O NOVO FILME SOBRE O ÊXODO

1
133

Assisti no fim de semana anterior ao mais novo filme sobre o Êxodo, dirigido pelo famoso cineasta Ridley Scott, conhecido por filmes como “O Gladiador”. 

Para aqueles que não se lembram bem dessa história, o livro bíblico do Êxodo (o segundo do Velho Testamento) relata os fatos relacionados com a libertação do povo de Israel após 430 anos de escravidão no Egito. Deus levanta um libertador, Moisés, para cobrar do faraó a saída do seu povo e depois liderá-lo na viagem até a Terra Prometida (Palestina). É durante a luta pela libertação do povo que ocorrem as famosas dez pragas, que assolaram o povo do Egito e forçaram o faraó a liberar os israelitas contra a sua vontade.

Achei o filme interessante e o recomendo àqueles que gostam de cinema. A seguir meus comentários sobre o que vi:

O novo filme não tem a pretensão de ser fiel ao relato bíblico. Isso fica muito claro desde o seu início. Na verdade, o filme é uma releitura do relato bíblico. Em outras palavras, é uma interpretação do que aconteceu feita por alguém que não é religioso.

E, sendo assim, o filme traz uma série de liberdades tomadas com o relato bíblico, embora nenhuma delas seja desrespeitosa. Portanto, pode ser assistido numa boa, pois, a meu ver, não ofende a ninguém. 

Dentre essas liberdades, por exemplo, está uma revolta armada contra o governo do faraó, liderada por Moisés. Tal fato nunca aconteceu. Como também a busca de uma explicação científica para as dez pragas, evitando catalogá-las como milagres de Deus – o rio Nilo se tornou como sangue por causa de sedimentos carreados pelas águas, que causaram a mortandade de peixes, que geraram rás, vermes, doenças e assim por diante. 

Outra liberdade interessante é a descrição de Deus como um menino, sério e compenetrado. Muita gente pode achar isso estranho, pois estão acostumadas a pensar Deus como um senhor de barbas brancas. Essas pessoas se esquecem que essa imagem de Deus também é fruto da imaginação de um artista, nesse caso Michelangelo, conforme as pinturas do teto da Capela Sistina, no Vaticano.

É claro que Deus não é um menino, mas também não é um senhor de barabas brancas e ar severo. Ambas as visões estão erradas. Na verdade o ser humano não consegue imaginar e retratar Deus como Ele é de fato. Simples assim.

Agora, para mim a coisa mais interessante do filme é o retrato de Moisés que é apresentado: um homem com senso de missão, incomodado com a escravidão do seu povo, mas também cheio de dúvidas e hesitando em entrar numa parceria com Deus. 

A Bíblia não fala explicitamente dessa hesitação de Moisés, exceto bem no início da história, quando ele foi convocado por Deus para sua missão. Mas acho que o retrato apresentado pelo filme é bastante coerente e importante, sob o ponto de vista espiritual. Eu me explico.

Outros filmes – como o famoso “Dez Mandamentos”, com Charlton Heston – mostram Moisés como um super herói. Um homem acima de tudo e todos. E, ao fazer isso, prestam um desserviço à causa de Deus. Isso porque levam as pessoas a concluir que a obra de Deus somente pode ser feita por pessoas especiais – santos(as) no jargão da Igreja Católica.

Ora, o que leva as pessoas a fazerem coisas extraordinárias é sua fé em Deus e não suas qualidades individuais. É através dessa fé que o Espírito Santo atua e produz os milagres – foi por isso Jesus ensinou que com fé se pode até remover montanhas. 

E não é preciso ter qualidades especiais para ter fé. Isso está ao alcance de qualquer um(a). Logo, quem faz o obra de Deus são pessoas comuns, como você e eu, como eram Pedro (simples pescador), Paulo (fabricante de tendas) e tantos outros(as).

Ao mostrar Moisés como um homem com dúvidas e hesitações, sem entender bem os planos de Deus e o que estava acontecendo ao seu redor, o filme acerta na mosca. Afinal, não deve ter sido nada fácil para aquele homem cumprir sua missão – basta lembrar que o processo de libertação durou quase dois anos e foram preciso dez pragas e muitos avanços e recuos. E, ao longo desse processo, os israelitas se voltaram contra Moisés, por não verem os resultados que esperavam.  

Finalmente, gostaria de falar ainda sobre a sensação de admiração que senti quando o filme mostrou os milagres acontecendo em sucessão. Quando o enorme poder do Egito – o país mais rico e forte daquela época – foi esmagado. Quando a mão de Deus pesou contra aqueles que tentaram impedir a realização da sua vontade.

Nesse momento eu me lembrei do outro filme famoso sobre Moisés – “Os Dez Mandamentos” -, da cena em que o faraó volta para seu palácio, depois de perder grande número de soldados. Ele tinha se arrependido de ter deixado o povo de Israel ir embora e foi com seu exército em sua perseguição. Foi aí que o mar Vermelho se abriu para que Israel pudesse passar. O exército de faraó tentou ir atrás e o mar se fechou sobre eles, afogando a todos. 

Ao chegar em casa e ser perguntado pela rainha o que tinha acontecido – ela queria saber se Moisés estava morto -, o faraó, ainda chocado com o que tinha visto, declarou o seguinte, referindo-se ao povo de Israel: “o seu Deus é o Deus“. 

Esse é o ensinamento maior de tudo isso. Servimos ao Deus verdadeiro. Não há outro como Ele – nunca houve e nunca haverá. E nada pode ficar no seu caminho.  

Com carinho 

1
Deixe um comentário

avatar
1 Comment threads
0 Thread replies
0 Followers
 
Most reacted comment
Hottest comment thread
0 Comment authors
Isabelle Recent comment authors

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

  Subscribe  
newest oldest most voted
Notify of
Isabelle
Visitante

uau, adorei sua resenha! Vou assistir hoje e estava procurando resenhas de teístas sobre o filme, para me preparar, hehehe. Obrigada!