DEUS, POR FAVOR SARA A NOSSA TERRA

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E se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e buscar a minha face e se converter dos seus maus caminhos, então eu ouvirei dos céus, e perdoarei os seus pecados, e sararei a sua terra.    2 Crônicas capítulo 7, versículo 14

O Brasil viveu ontem as maiores manifestações populares da sua história – superaram em muito o que aconteceu no “Movimento pelas Diretas Já”, ocorrido em 1984. Foi emocionante ver milhões de pessoas na rua, passando uma mensagem política de forma ordeira, sem qualquer violência. Defendendo causas que visam dar um futuro melhor para a população brasileira, pois estão cansadas de tanta roubalheira, hipocrisia e tantos outros pecados cometidos pela classe política, empresários de alto escalão e dirigentes de empresas públicas. Isso em meio à mais terrível crise econômica da história brasileira recente – o desemprego crescendo a olhos vistos e a crise econômica batendo à porta de muita gente.

Como chegamos nessa situação? O que fizemos de errado? Essas perguntas são importantes porque se não fizermos essa reflexão e chegarmos às conclusões certas, certamente iremos repetir no futuro os mesmos erros do passado.

Há muitas explicações para nossos problemas, como a falta de educação da população, a desigualdade social, a fragilidade do nosso sistema político e assim por diante. Certamente essas causas explicam muito do que está acontecendo, mas penso que não explicam tudo. Há algo muito mais importante que está por trás disso tudo.

O problema está no fato que a sociedade brasileira é tolerante com o pecado. As pessoas não levam as coisas a sério como deveriam e vivem com base em valores que podem ser distorcidos – por exemplo, nas escolas, os(as) alunos(as) que estudam são ridicularizados pelos(as) demais.

É essa “flexibilidade” moral que gerou a “cultura do jeitinho”: é aceitável fazer quase tudo, inclusive violar as leis, para resolver um problema que incomoda ou conseguir uma vantagem desejada. Está presente também na famosa “lei de Gerson”: “gosto de levar vantagem em tudo…”

De forma geral, as pessoas acreditam que um pouco de pecado não faz mal. Assim, se tornam tolerantes com mentira, hipocrisia, corrupção, nepotismo, etc. Por exemplo, lembro de um caso acontecido muitos anos atrás: um brasileiro morava nos Estados Unidos e foi convidado para uma festa, sendo que o convite chegou pelo correio (como é comum por lá). Ele não quis ou não pode ir à festa e quando o dono da festa lhe perguntou a razão, o brasileiro mentiu, dando a desculpa que o convite não tinha sido entregue a tempo pelo correio. O dono da festa, furioso, foi até o Correio e ameaçou processar a organização. E o Correio, por sua vez, veio em cima do mentiroso, pois tinha provas de que entregara o convite a tempo. E o brasileiro, muito envergonhado, teve que admitir sua mentira.

A cultura norte-americana, por exemplo, valoriza muito o falar a verdade e por causa disso as pessoas acreditam umas nas outras. É claro que muitos americanos(as) mentem, mas quando a mentira aparece, o(a) mentirosos(as) fica desmoralizado(a) – muitos políticos brasileiros já teriam perdido seus mandatos se morassem naquele país.

Aceitamos bem um pouco de mentira, um pouco de corrupção (por exemplo, dar dinheiro ao guarda para se livrar uma multa) ou um pouco de nepotismo (arrumar um emprego para um parente que não merece). Pecado é aceitável, se for “pequeno” e, principalmente, beneficiar a pessoa.

Ora, a corrupção que está sendo descoberta agora pela Operação Lava Jato não nasceu ontem e muito menos inventada pelo atual governo. É claro que a corrupção atingiu nos últimos anos uma dimensão insuportável, mesmo de uma sociedade leniente como a nossa. E aí apareceu a reação.

As coisas começaram a mudar porque um pequeno grupo de procuradores e um juiz de primeira instância da Justiça Federal do Paraná concluíram que as coisas não podiam continuar assim. Cumpriram com seu dever e não se intimidaram com cara feia – só isso. E o Brasil está sendo mudado para sempre – umas poucas pessoas estão fazendo a diferença.

O que elas vêm fazendo é algo muito importante: estão colocando a nu os pecados cometidos por um monte de gente que se dizia respeitável, mas são criminosos. Estão obrigando essas pessoas a reconhecer o mal que fizeram. E esse é um primeiro passo muito importante.

Mas é preciso mais do que isso, como o versículo bíblico que abre este texto demonstra. É preciso que a sociedade brasileira reconheça sua parcela de responsabilidade nesse estado de coisas – pela sua omissão de seus atos – e peça perdão a Deus. E depois mude seus caminhos, deixando de tolerar o pecado. Sem isso, não há como pedir ajuda a Deus para mudar nossa sorte, “sarar” nossa terra. Simples assim.

Os(as) brasileiros(as) precisam aprender a viver de fato o cristianismo – não basta se dizer cristãos(ãs) enquanto se vive na prática como se Deus não existisse. O Brasil precisa de um “choque” de ética, de novos princípios de comportamento e de vida que privilegiem a verdade, a justiça, o mérito, etc.

E a nós, evangélicos(as), cabe liderar pelo exemplo. Servir de luz para clarear os caminhos das pessoas. Funcionar como sal para mudar o “sabor” das coisas. Foi isso que Jesus nos pediu para fazer. É essa a nossa responsabilidade.

Com carinho

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