O “BEM” AJUDA A PROVAR A EXISTÊNCIA DE DEUS

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A comprovação da existência de Deus, conforme já comentei em outras oportunidades, não pode ser feita da mesma forma como se prova uma teoria da física, isto é usando equações matemáticas e experimentação (como acabou de ser feito com o bóson de Higgs, a “partícula de Deus”). E a razão para isso é simples: a existência de um ser sobrenatural, que opera fora do mundo físico, não pode ser feita com base nas próprias leis que regulam esse mundo. 

A comprovação da existência de Deus somente pode ser feita de forma similar à demonstração da culpa de um assassino, cujo crime não tenha tido testemunhas. São coletadas evidencias concretas (DNA, impressões digitais, álibi do acusado, etc) e esse conjunto de provas permite apontar o culpado. As evidencias coletadas precisam comprovar, de forma cumulativa, que é muito provável – na terminologia jurídica, “além de uma dúvida razoável” – que o acusado cometeu o crime. 

Assim, se conseguirmos juntar um conjunto suficiente de evidencias apontando para a existência de Deus, essa realidade ficará demonstrada, além de uma “dúvida razoável”. Já apresentei diversas evidencias que apontam para a existência de Deus (veja mais), como o início do universo (o Big Bang), o conjunto organizado de informações que controla a vida (o DNA) e o fato do universo funcionar de forma tão regular e previsível que pode ser descrito com exatidão por equações matemáticas. Tudo isso aponta para um ser com inteligencia e poder extraordinários que criou e organizou tudo que existe.

Uma nova evidencia
Hoje vou somar mais uma evidencia, essa baseada na existência de obrigações morais universais. Não se assuste, pois o raciocínio não é difícil de acompanhar. 

Começo definindo o que seja uma obrigação moral universal: trata-se de algo que todos os seres humanos precisam obedecer – é o certo a fazer, o bem. Essa obrigação é válida em qualquer lugar, tempo e cultura, não dependendo, portanto, da opinião das pessoas. 

Um exemplo é a proibição de torturar crianças. Ninguém pode ser desculpado por fazer isso, nem mesmo se alegar motivação religiosa (o direito a seguir uma religião não pode nunca justificar a tortura de crianças). E é pela mesma razão que a Inquisição, promovida pela Igreja Católica, merece ser condenada. Ela tentou impor a fé cristã à força, mas a boa intenção nunca pode justificar o desrespeito à vida humana.

Agora, quem pode estabelecer obrigações morais que sejam válidas para todos(as)? Só há duas respostas possíveis: o próprio ser humano (através da sociedade) ou um ser superior (Deus).

Ora, quando os padrões morais são estabelecidos pela própria sociedade eles são dependentes da evolução do pensamento humano. Hoje achamos que certas coisas, como a escravidão, são erradas, mas elas eram consideradas socialmente aceitáveis 150 anos atrás. Os direitos humanos, hoje amplamente protegidos, como a igualdade das pessoas, independentemente de raça, religião, sexo ou condição social, somente começaram a se tornar mais aceitos 200 anos atrás mais ou menos. 

A sociedade muda de opinião, e se as obrigações morais forem estabelecidas por ela, esses padrões certamente vão mudar ao longo do tempo. E aí deixarão de ser padrões confiáveis.

Além disso, se uma obrigação moral for estabelecida por um grupo de pessoas, ela pode não ser aceita por outro grupo – é por isso que as leis variam tanto de país para país. Obrigações que vinculem todas as pessoas somente podem ser estabelecidas por alguém que esteja acima delas. Por alguém que todas elas tenham que respeitar.

Portanto, obrigações morais universais somente podem ser estabelecidos por Deus. E dessa conclusão decorre uma outra, também muito importante: caso as obrigações morais existam de fato, isso será mais uma evidencia da existência de Deus, pois somente Ele pode fazer isso.

Repare que não estou dizendo aqui que um ateu não possa viver uma vida moralmente correta. Conheço vários deles que levam vidas exemplares. Mas essa não é a questão sendo discutida aqui. 

