DEUS ESTÁ DEIXANDO DE SER NECESSÁRIO?

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Li recentemente um estudo feito na Europa onde o pesquisador defende a tese que, dentro de uns 50 anos, a crença em Deus terá praticamente desaparecido nos países mais desenvolvidos. Esse estudo cita a situação atual na Suécia, Noruega, França, Reino Unido e outros países, onde os ateus já constituem uma parcela expressiva da população (entre 30% e 65%). 

O estudo conclui dizendo que Deus é, na verdade, uma invenção do ser humano para ajudá-lo a enfrentar sua própria ignorância. Essa ideia – apelidada de “o deus das brechas” – não é nova, pois vem sendo veiculada por filósofos há muitos séculos, mas aparece agora em roupagem nova, como se fosse grande novidade. 

Ela parte do conceito que Deus é definido a partir das brechas do conhecimento humano. Assim, quando o homem não sabia o que era o trovão, dizia que era Deus falando. Ele, portanto, ajudaria a explicar tudo aquilo que o ser humano ainda não consegue entender através da ciência ou não consegue suportar, mesmo com o apoio da psicologia e da psicanálise. 

E segundo os proponentes desse conceito, à medida que a ciência for se desenvolvendo, cada vez haverá menos espaço para Deus e Ele acabará por desaparecer. É como se Deus fosse diminuindo de tamanho, acabando por ficar irrelevante. 

E continuam os defensores desse conceito, o desaparecimento gradativo de Deus se dá sempre a partir das pessoas mais esclarecidas, com mais acesso ao conhecimento científico, que normalmente estão presentes em maior proporção nos países mais avançados.  

Assim, a percentagem de ateus em relação à população de um país serviria até para medir o grau de desenvolvimento daquela sociedade. E o aumento recente do ateísmo no Brasil, é citado, dentre outros exemplos, como uma prova clara desse processo.

A resposta cristã

Essa é uma crítica que não pode ser desprezada pelos cristãos – precisa ser enfrentada abertamente. E para fazer isso, não adianta dizer que a Bíblia fala isso ou aquilo, pois os ateus não acreditam que ela é a Palavra de Deus. Afinal é a fé em Deus que valida a Bíblia e não o contrário. Para quem não tem fé, a Bíblia é apenas um livro histórico e, para eles(as), nem muito preciso. 

Mas você pode ficar certo que há muito a dizer. Em primeiro lugar há provas concretas da existência de Deus, ao contrário do que muitos querem fazer crer. Mas os cristãos não as conhecem e não estudam os argumentos a seu favor – há diversos posts aqui no blog onde falo sobre isso (veja mais) e recomendo sua leitura.  

O problema real é que a ciência não consegue lidar bem com coisas imateriais, como é o caso de Deus. Por isso não consegue provar que Ele existe (como também não consegue provar o contrário). Mas ela tem a mesma dificuldade em lidar com outras coisas que sabemos existir, como a existência da fé num ser superior ou o sentimento de amor. 

Em segundo lugar, não é verdade que quanto mais desenvolvido o país mais ateu ele acaba por ficar: os Estados Unidos, o país mais rico do mundo, é um bom contra exemplo. Nesse país a esmagadora maioria da população acredita em Deus. A ateísmo vem crescendo ali, mas ainda é pouco relevante. E a China tem visto o cristianismo crescer fortemente, à medida que vai enriquecendo. 

Também não é justo dizer que quem é mais esclarecido acaba por descrer da existência de Deus. Muitos filósofos e pensadores modernos creem em Deus e um dos maiores pensadores da segunda metade do século passado, Anthony Flew, ao final da sua vida, deixou de ser ateu. Esse homem, durante décadas, escreveu livros para desacreditar a fé em Deus e acabou se rendendo a ela no final da sua vida.

O que o estudo citado acima confunde é a falência de algumas instituições cristãs, que se tornaram incapazes de renovar seu discurso e encontrar o que dizer para os moradores dos países mais desenvolvidos, com o desaparecimento de Deus. 

Quem está morrendo são as lideranças dessas igrejas, encasteladas nos seus templos pomposos e confortáveis, que tentam ensinar um Deus cheio de regras e dogmas e sem qualquer espiritualidade.

O fato é que as pessoas, estejam elas de bem com a vida ou não, continuam sedentas de algo que lhes dê sentido para viver. E não é o dinheiro e o bem estar social que garantem isso. Por isso mesmo as sociedades mais desenvolvidas lutam tanto com altas taxas de suicídio, uso drogas, consumo excessivo, promiscuidade sexual e outras coisas assim. 

Na verdade, somente Deus pode dar sentido à vida do ser humano. Afinal, fomos feitos por Ele exatamente assim – há em nós um espaço que somente Ele pode preencher. 

Com carinho

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