendo sido muitas vezes preso com grilhões e cadeias, esses foram por ele feitos em pedaços e ninguém o podia amansar. E andava sempre, de dia e de noite, clamando pelos montes e pelos sepulcros, e ferindo-se com pedras. Marcos capítulo 5, versículos 2 a 4

Jesus explicou que quando alguém é liberto(a) da possessão, sua mente e alma (a “casa”) ficam “vazias”, isto é limpas da ação maligna mas ainda não preenchida por qualquer outra coisa. E se não houver tal preenchimento e a “casa”continuar vazia, quando o demônio tentar retornar – e não se iluda, ele sempre tenta fazer isso – acabará ocupando de novo o espaço perdido e, ainda pior, trará reforços, na figura de outros demônios ainda mais poderosos, para garantir essa ocupação. E o resultado final será a pessoa mergulhar numa condição ainda pior do que estava no início. 

O que pode preencher o vazio da “casa”? Só uma coisa: o Espírito Santo, o Deus que habita em nós, segundo a Bíblia. Somente Ele pode ocupar a mente e a alma da pessoa e assim evitar o retorno do espírito maligno.

O preenchimento com o Espírito Santo ocorre, depois da libertação da ação do demônio, quando a pessoa se converte, aceitando verdadeiramente Jesus como seu Salvador, e é discipulada na fé cristã, passando a viver vida reta aos olhos de Deus. Isso significa abandonar velhos hábitos pecaminosos, que levaram essa pessoa à situação em que estava antes de ser libertada.

Esse alerta de Jesus, no texto que abre este post, portanto, se refere a duas coisas. A primeira é a intervenção espiritual sem os necessidades cuidados.

Se você acompanha programas evangélicos na televisão, verá com frequência a transmissão de cultos onde há libertações, onde pastores(as) expulsam demônios que tomavam conta da vida das pessoas. E os(as) presentes aplaudem entusiasmados(as).

Agora, o que nunca é mostrado é o atendimento espiritual posterior às pessoas libertas, depois que a “a casa” é limpa. O atendimento que ocorre longe das câmeras da televisão. Será que isso está ocorrendo? Temo que, em muitos casos, não. Caso contrário os programas religiosos se preocupariam em mostrar essa segunda fase do atendimento, até para deixar claro sua importância.

Infelizmente, muitos(as) pastores(as) gostam dos atos de libertação, por conta da fama e atenção que eles geram. Mas não se preocupam igualmente com o que deve se seguir, o discipulado, quando as “casas” que ficaram “vazias” são “preenchidas” permanentemente pelo Espírito Santo.

Essa segunda fase é trabalhosa, só traz resultados lentamente e não chama a atenção. Mas sem ela, conforme Jesus alertou, as pessoas libertas podem retornar a uma condição pior do que a inicial.

O segundo alerta de Jesus é para o perigo da inconstância, ou seja começar o discipulado e parar pelo meio do caminho. Ou seja, não preencher a “casa”  vazia permanentemente. Isso pode acontecer por falta de comprometimento da pessoa que está sendo tratada, que muitas vezes não consegue superar seus velhos hábitos e acaba por retornar a eles. E quando isso acontece, conforme Jesus alertou, as consequências são muito sérias.

Concluindo, a ação espiritual sobre a vida de outra pessoas é coisa muito séria e não pode ser iniciada de forma impensada e leviana. É preciso sempre tomar cuidado de proporcionar a continuação dessa ação, através do discipulado na fé cristã. Além disso, é preciso haver perseverança e compromisso de quem está sendo tratado. E caso essas duas coisas não aconteçam, o resultado final dessa intervenção espiritual será muito ruim.

Com carinho 

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