O SALMO 23

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O SENHOR é o meu pastor, nada me faltará. Deitar-me faz em verdes pastos, guia-me mansamente a águas tranquilas. Refrigera a minha alma; guia-me pelas veredas da justiça, por amor do seu nome. Ainda que eu andasse pelo vale da sombra da morte, não temeria mal algum, porque tu estás comigo; a tua vara e o teu cajado me consolam. Preparas uma mesa perante mim na presença dos meus inimigos, unges a minha cabeça com óleo, o meu cálice transborda. Certamente que a bondade e a misericórdia me seguirão todos os dias da minha vida; e habitarei na casa do Senhor por longos dias. Salmo 23

Este é o mais conhecido e querido dos salmos – todo mundo lembra do primeiro versículo: “o Senhor é meu pastor e nada me faltará…” 

Essa poesia foi composta por Davi quando ele já estava na corte de Saul, depois de matar o gigante Golias. Nesse texto ele refletiu sobre sua vida anterior, feliz e sem complicações, quando era um simples pastor.

Nele, Davi deu uma aula do que deve ser a fé simples, talvez até mesmo ingênua. Uma fé como a das crianças, que Jesus apontou como o tipo de fé mais verdadeira (Marcos capítulo 10, versículos 13 a 16).

Vamos analisar o que Davi quis dizer no salmo 23, verso por verso. O autor começa chamando Deus de “meu pastor” e isso é inesperado, considerando a tradição das pessoas do povo de Israel, que somente se dirigiam a Ele de maneira bem formal.

Davi fez algo diferente: comparou Deus com um pastor de ovelhas que cuida do seu rebanho de animais indefesos.

Jesus se referiu a si mesmo como o “bom pastor, que dá a vida pelas suas ovelhas” (João capítulo 10, versículo 11), uma referência direta ao salmo 23. Ou seja, Jesus sancionou aquilo que Davi tinha escrito quase mil anos antes: Deus é de fato nosso pastor. Aquele que cuida de nós.

E quem tem Deus como Pastor pode descansar de fato pois Ele não deixará que falte nada verdadeiramente importante Há aqui outro paralelo com aquilo que Jesus falou: não devemos nos preocupar com as coisas mundanas, lembrando sempre dos lírios do campo e dos pássaros, sempre cuidados pelo Pai (Mateus capítulo 6, versículo 25).

A frase “…deitar-me faz em verdes pastos…” faz referencia a uma condição das ovelhas: não são capazes de saber, por si próprias, se já comeram o suficiente – são animais muito estúpidos. Era preciso que o pastor se aproximasse de cada uma, toca-se nela com o cajado, para chamar sua atenção, e mandá-la parar de comer e deitar-se.

E assim também é conosco: nunca sabemos o que devemos de fato fazer – se precisamos nos aquietar, se já temos o suficiente, etc. Precisamos da orientação adequada do Espírito Santo. 

O pastor levava as ovelhas para beber água num lugar tranquilo, normalmente um pequeno riacho ou um poço. E a frase “guia-me mansamente a águas tranquilas…” reflete essa situação, mas também aponta para Jesus: Ele disse que quem tiver sede espiritual deve beber da água viva que flui d´Ele (João capítulo 7, versículo 37). E essa sede nunca mais voltará.

O versículo seguinte fala em “refrigerar a alma“, embora a melhor tradução seja “restaurar a alma“. E é exatamente isso que acontece com aquele(a) que segue a Jesus: alimentado e com a sede saciada, a pessoa tem seu espírito restaurado. 

As “veredas da justiça” são os caminhos seguros, onde as ovelhas não ficavam com as patas presas em raízes, não tropeçavam em pedras soltas, não caiam em fendas disfarçadas. São esses os caminhos por onde o Espírito Santo leva aqueles(as) que seguem Jesus.

Continuando nossa análise, era parte do trabalho do pastor naquela época vender a lã que suas ovelhas produziam – era daí que tirava seu ganho. O bom pastor construía para si um nome confiável – as pessoas compravam dele sem qualquer dúvida, sem nem precisar olhar para as ovelhas para verificar o tipo de lã produzida. O pastor era o “selo de segurança” dos compradores e não as ovelhas. 

