A INVERSÃO DE VALORES NA IGREJA CRISTÃ

0
1784

É uma tremenda contradição a forma como os supermercados tratam seus clientes quando eles(as) chegam nos caixas para pagar. As pessoas que compraram menos têm filas rápidas e são liberadas logo, já aqueles que compraram bastante ficam muito tempo esperando. Ora, pelo que sei, a regra do comércio manda que quem compra muito deveria ter tratamento preferencial. Por que os supermercados usam uma lógica contrária ao bom senso? 

E acabamos nos acostumando com essa inversão de valores – por exemplo, já questionei dezenas de caixas de supermercados sobre isso e todos(as) sempre me olham com cara espantada, pois nunca tinham pensado nessa questão.

O pior é que a igreja cristã também vem sendo contaminada por uma inversão de valores importante. Vejamos alguns exemplos:

O culto é para quem?

É comum, ao saírem de um culto, as pessoas comentarem o que vivenciarem. E é interessante observar que os comentários sempre versam sobre se a cerimônia realizada estava ou não de acordo com o gosto ou as necessidades dos(as) participantes.

Ora, o culto é, antes de tudo, uma cerimônia de adoração e louvor a Deus. Logo, por que as pessoas nunca perguntam ao final do culto se Deus se agradou do que foi feito ali?

A inversão de valores está no fato que o culto passou a ser dirigido para as pessoas, abandonando o foco maior em Deus. As igrejas pensam ser preciso entreter as pessoas para garantir sua frequência e usam todo tipo de recurso para poder competir com as fontes de lazer, como a Internet, a televisão, os shows, etc.

E as consequências desse erro são enormes: pastores deixam de abordar nas suas pregações temas impopulares como “pecado” e “inferno”, há cultos que viram verdadeiros shows, cheios de efeitos visuais, e as “estrelas” do culto passam a ser os pregadores e o pessoal do louvor.  

Quem deve influenciar quem?

Existe uma permanente tensão entre a igreja cristã e a sociedade secular, disputando quem deve influenciar quem.

Não há dúvida que a igreja precisa sofrer alguma influência da sociedade. Por exemplo, quando eu era pequeno, as igrejas passaram a aceitar guitarras e baterias no louvor, para tornar a música mais adequada ao gosto dos jovens. E não vejo qualquer problema com isso. 

Mas a igreja cristã não pode mudar a ponto de desvirtuar o testemunho que precisa dar para o mundo. Mudar  apenas para não ter uma imagem antipática é uma inversão muito perigosa de valor. E vemos tal tipo de coisa acontecendo nas discussões de temas polêmicos como aborto, limites da honestidade, etc. A igreja acaba por flexibilizar suas posições apenas para “ficar bem na fita”.

Jesus nos disse que deveríamos ser o “sal da terra”, ou seja precisamos transmitir “sabor” ao que está em torno. E isso somente acontecerá se lutarmos para que os ensinamentos cristãos modifiquem o comportamento da sociedade.

E muitos cristãos(ãs) fizeram exatamente isso ao longo da história. Por exemplo, Wilberforce levou a Inglaterra a abolir a escravidão, lutando contra forças econômicas muito poderosas; Madre Teresa de Calcutá influenciou mudanças nos direitos civis na Índia, enfrentando costumes milenares; e Wesley minimizou chagas sociais, como o alcoolismo e o abandono das crianças, contra a vontade do capitalismo selvagem da Inglaterra.

Quando a igreja permite que seu discurso seja adequado às necessidades da sociedade, é essa última que sai ganhando, pois passa a ditar a agenda. E nunca podemos nos esquecer que a sociedade tem muito mais recursos e sabe bem melhor como agradar as pessoas. 

Quem está a serviço de quem?

Algumas igrejas defendem a tese de que temos direitos perante Deus, por causa das promessas que Ele teria nos feito. E basta ter fé e reivindicar para se apossar desses direitos. E tome de prosperidade para todos, saúde garantida sem precisar tomar remédios, etc.

Esses direitos, do qual podemos nos apossar, acabam fazendo de Deus um servo nosso – reivindicamos e Ele atende. Mas, somos nós que precisamos ser servos fiéis d´Ele. Trata-se de uma perigosa inversão de valores.

Conclusão

Inversões, como as que comentei acima, e outras mais estão debilitando a igreja cristã. É isso que está
acontecendo com as igrejas protestantes ditas liberais nos Estados Unidos, várias delas hoje reduzidas à uma fração, em número de membros, do que já foram.

Posturas “politicamente corretas”, “práticas de marketing modernas”, “administração focada em objetivos” e outras coisas desse tipo acabaram virando armadilhas para o cristianismo. Inverteram nossos valores. E geram prejuízos para o testemunho cristão, que é a razão de existir do cristianismo.

A igreja cristã somente executa seu papel quando incomoda, denuncia, enfrenta o que está errado, enfim quando mostra que existe um caminho diferente ao da sociedade. Quando não faz isso, a igreja torna-se irrelevante, ou como disse Jesus, torna-se sal insípido, que serve apenas para ser jogado fora.

Com carinho

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here