A PARÁBOLA DOS TRABALHADORES BOIA FRIA

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Porque o reino dos céus é semelhante a um homem, pai de família, que saiu de madrugada a CONTRATAR trabalhadores para a sua vinha. E, ajustando com os trabalhadores a um dinheiro por dia, mandou-os para a sua vinha. E, saindo perto da hora terceira, viu outros que estavam ociosos na praça. E disse-lhes: Ide vós também para a vinha… E eles foram. Saindo outra vez, perto da hora sexta e nona, fez o mesmo. E, saindo perto da hora undécima, encontrou outros que estavam ociosos, e … DiZ-lhes: Ide vós também para a vinha, e recebereis o que for justo. E, aproximando-se a noite, diz o senhor da vinha ao seu mordomo: Chama os trabalhadores e paga-lhes… Vindo, porém, os primeiros, cuidaram que haviam de receber mais; mas do mesmo modo receberam um dinheiro cada um. E… murmuravam contra o pai de família, dizendo: Estes derradeiros trabalharam só uma hora, e tu os igualaste conosco… Mas ele, respondendo, disse a um deles: Amigo, não te faço agravo; não ajustaste tu comigo um dinheiro? Toma o que é teu, e retira-te; eu quero dar a este derradeiro tanto como a ti. Ou não me é lícito fazer o que quiser do que é meu? Mateus capítulo 20, versículos 1 a 15

Essa parábola de Jesus é muito importante por que toca num aspecto fundamental da salvação: ela não é por mérito e sim pela Graça de Deus, mediante o sacrifício de seu Filho na cruz. E isso tem importantes consequências que costumam escapar ao entendimento das pessoas.

A estória fala de um dono de vinha que contratou trabalhadores avulsos – o equivalente aos nossos “boias frias” – para trabalhar. Contratou os primeiros no início da jornada de trabalho e prometeu-lhes pagar determinada quantia justa. Mas ao ver que a primeira leva não tinha sido suficiente, foi contratando outros trabalhadores ao longo do dia, prometendo-lhes o mesmo valor pela jornada, embora fossem trabalhar menos horas. 

Ao final do dia, deu a todos os trabalhadores o prometido: a mesma quantia. Aí os trabalhadores que tinham sido contratados no início da jornada reclamaram porque tinham trabalhado mais horas e ainda assim recebido a mesma coisa, o que lhes pareceu injusto.

O dono da vinha respondeu que combinou com cada um a quantia a ser paga e fez exatamente como o combinado. E como o dinheiro era dele, podia pagar o que bem desejasse a cada trabalhador e ninguém podia reclamar porque cumprira o prometido.

Nessa parábola , assim como em todas que Jesus contou, o dono da vinha representa Deus. E a vinha o seu povo (Isaías capítulo 5, versículo 7).

Os trabalhadores são aqueles(as) que fazem a obra de Deus. Algumas dessas pessoas se convertem cedo nas suas vidas e têm oportunidade de trabalhar por muitos anos nessa obra. Outras se convertem mais tarde, quase ao fim da sua vida na terra – são os trabalhadores contratados quase ao final da jornada de trabalho.

Há muitos exemplos na Bíblia de pessoas com trajetórias espirituais diferentes nas suas vidas. Por exemplo, o apóstolo Paulo trabalhou décadas pela obra de Deus, fazendo diversas viagens missionárias, pastoreando inúmeras igrejas, sofrendo perseguições, etc.

O ladrão que foi crucificado ao lado de Jesus não fez nada pela obra de Deus, pois se converteu poucas horas antes de morrer. E mesmo assim foi salvo (Lucas capítulo 23, versículo 43) – recebeu de Deus a mesma graça reservada para Paulo.

O apóstolo, assim como todos os(as) demais como ele, é representado na parábola pelo trabalhador contratado no começo do dia de trabalho e o o ladrão na cruz, e outros(as) como ele, pelo trabalhador contratado ao final do dia. Uns trabalharam bem mais do que os outros, mas todos receberam do dono da vinha o mesmo “salário” (a salvação).

Isso parece justo? muita gente pensa que não. Mas elas não estão certas em criticar Deus. Afinal, ninguém é salvo pelo que faz e sim pelo que acredita (a fé em Jesus como seu Salvador). Logo, não faz diferença, para fins de salvação, se essa fé chegou no começo da vida ou ao final dela – a situação perante Deus continua a mesma.

E como as pessoas são salvas pela Graça de Deus e não pelo mérito individual delas, ninguém pode questionar Deus pelo que faz. Por justiça, todos deveriam ir para o inferno e somente a Graça de Deus nos oferece um outro caminho.

É esse o significado da frase final do dono da vinda (Deus) na parábola: Ele podia fazer o que desejasse com seu dinheiro. Em outras palavras, Deus pode fazer o que desejar com sua Graça, pois Ele nos dela sem nada pedir em troca. É um presente.

O dono da vinha podia ter contratado outros trabalhadores, mas escolheu contratar aqueles e prometeu-lhes um salário que pagou – foi absolutamente correto e justo. Nenhum trabalhador tinha o direito de olhar para o lado e tentar fazer comparação com a situação dos demais.

A salvação funciona exatamente assim: Deus fez uma promessa aos seres humanos – que aceitar Jesus como Salvador, será salvo(a). E vai cumpri-la no final dos tempos.

Portanto, não cabe a ninguém ficar olhando para o lado e avaliando se outras pessoas merecem receber a mesma salvação. Ninguém é “porteiro” do Paraíso. Simples assim.

Há ainda uma coisa importante a comentar em relação a essa parábola: embora todos(as) recebam a mesma salvação pela Graça de Deus, há sim prêmios, que vão além dela, que têm a ver com as obras: quem tiver feito mais pela obra de Deus, receberá prêmio maior. Esses prêmios são chamados “galardões” e se você quiser saber mais a respeito disso, leia o post que escrevi anteriormente ( leia ).

Com carinho

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