APELO A CESAR

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Se, de fato, sou culpado de ter feito algo que mereça pena de morte, não me recuso a morrer. Mas, se as acusações feitas por estes judeus não são verdadeiras, ninguém tem o direito de me entregar a eles. Apelo para César!” Atos dos Apóstolos 25, versículo 11

O apóstolo Paulo foi preso quando visitou Jerusalém, ao ser acusado de crimes religiosos pelos líderes religiosos judeus. Acabou nas mãos das autoridades romanas, tendo sido lançado numa prisão. 

Depois de esperar longo tempo por um julgamento final pelas autoridades romanas, Paulo recorreu a um recurso extremo: apelou para o julgamento de Cesar (título dado ao Imperador de Roma). Ele tinha esse direito como cidadão romano.

Paulo acabou sendo mandado para Roma, de navio, e passou por inúmeras dificuldades, como um naufrágio perto da ilha de Malta. Viveu em Roma vários anos, sempre pregando o Evangelho de Jesus, sendo depois martirizado, quando entrou para a galeria dos mártires cristãos.

Há vários ensinamentos a tirar desse evento. O primeiro deles é o seguinte: quando Deus chama alguém para realizar sua obra, capacita e dá a essa pessoa condições para realizar plenamente sua missão. 

Ora, num mundo dominado pelo Império Romano, ser cidadão – direito que Paulo tinha por herança do pai (Atos dos Apóstolos capítulo 22, versículos 26 a 28) – era muito importante, já que isso garantia à pessoa livre trânsito, proteção das leis e contra o autoritarismo dos governantes locais (daí o direito de ser julgado pelo próprio Imperador, em Roma).

Paulo foi chamado por Deus para ser o apóstolo para os gentios (os não judeus). Assim, coube a ele pregar o Evangelho de Jesus fora da Terra Santa (Palestina), o que fez com grande dedicação, realizando várias viagens missionárias. Nesse cenário, os direitos de cidadão romano ajudaram muito.

Repare bem: Deus preparou tudo de antemão. Anos antes de Paulo ser chamado, seu pai conseguiu, provavelmente pagando boa soma de dinheiro, o direito de cidadania romana. Quando fez isso, estava pensando no seu interesse pessoal seu e no bem estar da sua família. Mas sua ação acabou tendo um enorme impacto na missão do filho, conforme comentei.

O pai de Paulo certamente morreu sem ter qualquer ideia do alcance dos seus atos – ele colaborou com a obra de Deus e nunca se deu conta disso. E o mesmo pode acontecer comigo ou com você – coisas que fazemos hoje, por esse ou aquele motivo, podem concorrer para o bem do Reino de Deus e nunca saberemos disso. Afinal, só Deus sabe o que planejou. 

O segundo ensinamento é o fato de Paulo não ter hesitado em usar os recursos colocados à sua disposição, mesmo aquele que não era, digamos assim, simpático para os judeus.

Ora, os judeus viam tudo que se referia aos romanos com muita desconfiança e o fato de Paulo ser cidadão do Império certamente não pegava bem. Mas o apóstolo não hesitou em apelar para esse recurso quando necessário, não se preocupou de passar uma imagem boa para quem estava em torno. Fez o que foi necessário. Simples assim.

Lembro de um fato ocorrido tempos atrás: houve um missionário sustentado por contribuições de um empresário que, digamos assim, não gozava de bom nome no meio cristão. Esse missionário tinha vergonha desse fato – embora aceitasse o dinheiro que lhe era dado, escondia o mais que podia esse fato. Tinha vergonha de usar os recursos colocados à sua disposição por Deus. Agiu diferente de Paulo.

Se Deus cria condições para que sua obra seja realizada e se acreditamos de fato nisso, temos que usar de cabeça erguida o que nos foi colocado à disposição para o bem da obra d´Ele. E sermos gratos pelo que Ele fez.

O terceiro ensinamento que essa história de Paulo traz para nossas vidas é que o chamado de Deus para realizar sua obra não garante uma vida sem dificuldades. Conforme já disse, Deus capacita e apoia quem chama, mas não isenta de problemas que muitas vezes são pesados.

Numa passagem na segunda carta que escreveu aos Coríntios (capítulo 11, versículos 16 a 27), Paulo descreveu todos os problemas pelos quais passou ao longo do seu ministério: perseguição, prisões, tortura, fome, assaltos, naufrágio, etc.  Uma relação terrível.

E muitos outros heróis da fé cristã, como os demais apóstolos (quase todos perseguidos e martirizados) e gente como Francisco de Assis, Martinho Lutero ou Nelson Mandela, todos tiveram dificuldades. Esse é o depoimento da história.

Resumindo, o que foi dito até aqui, há pelo menos três ensinamentos a tirar. Primeiro, Deus capacita e apoia quem chama para realizar sua obra. Disso não há dúvida e a história de Paulo comprova bem isso.

Segundo, não devemos hesitar em usar os recursos que forem colocados à nossa disposição para realizar a obra de Deus, confiando que Ele fez o melhor.

Finalmente, o chamado para realizar a obra de Deus não garante uma vida fácil e sem problemas. A história demonstra exatamente o contrário: quem aceitou esse tipo de chamado precisou lutar muito.

Com carinho  

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