A mesma coisa acontece com Jesus: Ele gera confiança mesmo em quem não é cristão(ã). E é por causa disso que a sociedade espera de nós, cristãos(ãs), que venhamos a produzir boa “lã” (bons frutos), compatível com a confiabilidade do pastor.

Ás vezes, em busca de novas pastagens, os rebanhos de ovelhas precisam ser conduzidos por caminhos estreitos, difíceis, onde um passo em falso podia levar a um acidente terrível. As ovelhas confiavam que o pastor iria levá-las em segurança, que não iam sofrer nenhum mal. Esse é o significado da frase: “…ainda que eu andasse pelo vale da sombra da morte, não temeria mal algum, porque tu estás comigo…”   

A frase “…tua vara e o teu cajado me consolam…” aponta para outra tarefa do pastor: circular pelo rebanho e chamar cada ovelha pelo nome, dando-lhe uma pequena batida com o cajado. Assim, ele demonstrava um relacionamento pessoal com cada animal.

E assim também é conosco: o Espírito Santo entra em contacto com cada um(a) de nós, orientando, consolando e nos fazendo sentir amados pelo Pai.

As principais inimigas de uma ovelha, depois dos predadores (como os lobos),  são as outras ovelhas. Quando uma delas está ferida, as demais invadem seu espaço vital e a impedem de comer e ela acaba morrendo de fome. Cabe ao pastor impedir que isso aconteça e esse é o significado da frase “…preparas uma mesa perante mim na presença dos meus inimigos…”

E isso também tem um paralelo perfeito com a vida atual: frequentemente os(as) cristãos(ãs) são os(as) maiores inimigos(as) de quem está caído, pois julgam e condenam essa pessoa, fazem fofoca dela, etc. Exatamente com as ovelhas.

Os ferimentos das ovelhas eram cuidados com óleo de oliva que ajudava na cicatrização. O mesmo óleo, depois de consagrado, era utilizado para ungir os reis de Israel. Agora, na expressão “unges a minha cabeça com óleo” há uma referência ainda mais importante: Davi tinha sido ungido futuro rei de Israel, quando tinha cerca de dezesseis anos, pelo profeta Samuel, embora, quando escreveu o salmo 23, ainda não tinha assumido o trono.

O cálice das ovelhas era uma pedra escovada, com dimensões aproximadas de 1,20 m x 0,50 m, onde o pastor colocava água. Como essa pedra ficava exposta ao sol, o pastor a enchia de água até transbordar para resfriá-la, dando mais conforto às ovelhas. Portanto, a expressão “o meu cálice transborda” aponta para esse gesto de carinho do bom pastor.

E é assim que Deus age conosco: nos dá da sua graça até que transbordemos e possamos viver em paz. 

A bondade e a misericórdia do pastor acompanhava as ovelhas enquanto elas viviam. O pastor tinha amor por cada uma delas e as tratava como seres queridos. E o mesmo podemos esperar de Deus.

Chegamos então à última frase do salmo: “…e habitarei na casa do Senhor para todo o sempre…” Nela está resumida nossa esperança: estar com Deus para todo o sempre. Essa é promessa que acompanha a salvação proporcionada por Jesus.

Davi, no texto do salmo 23, aponta para essa realidade última – ele conhecia essa promessa e acreditava nela.              

 Com carinho 

2 Comentários


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    Fatima Apaecida Costa Felix

    IRMAO VININCIUS,QUE DEUS CONTINUE TE ILUMINANDO PRAR TRAZER ENSINOS MARAVILHOSO, APOS MEDITAR NA PUBLICACAO DOS SALMOS 23, A MINHA VISAO DAS COISAS MUDOU MUITO, ESTOU MUITO GRATA, OBRIGADA.


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      Vinicius Moura

      Obrigado pelas suas palavras. Volte sempre.

      Abs

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