A questão em discussão é definir por que as pessoas devem se comportar corretamente. Os ateus fazem isso seguindo aquilo que entendem ser o melhor, com base no seu conhecimento e cultura. E podem acertar, mas se mudarem de convicção, sentir-se-ão à vontade para agir de forma diferente, sem qualquer remorso. Já os cristãos se portam de determinada maneira porque são comandados por Deus a fazer isso. Eles devem obedecer essas obrigações – o que não quer dizer que façam isso sempre – mesmo que discordem delas. E isso vale para todos os seres humanos. As motivações, num caso e no outro, são totalmente diferentes. 

Obrigações morais universais existem?
Evidentemente há uma enorme discussão sobre se tais obrigações existem mesmo, até pelas consequências que isso tem quanto a comprovar a existência de Deus. Por exemplo, muitos pensadores ateus defendem que, como o ser humano é fruto da evolução das espécies (onde o que conta é a sobrevivência do mais forte e capaz), não há como garantir que esse tipo de obrigação exista. 

Segundo eles, pode até ser que as pessoas venham a fazer algo considerado bom, mas isso seria simples coincidência. Os atos que parecem bons são praticados apenas porque concorrem para aumentar as chances de sobrevivência das pessoas. Por exemplo, as pessoas ajudam umas às outras porque isso aumenta suas chances de sobrevivência nos momentos de crise. A solidariedade acaba sendo o procedimento mais seguro para a coletividade. 

Mas a experiência humana mostra que tal tipo de padrão universal existe mesmo e muitos deles não podem ser explicados pelas vantagens que trazem para quem os adota. Por exemplo, o auto-sacrifício de uma pessoa, para preservação da outra, não pode ser justificado pelo benefício auferido por quem se sacrifica e, ainda assim, esse tipo de prática sempre é reconhecido como de grande valor. A traição até pode ajudar uma pessoa a se salvar de circunstâncias adversas, mas se trata de ato sempre criticado. 

A esmagadora maioria das pessoas acredita em valores morais universais – é essa crença que está por trás da “Declaração Universal dos Direitos Humanos” que a ONU patrocina e defende. E eles são mesmo uma realidade.

Conclusão
Estamos prontos para apresentar o argumento final para comprovar a existência de Deus com base nas obrigações morais universais. Ele funciona assim: se as duas condições iniciais forem verdadeiras, a conclusão automaticamente também será verdade. 

Vamos às condições, que já mostrei serem ambas verdadeiras: 

  • Condição 1: Se Deus não existe, obrigações morais universais não existem.
  • Condição 2: Obrigações morais universais existem.  

A conclusão é Deus existe.

Com carinho 

5 Comentários


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    Jorge

    Presumo que a sua conduta moral absoluta seja inspirada na bíblia, certo?


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    Jorge

    Desculpe mas tem toda a relação.
    Raciocínios especulativos sobre existência de Deus como causa de um código moral absoluto é o exercício que você está a realizar. Acho que entende esse tipo de exercício não define verdades quanto mais a existência de algo que você sabe tanto quanto eu, ou seja nada.


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      Vinicius Moura

      Sua contra-argumentação não discute a questão que eu apresentei Diz apenas que eu sei que não é assim. Não penso assim e posso citar um bom número de filósofos que concorda comigo.


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    Jorge

    "O princípio, pelo qual, do que acontece (do que é empiricamente contingente) como efeito se conclui uma causa, é um princípio do conhecimento da natureza, mas não do conhecimento especulativo".

    "Não podemos afastar nem tão-pouco suportar o pensamento de que um ser, que representamos como o mais alto entre todos os possíveis, diga de certo modo para consigo: Eu sou desde a eternidade para a eternidade; fora de mim nada existe a não ser pela minha vontade; mas de onde sou então? Eis que tudo aqui se afunda sob os nossos
    pés, e tanto a maior como a mais pequena perfeição pairam desamparadas perante a nossa razão especulativa, à qual nada custa fazer desaparecer uma e outra sem o menor entrave"

    Conclusão, usa os critérios do mundo sensível para inferir e provar a sua necessidade de uma primeira causa transcendente. Pára na hora de questionar a sua causa utilizando os mesmos critéiros, apenas especula.

    Não provou absolutamente nada…em final conclusão.


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      Vinicius Moura

      Estou discutindo aqui uma tema filosófico bem conhecido, que é a questão dos princípios morais universais. E daí tirei conclusões sobre a existência de Deus.

      Nada do que você falou no seu comentário acima tem qualquer relação ou relevância para o que foi discutido. Portanto, não tenho o que comentar.

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