VOCÊ TEME A DEUS?

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Se você teme a Deus está no bom caminho. Se não teme, precisa repensar sua fé. Afinal, a Bíblia diz repetidas vezes que precisamos temer a Deus como, por exemplo, em Provérbios capítulo 1, versículo 7: “O princípio da sabedoria é o temor a Deus…” 

Mas antes de qualquer coisa, precisamos deixar bem claro do que estamos falando aqui – precisamos definir o significado da palavra “temer” conforme ela é entendida na Bíblia. 

O dicionário Aurélio, provavelmente o mais usado no Brasil, diz que “temer” tanto pode ser “ter medo ou recear” como “tributar grande respeito ou reverência”, significados bem diferentes.

A grande maioria das pessoas pensa que temor a Deus tem a ver com ter medo d´Ele. Mas é fácil mostrar que isso está errado. Muito errado.

Medo é uma emoção muito forte, cujo gatilho é nosso instinto de sobrevivência. Aparece quando nos sentimos incapazes de proteger a nós mesmos, a quem amamos ou aos nossos bens. Quando nos percebemos impotentes diante do perigo.

Ora, esse tipo de sentimento não faz qualquer sentido se for tomado em relação a Deus, pois Ele não é uma ameaça para nossa sobrevivência, para nossos queridos ou para nossos bens. Não há porque nos sentirmos desamparados ou em perigo diante de Deus. Afinal, Jesus nos ensinou a vê-lo como um Pai maravilhoso.

A resposta certa, então, deve estar no segundo significado do verbo: “tributar grande respeito ou reverência”. E é exatamente isso que acontece.

É por causa desse respeito e reverência que procuramos seguir os mandamentos de Deus e lutamos para não desapontá-lo com o pecado. É ainda por causa do mesmo temor que nos comportamos de forma reverente durante cultos e orações.

Faz sentido, portanto, o provérbio que citei no começo deste post, aquele que ser o temor a Deus a base de toda sabedoria humana. Afinal, é esse sentimento que nos coloca no caminho certo e que nos dá forças para evitar as armadilhas e tentações da vida.

Gostaria aqui de fazer uma pausa na linha de raciocínio para perguntar se há na Bíblia relato de pessoas que temeram a Deus no sentido de ter medo (terror) d´Ele. Sim, há várias. E uma delas foi Isaque, filho de Abraão.

Num dado momento, Jacó, filho de Isaque, estava conversando com seu sogro, Labão e se referiu assim ao próprio pai (Gênesis capítulo 31, versículo 42): “Se o Deus de meu pai, o Deus de Abraão e o temor de Isaque não fora comigo…” 

Repare, Jacó chamou Deus de o “terror de Isaque”. Mas porque fez isso? Parece estranho, pois nunca podemos esquecer que Isaque foi um dos patriarcas de Israel, o herdeiro direto da promessa de Deus a Abraão.

A resposta é simples: esse medo de Isaque nasceu no episódio em que Deus pediu a Abraão para sacrificar o próprio filho, num teste de fé (Gênesis capítulo 22). Isso acabou não sendo necessário, mas o episódio traumatizou Isaque, na época apenas um pré-adolescente. Faz sentido, portanto, que, a partir daquele momento, Deus tenha se tornado uma fonte de medo para Isaque.

Mas esse é um caso excepcional e foge completamente aos padrões daquilo que Deus espera do relacionamento conosco. Ele quer nosso amor, respeito e reverência. Nunca o nosso medo.

Antes de terminar, gostaria ainda de comentar duas coisas sobre a questão do temor a Deus. A primeira delas aponta que esse sentimento é a forma de se aproximar com Deus, de criar uma relação de intimidade com Ele – vejamos o que diz o Salmo 25, no versículo 14: “A intimidade do Senhor é para os que o temem”.

A segunda coisa é que o temor a Deus concorre para eliminar todo medo do ser humano. Isto porque quem se torna íntimo d´Ele não precisa recear mais nada. E isso está bem claro na Bíblia – a expressão “não temais…” é falada por Jesus, anjos, profetas ou apóstolos mais de 350 vezes nos relatos da Bíblia, sempre visando acalmar as pessoas que tinham medo por algum motivo.

Quem teme a Deus, confia n´Ele (Eclesiastes capítulo 2, versículo 8), logo não deve ter medo de mais nada.

Com carinho

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